Prova usada contra Lula no caso Atibaia foi fabricada durante acordo de delação premiada

Gabriela Hardt e Sérgio Moro.

Delação de Pedro Barusco – o delator que aponta pagamento de propina ao PT – foi validada com planilha que ele mesmo produziu no decorrer da Lava-Jato.

Cíntia Alves, via Jornal GGN em 11/2/2019

Para condenar Lula por corrupção passiva pelo recebimento de vantagem indevida da Odebrecht, no caso Atibaia, a juíza Gabriela Hardt utilizou uma seleção de delações premiadas. Uma delas, feita pelo ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, indica que “provas” apresentadas à 13ª Vara Federal para “corroborar” as falas de delatores foram fabricadas ainda durante a fase de negociação com os procuradores de Curitiba.

O caso de Barusco está registrado a partir da página 133 da sentença assinada por Hardt na semana passada. O delator afirma no depoimento que produziu, “no período da minha colaboração”, uma planilha que contém, “de memória”, alguns contratos da Petrobras com a Odebrecht e os valores de propina que ele acredita que foram negociados entre a diretoria da estatal e a empreiteira.

Barusco é o delator da Lava-Jato que, pego recebendo propina por meio de off-shores (provas dos pagamentos foram obtidas por meio de cooperação internacional), acabou condenado e, depois disso, recorreu ao acordo de colaboração.

No acordo, ele confirmou a tese desenhada na Lava-Jato: metade da propina paga por empreiteiras à Diretoria de Serviços ficava com a “casa” (ou seja, com diretores da Petrobras, que recebiam em contas no exterior) e a outra metade teria sido destinada ao PT.

Durante o julgamento da ação penal envolvendo o sítio de Atibaia, o Ministério Público Federal perguntou a Barusco se ele se recordava da tabela que continha contratos de consórcios integrados pela Odebrecht, anexada aos autos como prova de sua delação.

“Sim”, respondeu Barusco, “essa planilha foi feita durante, no período da minha colaboração. Acho que foi novembro ou dezembro de 2014”, afirmou.

“E a gente tem que ver como é que eu fiz essa planilha. Eu peguei todos os documentos de contratação desses pacotes da refinaria e fui pela memória lembrando quais os que tinham havido combinação de propina ou não e fui montando a planilha”, disparou.

A juíza Hardt classificou a planilha de Barusco como “prova complementar produzida a respeito do pagamento de propina.”

Pelos trechos destacados pela magistrada, o depoimento de Barusco, ainda que validado por uma planilha, só confirma o recebimento de propina por parte do delator. Não há ligação direta com Lula ou explicação, na fala dele, sobre como o PT recebia uma parte.

Para arrastar o PT para a questão, Hardt utilizou depoimento de outros delatores, como Ricardo Pessoa, que afirma ter pago contrapartida sobre contratos com a Petrobras ao PT por meio de doações eleitorais declaradas à Justiça Eleitoral.

Quanto a Lula, Hardt supervalorizou o depoimento de Marcelo Odebrecht, que afirmou à Lava-Jato ter criado, junto com Antonio Palocci, um fundo de despesas que supostamente eram combinadas entre o ex-presidente e o patriarca da empreiteira, Emílio Odebrecht.

Movimentações desse “caixa geral de propinas”, também batizado de “conta-corrente”, foram registradas por Marcelo na chamada “planilha italiano”.

No decorrer dos processos contra Lula, a “planilha italiano” foi alvo de perícia. O relatório apontou que o documento foi aberto em 2010 e editado em 2015, também durante o andamento da Lava-Jato.

Lula foi condenado a um total de 12 anos e 11 meses de prisão no caso Atibaia. Além de corrupção passiva, Hardt enxergou crime de lavagem de dinheiro.

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JUÍZA SUBSTITUTA COPIOU TRECHOS INTEIROS DA SENTENÇA DE MORO NA NOVA CONDENAÇÃO DE LULA
Na parte em que trata da dosimetria da pena, um parágrafo inteiro é idêntico ao escrito por Moro em 2017.
Via Revista Fórum em 12/2/2019

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai apontar, no recurso contra a sua condenação no caso do sítio de Atibaia (SP), semelhanças na redação da sentença proferida pela juíza federal Gabriela Hardt com a redigida pelo então juiz Sérgio Moro no do tríplex.

Hardt alterou a ordem de trechos, mas utilizou frases e expressões idênticas àquelas utilizadas pelo hoje ministro, de acordo com os advogados.

Na parte em que trata da dosimetria da pena, um parágrafo inteiro é idêntico ao escrito por Moro em 2017.

Preso desde abril do ano passado em Curitiba pelo processo do “triplex do Guarujá”, o ex-presidente Lula foi condenado, na semana passada, a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo sobre o chamado “sítio de Atibaia”. A sentença foi proferida por Hardt, que substituiu Sérgio Moro na Lava-Jato de Curitiba.

De acordo com o Ministério Público Federal, Lula teria recebido R$1 milhão em propinas da Odebrecht, OAS e Schahin em forma de reformas em uma propriedade rural em Atibaia, no interior de São Paulo, que está em nome de Fernando Bittar. Para a força-tarefa da Lava-Jato, as reformas teriam sido feitas para adequar o sítio às necessidades de Lula, que frequentava o local com sua família.

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2 Respostas to “Prova usada contra Lula no caso Atibaia foi fabricada durante acordo de delação premiada”

  1. bloglimpinhoecheiroso Says:

    Ok. Só pra esclarecer, não há nenhum comentário seu pra ser publicado ou “censurado”.
    Seja feliz.

  2. Joanisbel Amorim Alves de oliveira Amorim Says:

    Olá Senhores, quando voltar a participação dos leitores neste Jornal, voltarei a recebe-lo.

    Joanisbel Amorim

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