Formação de quadrilha: Um novo indício de que o clã dos Bolsonaro tem informação privilegiada no caso Queiroz

Via Jornal GGN em 17/1/2019

A quinta-feira [17/1], tumultuada pela notícia de que o Supremo Tribunal Federal suspendeu a investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro contra Fabrício Queiroz, termina com um novo indício de que o clã Bolsonaro tem informações privilegiadas a respeito do caso envolvendo o Coaf.

Este segundo indício soa mais grave que o primeiro, pois sugere que Jair Bolsonaro fez uso das informações no cargo de presidente da República, com o Coaf já sob o guarda-chuva de Sérgio Moro.

Nesta quinta, a defesa de Flávio ganhou do Supremo uma liminar para paralisar a investigação contra Queiroz no Rio. Mas o pedido integral vai além da suspensão. O que os advogados do senador pretendem é anular as provas obtidas junto ao Coaf. Isto porque, segundo eles, houve quebra de sigilo fiscal e bancário de Flávio – que passou a se considerar “objeto de investigação” – sem autorização judicial.

De acordo com nota divulgada na noite de hoje, a defesa “descobriu” que Flávio vinha sendo investigado pelo MP do Rio quando teve acesso aos autos da investigação contra Queiroz.

Pelo que se tem notícia, o acesso só foi solicitado no dia 10 de janeiro, dia em que Flávio comunicou oficialmente, e nas redes sociais, que não iria comparecer ao depoimento marcado com os promotores, sob o pretexto de que não era, até então, investigado, e de que não tinha conhecimento de todos os fatos em apuração.

Só que, uma semana antes disso, no dia 3 de janeiro, já no cargo de presidente, Jair Bolsonaro disse em rede nacional, durante entrevista ao SBT, que Queiroz teve sigilos bancário e fiscal quebrados irregularmente a pedido do MPE/RJ.

Como Bolsonaro teve conhecimento disso, se a investigação tramitava (e ainda tramita) sob segredo de Justiça?

O argumento da suposta arbitrariedade, agora abraçado pela defesa de Flávio no STF, está em posse dos Bolsonaro ao menos desde o início do mandato presidencial.

Antes da entrevista do dia 3, nenhuma informação fora publicada a respeito de qualquer reclamação, por parte da defesa de Queiroz, quanto a eventuais arbitrariedades. Bolsonaro foi o responsável por trazer a novidade à tona.

No dia seguinte à entrevista, parte da imprensa, aliás, se dedicou a desmontar a fala de Bolsonaro, explicando que o Coaf não precisa de aval de um juiz para fazer análises em contas bancárias delatadas por instituições financeiras – que seria o caso de Queiroz.

O primeiro indício de vazamento
Quando o caso Coaf pipocou na mídia, veio acompanhado do primeiro indício de que os Bolsonaro foram avisados da investigação ainda durante a corrida presidencial.

Queiroz foi exonerado do gabinete de Flávio Bolsonaro no dia 15 de outubro. No mesmo dia, a filha, Nathália Queiroz, foi demitida do gabinete de Jair, em Brasília. Coincidência?

Dois dias depois da exoneração, a operação Furna da Onça, do Ministério Público Federal, pediu autorização para uma operação na Assembleia do Rio, que culminou na prisão de uma dezena de parlamentares e assessores. A equipe e o então deputado do PSL foram poupados.

Deputados do PT, à época, chegaram a cobrar providências da Polícia Federal e disseram que era evidente que houve vazamento de informações da Furna da Onça para a família presidencial.

Chamou atenção, ainda, o fato de que o MPF estava em posse das informações sobre Queiroz e o repasse de R$24 mil à Michelle Bolsonaro, mas não fez nada a respeito. O MPE do Rio só entrou em cena depois que a imprensa passou a perguntar se Flávio e o ex-motorista estavam sob investigação.

Surpresos, ministros do Supremo disseram em off, ao G1, que a estratégia de Flávio era suicida, porque agora Michelle e até Jair Bolsonaro podem ser investigados pelo elo com Queiroz.

Mas até o momento, as defesas de Queiroz e Flávio não se mostraram de movimentos impulsivos.

A conferir.

***

COMO FLÁVIO BOLSONARO LIQUIDOU COM O JOGO DE CENA DO STF
Luis Nassif em 18/1/2019

Quando assume um novo presidente, o prazo e carência, perante a opinião pública, costuma ser de 6 meses. Jair Bolsonaro está a caminho de quebrar um recorde. Poucas vezes se viu uma família tão despreparada na arte de se tornar vidraça.

É evidente que, com mais de vinte anos frequentando o baixo clero, Bolsonaro se lambuzou com muitas práticas comuns à sua turma – que estão longe de alta corrupção, mas muito perto da noção de corrupção dos baixos eleitores. E também de seu maior avalista, as Forças Armadas.

