Pelo Twitter, ministro da Educação agride Leonardo Boff: “Volta pra Coreia do Norte”.

Em vez de apresentar propostas e projetos, e de nomear quadros competentes para a educação brasileira, Vélez Rodríguez se envolve em picuinhas que remetem aos tempos da Guerra Fria

Via RBA em 1º2/2019

O escritor e teólogo Leonardo Boff criticou o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, em função da polêmica envolvendo o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), que teria censurado vídeos de teóricos de esquerda, como Karl Marx, Friedrich Engels e Marilena Chauí, conforme divulgou o colunista do jornal O Globo Ancelmo Gois.

Em nota, divulgada na quarta-feira [30/1], que causou espanto nas redes sociais pelo discurso que parece saído dos tempos da Guerra Fria, o MEC atacou o colunista, acusando-o de querer ludibriar seus leitores, utilizando “métodos de manipulação de informação” que seriam “próprios de organizações como a KGB, o serviço secreto do governo comunista na antiga União Soviética, que na década de 60 […] protegeu e forneceu identidade falsa para o colunista de O Globo”.

Na quinta-feira [31/1], o ministro divulgou a polêmica nota no Twitter, acrescida de uma provocação: “Até quando ficarão criando mentiras contra nós? Deixem-nos trabalhar”. Boff então criticou: “O seu trabalho é desmontar a educação com projetos estapafúrdios, negando toda a nossa tradição. Deveria voltar para sua Colômbia. O sr. não é conservador. É atrasado no dizer de S.B. (Sérgio Buarque) de Holanda. Nossos alunos/as não merecem esse castigo.”

Vélez Rodríguez baixou ainda mais o próprio nível, novamente utilizando como único argumento a paranoia anticomunista, comum nos discursos dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PSL): “Leonardo Boff, volte para a Coréia do Norte, que é o único lugar em que esse marxismo-leninismo de botequim ainda é consumido”, afirmou o ministro.

Esta não foi a única polêmica da semana envolvendo o Rodriguez. Na segunda-feira [28/1], em entrevista ao jornal Valor Econômico, o ministro afirmou que “a ideia de universidade para todos não existe” e que as vagas do ensino universitário devem ficar reservadas apenas à “elite intelectual“, sugerindo o ensino técnico para a maioria dos jovens, modalidade que, na sua visão como educador, ofereceria retornos financeiros maiores e mais imediatos.

Ele ainda ironizou formados no ensino superior que, não encontrando colocação no mercado de trabalho nas suas respectivas áreas de formação, acabam trabalhando, por exemplo, como motoristas de aplicativos de transporte individual. “Nada contra o Uber, mas esse cidadão poderia ter evitado perder seis anos estudando legislação”, se referindo a um hipotético graduado em Direito.”

Em vídeo postado nas redes sociais na mesma quarta-feira [30/1] da nota anticomunista do MEC, Rodríguez voltou a atacar a imprensa, afirmando defender uma “universidade democrática”. “Universidade, do ponto de vista da capacidade, não é para todos, somente algumas pessoas que têm desejo de estudos superiores e que se habilitam para isso entram na universidade”, disse o ministro.

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