Israelenses e brasileiros não se entendem sobre resgate em Brumadinho

Força de Defesa de Israel trouxe 130 homens e equipamento de ponta para Minas Gerais, mas brasileiros dizem que material não serve para buscas na lama.

Via Metrópoles em 29/1/2019

Desde que Jair Bolsonaro (PSL) se lançou candidato à Presidência da República, ele começou a se aproximar de Israel. Antes mesmo de ser eleito, o militar reformado do Exército prometeu mudar a embaixada brasileira no país de Tel-Aviv para Jerusalém. Eleito, confirmou a intenção, sem, contudo, fixar uma data para adotar a medida. O agradecimento veio em forma de prestígio: Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro da nação do Oriente Médio, foi o primeiro líder mundial a confirmar presença na posse de Bolsonaro e, em 1º de janeiro, estava em Brasília.

Os laços de amizade entre os dois chefes de Estado fizeram ainda com que Netanyahu oferecesse ajuda ao Brasil quando a barragem do Córrego do Feijão, em Minas Gerais, rompeu na última sexta-feira [25/1]. Alegando ter equipamentos de ponta para ajudar no resgate das vítimas da tragédia ambiental, o governo israelense cedeu, além de equipamentos, cerca de 130 soldados e oficiais da Força de Defesa de Israel (IDF). Mas o trabalho entre as equipes estrangeiras e brasileiras não tem sido harmonioso.

“O objetivo principal é localizar e resgatar pessoas desaparecidas na região, portanto as equipes de busca e resgate realizarão todos os esforços necessários para tal. Teremos o auxílio de equipamentos que incluem meios avançados de localização de celulares, radares submarinos e aviões, a fim de ter maior controle da situação”, afirmou o exército israelense, quando os militares deixavam o país rumo ao Brasil.

Na noite de domingo [27/1], o avião pousou em Belo Horizonte e, nesta segunda [28/1], os israelenses seguiram para Brumadinho, cidade a pouco mais de 60 km da capital mineira e onde fica a barragem Mina do Feijão, que rompeu na sexta-feira, alagando parte da cidade e arrastando pessoas, animais e veículos. Muito aguardados, os soldados israelenses e seus equipamentos foram recebidos com festa pelos especialistas brasileiros que trabalham no local, moradores e famílias atingidas pela tragédia.

No entanto, no fim do dia, bombeiros afirmaram que os equipamentos trazidos de Israel para Brumadinho “não são efetivos para esse tipo de desastre ambiental”.

Divergência
Ao jornal Folha de S.Paulo, o comandante das operações de resgate, tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais Eduardo Ângelo, explicou o porquê de a tecnologia israelense não ajudar. “O ‘imagiador’ que eles têm pega corpos quentes, e todos os corpos [na região] são frios. Então, esse já é um equipamento ineficiente”, argumentou.

Indagado sobre como os outros equipamentos israelenses poderiam ser usados nas buscas pelas vítimas soterradas e sem vida, o comandante afirmou: “Dos equipamentos que eles trouxeram, nenhum se aplica a esse tipo de desastre”.

Em conversa com o Metrópoles, a Força de Defesa de Israel deu uma versão totalmente diferente para a atuação de sua equipe no município mineiro. “As tropas do exército [israelense] estão empregando várias técnicas de resgate ao mesmo tempo que utilizam todas as capacidades e tecnologias de resgate do Comando de Frente. Entre elas estão dispositivos de localização celular, construção de estruturas destinadas ao trabalho na água e técnicas adicionais de busca”, detalhou a porta-voz de Israel para a América Latina, Paula Frenkel.

[…]

Leia também:
Brumadinho e o desprezo pela tecnologia militar brasileira

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