A maneira como os Bolsonaro se enredaram no caso do motorista Queiroz caminha para se tornar um clássico na galeria das trapalhadas políticas.

São uns completos sem-noção.

O STF (Supremo Tribunal Federal), através de Dias Toffoli, e a Procuradoria Geral da República, com Raquel Dodge, montaram um jogo complexo, para manter a aparência de autonomia, na quadra atual de democracia monitorada. Eles estavam recuando, não tão lentamente, que parecesse provocação, nem tão rapidamente, que parecesse pânico.

Ao apelar ao STF para interromper as investigações, Flávio Bolsonaro desmonta o castelo de cartas, obrigando o ex-implacável ministro Luiz Fux a “matar no peito” e, por conta do foro, a jogar a bomba no colo da PGR Raquel Dodge.

Se não enfrentar o caso Flávio Bolsonaro, depois da perseguição feroz ao ex-presidente Lula, só restará ao STF e à PGR fechar as portas da casa e entregar a chave para o Forte Apache.

Aliás, a opinião pública está sequiosa para ouvir os ensinamentos do ministro Luis Roberto Barroso, um dos principais patrocinadores dessa refundação do Brasil, que jogou o país nos braços dos Bolsonaro.

O episódio enfraquece também os álibis do ministro Sérgio Moro, de que as concessões populistas são relevantes para se aprovar as tais reformas estruturais – explicitando cada vez mais suas motivações políticas.

Na entrevista à GloboNews, Moro fez uma defesa eloquente (dentro dos limites de sua eloquência) da maneira como foi montado o Ministério, “sem concessões políticas”. No dia seguinte, a imprensa revela que o ministro do Meio Ambiente conseguiu mais que dobrar o patrimônio no curto período de vida pública, simplesmente comprando um apartamento por R$2 milhões, reformando e dividindo por dois apartamentos, de R$4 milhões cada, mostrando um tino comercial de dar inveja ao comércio de carros de Queiroz.

Mesmo com o voo de galinha que se prenuncia, haverá o desafogo com certo otimismo inicial com a economia, enquanto o ministro Paulo Guedes vai empinando as pipas das tais reformas – as “balas de prata” que resolverão imediatamente todos os problemas nacionais.

Como me dizia ontem um experiente alto funcionário público, Guedes está praticando a estratégia empresarial onde deveria existir a estratégia política.

Explicando: nas negociações empresariais, a lógica é começar pedindo muito para se chegar a um meio termo. Nas negociações políticas, se o negociador começa propondo muito, qualquer resultado inferior – mesmo que positivo – será interpretado como derrota.

Além disso, Guedes não tem a dimensão, nem o pragmatismo, de seu guru maior, Roberto Campos. Campos tornou-se um ideólogo radical depois que se aposentou da vida pública. Enquanto ministro, movia-se por pragmatismo, por buscar soluções para problemas. Jamais abriria mão de uma instituição como o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).

Guedes, não. É partidário tardio da teoria do choque aplicado no Chile de Pinochet. Ou seja, aproveite tempos de desacertos para impor mudanças de cunho ideológico, que não seriam aceitas em tempos de normalidade.

É por isso que, com o país necessitando urgentemente de retomar os investimentos em infraestrutura, esvazia o BNDES, criminaliza suas operações, visando viabilizar as debêntures de infraestrutura – aumentando o custo do capital, sem ter a menor segurança sobre a capacidade do mercado em prover fundos.

O grande problema é que, depois da sova de realidade que receber, não terá mais cacife para as mudanças de rumo que se fizerem necessárias.

***

FUX COLOCA FLÁVIO BOLSONARO NO OLHO DO FURACÃO
Via Estadão em 18/1/2019

A defesa de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, foi surpreendida com a decisão do ministro Luiz Fux de suspender a investigação que envolve seu cliente. O advogado Paulo Klein soube da decisão pelo Estado.

Pessoas próximas a Queiroz avaliam que o despacho de Fux tira o ex-assessor e coloca o senador eleito Flávio no olho do furacão. Um ministro do STF ironiza, em referência ao caso Collor: “O motorista chegou cedo.” Na Corte, a decisão foi reprovada.

Hugo Mendes Plutarco, o advogado que impetrou a reclamação para suspender as investigações contra Flávio Bolsonaro, teve entre seus clientes o ex-ministro petista Aloizio Mercadante.

Uma resposta to “Formação de quadrilha: Um novo indício de que o clã dos Bolsonaro tem informação privilegiada no caso Queiroz”

  1. Moacyr medeiros alves Says:

    Aonde foi que amarrei minha égua?
    Agora não é só um, são vários que esse povo irresponsável elegeu; uma família inteira?
    Isso só pode ser coisa do capeta!

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