Documentário mostra realidade do encontro histórico dos sem-terrinha em Brasília

Evento reuniu 1.200 estudantes “sem-terrinha” em Brasília no ano passado e levou manifesto ao MEC. Foto: Elitiel Guedes/MST.

Documentário da Brigada de Audiovisual Eduardo Coutinho, do MST, é lançado um dia após os ataques da Record e retrata a alegria de quem, desde cedo, reconhece o valor de sua história.

Cláudia Motta, via RBA em 12/02/2019

Num palco, crianças tímidas leem seus textos. Sorriso no rosto e brilho no olhar expressam o orgulho de viver um momento tão especial.

As imagens do documentário Brincar, Sorrir, Lutar! poderiam ser confundidas com a festa de final de ano em alguma grande escola. Mas as palavras que brotam dos discursos e entrevistas dizem mais sobre a realidade dos 1.200 sem-terrinha que se reuniram, no final de julho de 2018, em Brasília, para falar do seu ponto de vista da luta que ajudam a travar.

Lançado na segunda-feira [11/2], o filme tem pouco mais de 15 minutos. Menos que o tempo gasto pela Record numa reportagem que chocou pela agressividade contra o 1º Encontro Nacional das Crianças Sem-Terrinha.

Produzido pela Brigada de Audiovisual Eduardo Coutinho, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o documentário retrata os tem-terrinha como eles são. Dançar, correr, gritar, pular, brincar, cantar sem esquecer que dessa rotina faz parte a busca da terra para cultivar, com alimento saudável, sem veneno, saúde. Também entre os pedidos das crianças, elencados em manifesto ao final do encontro, mais escolas no campo, ônibus escolar, participação nas decisões dos sem-terra adultos. Os sem-terrinha querem cultivar sabedoria.

***

MST REPUDIA ATAQUE DA RECORD CONTRA AS CRIANÇAS SEM TERRINHA
“A Rede Record, ao disseminar mentiras, não leva em consideração critérios mínimos de apuração e imparcialidade, faltando, entre outras questões, com a ética jornalística”.
Via Portal do MST em 11/2/2019

Na noite de domingo [10/2], o MST recebeu com repúdio as informações veiculadas no Programa Domingo Espetacular da Rede Record de Televisão. A reportagem envolveu o Encontro das Crianças Sem-Terrinha e foi totalmente manipulada para “fortalecer o processo de criminalização de organizações populares, que lutam pela defesa de seus direitos”.

Em nota, “reafirmamos que o Encontro, realizado em parceria com a organização Aldeias Infantis SOS, uma das mais respeitadas entidades que trabalha com a infância no país, teve as autorizações dos órgãos responsáveis e respeitou todos os padrões de segurança exigidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Destacamos ainda, que todas as crianças tiveram autorização dos pais, conforme prevê a legislação, e além disso, todos os alvarás necessários foram emitidos pelos órgãos competentes, incluindo a Vara da Infância e Juventude.

A Rede Record, ao disseminar mentiras, não leva em consideração critérios mínimos de apuração e imparcialidade, faltando, entre outras questões, com a ética jornalística.”

Confira abaixo na íntegra
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra vem a público denunciar e repudiar a distorção de informações veiculadas na noite de domingo [10/2] no Programa Domingo Espetacular. A reportagem “A Polêmica dos Sem-Terrinha” tem como único objetivo manipular a opinião pública e fortalecer o processo de criminalização de organizações populares, que lutam pela defesa de seus direitos.

Em um país, em que o número de analfabetos supera a marca de 11 milhões de pessoas e que 1 a cada 5 crianças está fora da escola, nos surpreende que um Encontro Nacional de Crianças Sem-Terrinha, onde foi discutido temas como os direitos das crianças e a produção de alimentação saudável, seja classificado como doutrinário.

Reafirmamos que o Encontro, realizado em parceria com a organização Aldeias Infantis SOS, uma das mais respeitadas entidades que trabalha com a infância no país, teve as autorizações dos órgãos responsáveis e respeitou todos os padrões de segurança exigidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Destacamos ainda, que todas as crianças tiveram autorização dos pais, conforme prevê a legislação, e além disso, todos os alvarás necessários foram emitidos pelos órgãos competentes, incluindo a Vara da Infância e Juventude.

A Rede Record, ao disseminar mentiras, não leva em consideração critérios mínimos de apuração e imparcialidade, faltando, entre outras questões, com a ética jornalística.

O Artigo 6º da Constituição Federal do Brasil prevê, dentre outras coisas, o direito à educação. Nesse sentido, o MST não só luta para que esse direito seja respeitado como também trabalha cotidianamente para que nos tornemos um país mais digno e, sobretudo, menos desigual. Temos uma longa trajetória de lutas pelo acesso à educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis para as crianças, jovens e adultos.

Em toda a nossa história, foram conquistadas mais de 2 mil escolas públicas, reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC), nos acampamentos e assentamentos em todo o país, que atendem a crianças, adolescentes e adultos. Milhares de camponesas e camponeses, organizados pelo MST, tiveram acesso a alfabetização e se formaram no ensino fundamental, médio, cursos técnicos e em nível superior. Há filhos e filhas de famílias assentadas em mais de cem turmas de cursos formais e mais de 4 mil professores foram formados, a partir das lutas pela educação pública, considerada pelo Movimento enquanto um direito básico.

Enfatizamos, que enquanto movimento de luta pela terra, pela reforma agrária e pela transformação da sociedade, continuaremos defendendo os direitos e a cidadania plena para todas as pessoas, em especial aquelas que vivem no campo.

Por isso, nós não só lutamos como fomentamos a educação no país e, diante de tudo isso, exigimos não só imediato direito de resposta, como desafiamos a mesma emissora a se propor a um jornalismo sério e de qualidade que preze pelos fatos e não interesses políticos.

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
11 de fevereiro de 2019, São Paulo, SP

2 Respostas to “Documentário mostra realidade do encontro histórico dos sem-terrinha em Brasília”

  1. bloglimpinhoecheiroso Says:

    Não consigo fazer o “cancelamento” por aqui. Você tem de desativar a opção “seguir o blog”.

  2. Joanisbel Amorim Alves de oliveira Amorim Says:

    Olá Senhores, é estranho que em um Jornal Democrático seja cancelada a participação dos Leitores, o que mostra um viés: a la Judeu que são os donos de todos os veículos de telecomunicação do Brasil. Solicito o cancelamento do envio de vosso jornal até o retorno da participação dos Leitores. Este leitor já estava preparado para uma contribuição, mas com o apoio dado por este jornal ás novelas da rede Esgoto, desisti.

    Att, Joanisbel Amorim

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