Agora, Damares, a ministra-pastora, quer tirar aulas de ciências da escola ao refutar Darwin

Margarida Salomão em 10/1/2019

Não é teoria da evolução, mas da seleção natural. As espécies não evoluem, como que por mutação. As mais aptas é que sobrevivem, deixando as não aptas para trás.

Teorias científicas não são assim chamadas porque “são apenas teorias”. Não se trata de uma “intuição”, mas de toda uma construção feita com base em pesquisas empíricas, logo utilizando provas para sustentar as hipóteses levantadas.

Só há a ciência como a conhecemos hoje porque esta decidiu se afastar da influência da Igreja, criando a universidade como um espaço seu – sendo as escolas um fruto desse processo.

Desse modo, é tosco sugerir que as igrejas “deixaram” Darwin entrar nas escolas. Estas nunca pertenceram à fé – por mais que muitas sejam suportadas por ordens religiosas. Assim como é tosco cogitar que sejam as igrejas a definir os conteúdos escolares.

O estado continua sendo laico, assim como as escolas. Damares representa um verdadeiro risco para o país e para nossa educação. Não é cortina de fumaça. É um debate sério e que precisa ser feito com a máxima urgência.

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NÃO ADIANTA, DAMARES
Ruy Castro em 9/1/2019

Para a ministra Damares Alves, meninos devem vestir azul e meninas, rosa. Mas a vida real não é tão simples – ou simplória. Se ela leu gibis em criança ou assistiu na televisão aos filmes de certos animais famosos, talvez se surpreenda com os próximos parágrafos.

O Pato Donald, por exemplo, não é um pato, mas um marreco. E, pior, uma marreca. Seu criador, o desenhista Carl Barks, estrela dos estúdios Disney, concebeu-o sem a membrana vermelha no bico, obrigatória em patos, e deu-lhe aquele rabicho proeminente e sacolejante, típico das marrecas. Barks fez de propósito. Sabia que Donald ficaria mais interessante assim e nenhuma criança perceberia a diferença. E como descobri isso? Porque, por razões profissionais, estive há tempos no mesmo recinto com uma marreca, e alguém do seu staff – sim, a marreca tinha staff – me explicou.

Lassie, a cachorra collie que roubava as cenas de Elizabeth Taylor, era um macho chamado Pal. Já Rim-Tim-Tim, o pastor-alemão daqueles filmes de cavalaria, era originalmente um macho. Mas, um dia, morreu, e os filmes seguintes foram feitos com seus descendentes, entre os quais várias fêmeas – e alguém iria enfiar o nariz na tela para conferir?

Flipper, o consagrado golfinho da TV, era uma fêmea chamada Suzie – parece que os golfinhos machos são rebeldes, agressivos e incapazes de decorar suas falas. Falando nisto, Francis, o querido mulo falante dos filmes com Donald O’Connor nos anos 50, era uma mula chamada Judy. Mas nenhum caso é mais exemplar que o de Chita, a chimpanzé dos filmes de Tarzan interpretados por Johnny Weissmuller.

Chita era macho, como revelou em sua autobiografia, Me, Cheeta, publicada há anos. Aceitou ser fêmea nos filmes porque o cachê, em bananas, era muito bom. Mas, para se vingar, sempre que sabia estar em segundo plano numa cena, desapercebida, pegava o bilau e se masturbava. Não adianta, Damares.

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Uma resposta to “Agora, Damares, a ministra-pastora, quer tirar aulas de ciências da escola ao refutar Darwin”

  1. Geraldo Lobo Says:

    Ruy, do alto de sua sapiência, fale, converse com ela sobre sexo. Pode ser que ela seja uma enrustida e esteja querendo vender algum produto por debaixo do pano. Goiabada a gente sabe que já não é mais, quem sabe ela entende de outras cositas mais excitantes que fruta, einn?

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