Promoção do filho de Mourão causa revolta entre funcionários do Banco do Brasil, até mesmo nos bolsonaristas

A MERITOCRACIA DO GOVERNO MILITAR JÁ ESTÁ EM VIGOR
Carlos Fernandes, via DCM em 8/1/2019

A “nova era” no Brasil já começou. A tão alardeada moralidade na coisa pública já experimenta práticas administrativas jamais vistas antes nessa República.

Nepotismo, cabides de empregos e incompetentes ocupando altos cargos da administração são coisas do “passado comunista que destruiu o país” e que agora finalmente deram lugar à excelência técnica para o seu devido provimento.

Obviamente, nada poderia estar mais errado. Essas são as mesmas crenças que embalam os idiotas úteis que acreditam no kit gay e no Jesus subindo um pé de goiaba.

E olha que não foi preciso mais do que uma semana de governo Bolsonaro para que toda essa farsa fosse jogada à mesma lama em que chafurdam os hipócritas de plantão.

Didático mesmo é o fato de que essa ladainha tenha caído mais uma vez por terra justamente através daqueles em que mais se esperavam as práticas dos ditos rigores e disciplinas militares.

Como não poderia ser diferente, caiu como uma bomba a notícia da nomeação do filho do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, para o excelentíssimo cargo de Assessor da Presidência do Banco do Brasil.

Antônio Hamilton Roussel Mourão, “coincidentemente” na mesma data da posse do novo presidente do BB, Rubem Novaes, protagonizou a maior e mais meteórica ascensão profissional já presenciada nos quadros da instituição financeira.

Atropelando um sem número de profissionais mais antigos, mais capacitados e com cargos infinitamente mais importantes que o seu, o rebento chegou do dia para a noite a um patamar profissional cobiçado não só por velhos funcionários de carreira do próprio banco como por profissionais badalados do mercado, já que para esse nível funcional o estatuto prevê a possibilidade de contratação fora de seus quadros.

Enquanto os funcionários das agências estão sendo diariamente massacrados com metas absurdas e outros (inclusive iluminados apoiadores do atual governo) perdem os seus cargos em função do enxugamento da máquina, o prodígio Antônio Mourão praticamente triplica o seu salário sem ter que levantar um único dedo.

Aliás, o rapaz agora já pode ostentar o seu ingresso no seleto grupo de brasileiros que ganham acima dos R$30 mil.

A coisa toda é um escárnio.

A revolta que se instalou em todo o corpo funcional invadiu a discussão nas áreas de debates da intranet do banco. A justificativa oficial da instituição para tamanha benesse ao filho do vice-rei é uma contradição em si quando comparado ao nomeado. Dizem eles:

“A nomeação ocorreu de acordo com o estatuto social do Banco. Os cargos de confiança da Presidência são preenchidos por funcionários do mercado ou de carreira do BB, com a análise da competência e experiência necessárias para o assessoramento do presidente do BB.”

A justificativa oficial da instituição para tamanha benesse ao filho do vice-rei só não é mais grosseira do que a justificativa do próprio Mourão, o pai.

Segundo o general, a nomeação do filho se justificava porque ele já havia sido “perseguido” anteriormente. Além disso, ainda segundo o pai coruja, o filho é “qualificado”, todo o resto, diz, “é fofoca”.

É simplesmente inacreditável o deboche com que estão tratando o assunto.

Para quem jurava que nas forças militares, e por conseguinte num governo militar, todo mundo, sem exceção, precisava lavar o chão do banheiro para só depois, com competência, ir subindo de posição, deu literalmente com a cara no vaso sanitário.

Mourão filho, tanto quanto os Bolsonaros filhos, são as provas maiores que a meritocracia do novo governo é fundada em dois grandes pilares: QI (o famoso “quem indica”) e, claro, o berço.

Como se vê, o Brasil finalmente está livre do socialismo e das grandes mamatas nas empresas públicas.

O que entrou em vigor a partir do 1º de janeiro de 2019 é outra coisa. Muito mais alinhada com quem se sente feliz em ser feito de imbecil.

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“ACABOU A MAMATA”: FILHO DE MOURÃO VIRA ASSESSOR DO PRESIDENTE DO BANCO DO BRASIL E TRIPLICA SALÁRIO
Via Jornal GGN em 8/1/2019

Antônio Hamilton Rossell Mourão, filho do vice-presidente Hamilton Mourão, foi promovido a assessor especial do presidente do Banco do Brasil e terá o salário mais que triplicado, segundo informações da Folha de S.Paulo da terça [8/1].

Rossell é funcionário de carreira do banco há 18 anos. Há 11 anos ocupa a mesma função como assessor da área de agronegócio, e para isso ganhava R$12 mil. Agora, receberá R$36,3 mil por mês para exercer a “mesma função”, segundo apurou a Folha, mas lotado no gabinete da Presidência, assessorando diretamente Rubem Novaes.

Mourão compareceu na posse de Novaes como presidente do BB – mas não comparecer à posse de outros dirigentes de bancos públicos.

O jornal observou que “a forma como o filho de subiu na carreira foi considerada inusual por funcionários. A ascensão, segundo eles, costuma ser progressiva.”

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Bolsominion quase arrependido

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