Depois de 5 anos de Lava-Jato, Brasil atingiu sua pior colocação no ranking da corrupção

Sérgio Moro, ex-juiz da Lava-Jato e atual ministro da Justiça.

O Brasil piorou e caiu 9 posições no ranking elaborado pela organização Transparência Internacional que avalia a percepção da corrupção no setor público em 180 países. A posição atual do Brasil é a 105. Antes da operação Lava-Jato, em 2014, o Brasil estava bem melhor: na 69ª posição.

Via Vermelho em 30/1/2019

O Brasil novamente piorou sua posição no Índice de Percepção da Corrupção (IPC). No ranking mais atual (2018), ficou com a 105ª posição entre 180 países. Comparando com o ano anterior, significa uma queda de 9 posições. O país conquistou nota 35 (de 100), e ficou junto a países como Zâmbia, Peru e El Salvador.

A terceira queda anual seguida marcou o pior resultado desde 2012, quando a entidade mudou a sua metodologia e permitiu comparações. Atualmente, Jamaica, Colômbia e Suriname são alguns exemplos de países que nos ultrapassaram. Já entre os 32 países americanos, o país ocupa a 20ª posição.

Vale ressaltar que o ranking tem um claro viés ideológico. O documento avalia os países de acordo com o nível de transparência local, e as notas são dadas em uma escala de zero (altamente corrupto) a 100 (altamente íntegro). Países mais fechados, sem instrumentos de transparência ou com sistemas políticos que desagradem aos elaboradores do ranking, são jogados no final da lista.

O IPC mostra que a média global é de apenas 43 pontos. Mais de dois terços dos países ficaram com nota abaixo de 50. Apenas 20 dos 180 países tiveram progressos consideráveis. Nenhum país atingiu a nota máxima, a Dinamarca conquistou o primeiro lugar, com 88 pontos, e a Somália ficou em último com apenas 10 pontos.

Democracia × criminalização da política
A democracia é tida como o principal método para combater a corrupção.

“Nossa pesquisa estabelece uma ligação clara entre uma democracia saudável e o combate bem-sucedido à corrupção do setor público. É muito mais provável que a corrupção cresça onde os alicerces democráticos são fracos e, tal como temos visto em muitos países, onde políticos antidemocráticos e populistas capturam as instituições democráticas e as usam em seu benefício” declarou Delia Ferreira Rubio, presidente global da Transparência Internacional.

O resultado ruim no estudo acontece cinco anos após o início da Operação Lava-Jato, tida como um divisor de águas no combate à corrupção no Brasil. A entidade diz que a operação “foi crucial para romper com o histórico de impunidade da corrupção no Brasil – principalmente de réus poderosos”, mas questiona a falta de esforços da classe política para “reformas legais e institucionais que verdadeiramente alterem as condições que perpetuam a corrupção sistêmica”.

O estudo ignora, porém, que duas das principais marcas da Operação Lava-Jato foram: a criminalização da atividade política e a seletividade nas denúncias. Até atos meramente burocráticos da administração pública foram colocados sob suspeita e agentes governamentais tiveram seus nomes jogados na lama sem qualquer prova ou indício de irregularidade. Isso fez aumentar exponencialmente o sentimento popular de que país está mergulhado na corrupção. Também houve (e continua havendo) uma enxurrada de vazamentos de informações sigilosas exploradas pela imprensa com o objetivo de desgastar partidos e personalidades da política.

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