Venezuela: 94 delegações internacionais compareceram à posse de Nicolas Maduro

Nicolas Maduro durante a cerimônia de posse para seu segundo mandato presidencial, na Suprema Corte de Caracas, Venezuela. Foto: Yuri Cortez/AFP em 10/1/2019.

Via Causa Operária em 10/1/2019

Na tarde de quinta-feira [10/1], 94 delegações internacionais participaram da cerimônia de posse do presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, que inicia seu segundo mandato enfrentando as pressões do imperialismo e de seus regimes fantoches na América Latina.

Estiveram presentes os presidentes de Cuba, Miguel Díaz-Canel; da Bolívia, Evo Morales; da Nicarágua, Daniel Ortega; de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén e da Ossétia do Sul, Anatoli Bibilov.

Além disso, também compareceram o primeiro-ministro de Belarus, o vice-presidente da Turquia, o secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), o embaixador da Liga Árabe no Brasil, o ministro da Agricultura da China, o vice-presidente da Câmara Alta do Parlamento russo e o ministro da Defesa do Irã.

Também estiveram presentes membros de outras delegações da América Latina, como Uruguai, México, Granada, Antigua e Barbuda e São Cristóvão e Neves, além do presidente da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC).

O presidente do Movimento dos Países Não-Alinhados (MNOAL) e representantes de diversos países árabes e africanos também marcaram presença na posse de Maduro.

Do Brasil, estiveram na posse a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, e o líder do MST, João Pedro Stédile.

O governo de Maduro é reconhecido por dezenas de países do mundo, incluindo alguns dos mais importantes na geopolítica mundial, como China, Rússia e Irã. A imprensa capitalista ecoa a propaganda do imperialismo de que o governo Maduro não é reconhecido por ninguém, apenas porque seus patrões dos EUA não reconhecem e obrigam seus vassalos como o governo golpista de Bolsonaro a seguirem sua política.

De fato, a China, por exemplo, enviou um representante mais importante para a posse de Maduro do que enviou para a de Bolsonaro, quando veio o vice-presidente do Parlamento.

Na posse de Bolsonaro, compareceram somente representantes de governos golpistas, de extrema-direita e capachos do imperialismo, com exceção de Evo Morales. Na posse de Maduro, foram os representantes de governos minimamente nacionalistas, soberanos e anti-imperialistas, demonstrando um nível maior no que responde à luta de classe a escala mundial.

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MADURO TOMA POSSE E AFIRMA QUE EXTREMA-DIREITA VENEZUELANA “INFECTOU” O CONTINENTE
Em meio a ameaças de boicotes, governo é reconduzido. Para professor da UFABC, Maduro tem “conduta reprovável” em várias frentes, mas sua legitimidade não pode ser contestada.
Via RBA em 10/1/2019

O presidente reeleito da Venezuela, Nicolas Maduro, toma posse na tarde da quinta-feira [10/1], em Caracas. Vencedor das eleições realizadas em maio do ano passado com quase 70% dos votos, ele chefia a nação desde 2013, como sucessor de Hugo Chavez. Maduro afirmou que seu governo é democrático e acusou parte da oposição, a extrema-direita, de ser golpista e de ter “infectado o continente”. Como exemplo disso, citou a ascensão de Jair Bolsonaro (PSL) no Brasil.

Bolsonaro declarou não reconhecer o resultado das eleições, bem como outros países liderados pela direita no continente. Na última semana, o Brasil, aliado a 13 nações de tal orientação ideológica, se encontraram em um foro chamado Grupo de Lima. Lá, decidiram não reconhecer o governo de Maduro, além de indicar uma série de medidas, ameaçando o país de boicotes.

A Venezuela passa por uma grave crise política e econômica. O professor da Universidade Federal do ABC Gilberto Maringoni afirma em texto em sua rede social que parte da responsabilidade pela situação crítica é de Maduro. “É difícil apoiar o governo Maduro, tamanha é sua incompetência e conduta reprovável em várias frentes”, observa.

O professor pondera, porém, que a legitimidade de seu governo não pode ser contestada e que não há na Venezuela alternativa a Nicolas Maduro dentro do campo democrático. Para Maringoni, o país vizinho é parte de uma estratégia geopolítica que envolve diretamente interesses políticos e econômicos norte-americanos.

