Ídolo dos neoliberais, Mauricio Macri entregará Argentina mais pobre do que pegou

Presidente do país vizinho está longe de cumprir promessa eleitoral de reduzir pobreza a zero; pobres já são 33,6% da população.

Luciana Dyniewicz, via O Estado de S.Paulo em 20/1/2019

Uma das promessas de campanha de Mauricio Macri na corrida eleitoral argentina de 2015 foi “pobreza zero”. A nove meses da próxima eleição presidencial, os números estão mais distantes da meta do que antes de ele chegar à Casa Rosada. A parcela da população do país classificada como pobre passou de 29,2%, no terceiro trimestre de 2015, para 33,6% no mesmo período de 2018. (destaque nosso)

A economia argentina começou a degringolar há pouco mais de um ano, com barbeiragens na condução da política monetária, e se acentuou com o aumento da taxa básica de juros nos Estados Unidos, que tornou os títulos norte-americanos mais atraentes para os investidores e os papéis de países emergentes, menos interessantes.

O efeito acabou sendo sentido em toda Argentina e, na comunidade de Los Piletones, uma das mais pobres de Buenos Aires, o resultado foi um aumento de 20% na demanda por comida no restaurante popular e redução de 30% nas doações que o sustentam. O estabelecimento oferece almoço e jantar de graça. É só entrar na fila.

[…]

O sociólogo Juan Ignacio Bonfiglio, da Universidade Católica da Argentina, responsável pelos indicadores de pobreza, afirma que o número de pobres no país possivelmente cresceu ainda mais no fim de 2018, em decorrência da inflação acelerada e da consequente perda de poder de compra do trabalhador. Um alívio, entretanto, é esperado para os próximos meses, com os reajustes salariais. “Mas provavelmente não voltaremos à situação de 2017”, diz. “O nível de incertezas é elevado, mas não há um cenário para uma melhora significativa.”

Em 2017, quando o PIB avançou 2,9%, a pobreza retrocedeu 4,1%. Para este ano, porém, a projeção é de queda na economia e, ainda que haja um recuo na pobreza da mesma magnitude de 2017, ela continuará mais alta do que era antes de Macri assumir.

Segundo o economista Andrés Borenstein, do BTG na Argentina, a queda do PIB deve começar a se desacelerar nos próximos meses, sobretudo com a ajuda do setor energético e a recuperação da produção agrícola. No ano passado, uma seca recorde dizimou a colheita. A projeção para a economia neste ano ainda é de retração, de 1% a 1,5%, mas acompanhada de uma inflação mais moderada, de 25%. Em 2018, a desvalorização do peso em mais de 50% e a retirada de subsídios governamentais de serviços como transporte e energia fizeram com que a inflação chegasse a 47,6%, a maior desde 1991. Esse panorama econômico – estimativas apontam para queda de 2,6% no PIB em 2018 – levou a oposição a apelidar a recessão de “Macrisis”.

Para Borenstein, no entanto, não é possível afirmar que o ajuste gradual adotado por Macri seja o grande responsável pela crise. Há economistas que apontam que o problema dos déficits fiscal e corrente (que engloba comércio internacional e movimentação de rendas) fez os investidores fugirem do país assim que a taxa de juros aumentou nos EUA. “Não havia respaldo político para ir mais rápido”, diz o economista. “Macri teve também azar por causa da seca e do endurecimento do mercado internacional.”

Borenstein questiona, porém, se o Banco Central não foi amistoso demais com as metas da inflação. No fim de 2017, a autoridade monetária relaxou a meta para a inflação de 2018 de 10% para 15%, o que levou o mercado a entender que o ajuste não seria mais uma prioridade.

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