Não pode ser levado a sério: Bolsonaro desiste de base norte-americana no Brasil

Via Jornal GGN em 8/1/2019

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) desistiu de prosseguir com os planos de permitir que os Estados Unidos implantem uma base militar em território brasileiro. A informação havia sido confirmada pelo próprio durante entrevista concedida na semana passada ao telejornal SBT Brasil, quando também confirmou que irá transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

Em apenas uma semana de governo, essa é a segunda vez que Bolsonaro recua. A primeira foi na decisão de subir impostos, desmentido pela equipe econômica na sexta [4/1].

A declaração a respeito da base militar norte-americana causou mal-estar entre comandantes e oficiais Exército brasileiro, segundo apuração do jornalista Igor Gielow, na Folha de S.Paulo.

No dia seguinte à exibição da entrevista do presidente ao SBT, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, confirmou a intenção do governo brasileiro, durante um encontro promovido pelo Grupo de Lima, bloco de países latino-americanos que monitoram a crise na Venezuela.

“Temos todo interesse em aumentar a cooperação com EUA em todas as áreas”, disse o chanceler a respeito do tema. Na mesma semana, em entrevista ao Estado de S.Paulo, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeu, elogiou o plano.

Segundo a Folha, a situação de descontentamento levou Azevedo e Silva, ex-membro do colegiado do Alto Comando do Exército, formado por generais quatro estrelas e hoje na reserva, a conversar com Bolsonaro, que voltou atrás.

Os militares entendem que uma base norte-americana no Brasil contraria os princípios de soberania e a Política Nacional de Defesa estabelecida na Estratégia Nacional de Defesa, aprovada em 2008 pelo então governo depois de um ano de discussões com os militares.

Outro ponto não previsto pelo novo governo é que a permissão para uma base estrangeira teria que passar por autorização do Congresso Nacional e consulta no Conselho Nacional de Defesa.

Os militares brasileiros avaliam, ainda, que a parceria com os EUA poderia causar uma nova corrida nos moldes da guerra fria, com a Rússia colocando em prática a proposta de instalar uma base na Venezuela. A China também poderia se sentir incentivada a buscar o mesmo tipo de acordo na região.

Militares da Força Aérea Brasileira também se manifestaram contra o plano de Bolsonaro, que poderia atrapalhar o acordo mediado por ela com os norte-americanos para o uso comercial da Base de Alcântara.

Origem da proposta
O cenário aponta que o governo Bolsonaro não está tão bem alinhado com o Alto Comando do Exército. Ainda, segundo a Folha, os militares acreditam que a proposta “emergiu por meio da influência familiar”, especificamente do filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL/SP), fiador na escola do Ernesto Araújo, para o cargo de ministro das Relações Exteriores, indicado pelo escritor de extrema-direita Olavo de Carvalho.

Araújo é autor de artigos que elogiaram o governo de Donald Trump como capaz de resolver a suposta guerra entre o globalismo (representado pelo marxismo, segundo o chanceler) e os valores ocidentais.

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