“As pressões por sua queda se originam na cobiça de Washington pelas reservas petrolíferas venezuelanas (as maiores do mudo) e por forças políticas internas que combinam obscurantismo, autoritarismo e submissão ao Império”, explica. “Não é possível contestar a posse de Nicolas Maduro sem jogar água no moinho do outro lado.”

A atitude do presidente brasileiro de boicotar Maduro foi criticada pelo PT, que enviou a presidenta da legenda, a senadora Gleisi Hoffmann, ao ato solene. O partido vê em Bolsonaro uma agenda de submissão aos Estados Unidos. “A posição do governo autoritário de apoiar a política de Donald Trump (presidente dos EUA) em relação à Venezuela visa a desestabilizar o governo daquele país e acirrar seu conflito interno”, afirma a legenda em nota.

As eleições venezuelanas foram boicotadas por parte da oposição, além de não ter contado com auditoria internacional, o que motiva as críticas. O presidente é reconhecido pela Suprema Corte venezuelana, mas não pela Assembleia Nacional.

Para o PT, o não reconhecimento do governo de Maduro incita um golpe de Estado no país, contrariando “as mais altas tradições da diplomacia brasileira que, atendendo aos princípios constitucionais de não-intervenção e da solução pacífica das controvérsias, sempre apostou no diálogo e na negociação como únicas formas de resolver o conflito interno daquele país irmão”.

Países como Bolívia, Cuba, China, Turquia e México enviaram representantes de Estado para a posse de Maduro. Gleisi divulgou uma nota apontando alguns motivos para sua presença, além dos já citados pela legenda. Entre eles, a oposição a uma “postura belicista da Casa Branca”, e o reconhecimento do “voto popular pelo qual Maduro foi eleito, conforme regras constitucionais vigentes, enfrentando candidaturas legítimas da oposição democrática”.

Nas urnas, Maduro derrotou seu opositor Henri Falcón. O governo acusa os setores que boicotaram o pleito de serem golpistas e não aceitarem o resultado da vontade da maioria.

Discurso de posse
Em um longo discurso, Maduro reafirmou que “a Venezuela é uma democracia radical e participativa, com o povo atuando nas decisões econômicas e políticas.” Ele disse que sua origem é “a escola da luta sindical da classe trabalhadora e honesta que luta por seus direitos econômicos e sociais. Uma escola que não é a das ditaduras nem do imperialismo. Uma escola que não é de gorilas ditadores, dominadores imperialistas. Uma escola que segue as lutas sociais, assembleias de bairro e de estudantes.”

Ao criticar a oposição mais radical, o presidente lamentou que, em sua visão, ela tenha se espalhado pelo continente. Em um momento de reflexão de seu discurso, disse: “Já me perguntei quem sou frente a tantos ataques brutais de uma direita extremista e fascista. A extrema-direita venezuelana infectou a América Latina, o que resultou no governo fascista de Jair Bolsonaro no Brasil.”

“Conversando com um amigo brasileiro, lembramos que dizíamos que era exagero chamar a direita venezuelana de fascista. Mas sabíamos que tínhamos de ter cuidado para que ela não contaminasse a direita democrática do continente com ideias fascistas”, completou.

Maduro fez um apelo ao diálogo entre as nações do continente, sem intervencionismo. Chamou o Grupo de Lima de cartel, e agradeceu o apoio de China e Rússia. “O cartel de Lima mandou um documento ofensivo e violatório. Intervencionista. O cartel da direita agride o direito internacional. Cartel, porque ataca um país pacífico. Esses governos de direita querem nos dar ordens do que fazer dentro da Venezuela, como se fossemos colonizados. Atuam de maneira grosseira e insultam nosso país”, disse.

Por fim, pediu a revisão do tratado, ameaçando inclusive pegar em armas, se necessário. “Peço que retifiquem em 48h se não, não resta outro caminho senão uma resposta firme às agressões. Peço união cívica e militar para defender os sagrados interesses de nosso país. Não podemos deixar que a extrema-direita destrua a união do continente que estava sendo criada. Que escutem a Venezuela, a diplomacia e a paz para retomarmos o caminho da cooperação.

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