Bolsonaro usa redes sociais como quem atira titica no ventilador

É chocante o amontoado de bobagens postadas para alimentar os fanáticos.

Ranier Bragon em 8/1/2019

Quatro dias depois de desfilar de Rolls-Royce por Brasília, Jair Bolsonaro achou por bem tirar uma folguinha. Ao que consta, passou o sábado e o domingo na aprazível Granja do Torto chupando mangas e plantando abobrinhas na internet.

Chega a ser chocante acompanhar suas manifestações nas redes sociais. Por mais que se queira manter em polvorosa a turba que acredita na existência de globalismo, ideologia de gênero, Olavo de Carvalho, essas coisas, não dá para acreditar que um presidente da República ocupe seu tempo dessa forma.

As mangas, até dá para entender. Mas como conviver com o vídeo que ele divulgou de um homem algemado que quebra o vidro da viatura e se joga para fora do carro? Para o presidente, prova cabal de que os “meliantes se autoagridem” para convencer juízes coitadistas a soltá-los.

Como entender o compartilhamento de sites que se autodeclaram sátiras de órgãos de imprensa e de jornalistas, mas que na verdade são um obscuro conjunto de perfis que disputam o campeonato de quem puxa mais o saco do novo governo?

Como entender, ainda, o incentivo ao tuíte do novo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que sob inspiração do inspetor Clouseau descobriu que o Ibama reservou R$29 milhões para alugar carros? “Estamos em ritmo acelerado desmontando rapidamente montanhas de irregularidades”, pavoneou-se Bolsonaro.

De fato, ao percorrer rincões do país para combater os mais variados crimes ambientais, os fiscais do Ibama podiam muito bem usar coisas menos custosas, tipo velocípedes.

Bolsonaro logo apagou a fanfarrice, mas na segunda [7/1] deixou clara a intenção de abrir caixas-pretas, reais e imaginárias, na linha do mantra “se a gente não der certo, o PT volta”. Ignorar eventuais desmandos do passado certamente não é correto, o que não significa ser salutar a promoção de uma caça às bruxas política regada a alucinógeno. O presidente aparenta não ter compreendido, ainda, o tamanho da responsabilidade que tem sobre as costas.

Ranier Bragon é repórter especial em Brasília, está na Folha desde 1998. Foi correspondente em Belo Horizonte e São Luís e editor-adjunto de Poder.

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