Proposta de Bolsonaro para base dos EUA no Brasil causou perplexidade entre militares

Via Reuters em 5/1/2019

Repercutiu mal entre os militares a sinalização do presidente Jair Bolsonaro sobre a possível instalação de uma base militar norte-americana no território brasileiro, e as Forças Armadas são contra essa possibilidade, disse à Reuters uma alta fonte militar no sábado [5/1].

A posição de Bolsonaro desagrada os militares, entre outras questões, por levantar discussões sobre a soberania nacional, de acordo com a fonte, que falou sob condição de anonimato.

“As Forças Armadas não concordam com isso”, afirmou a fonte. “Temos que ver o que realmente o presidente falou sobre isso, mas os militares são contra”.

A sinalização feita por Bolsonaro em entrevista ao SBT na quinta-feira foi mais uma demonstração do presidente da vontade de aumentar a aproximação do Brasil com os Estados Unidos.

Bolsonaro não esconde sua admiração pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e o governo brasileiro espera a confirmação de uma visita de Bolsonaro aos EUA dentro dos próximos meses.

Na entrevista ao SBT, Bolsonaro afirmou que sua aproximação com os EUA é “uma questão econômica, mas pode ser bélica também”, e disse, ao ser indagado sobre a possibilidade de instalação de uma base militar norte-americana em solo brasileiro, que “a questão física pode ser até simbólica”.

O novo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, confirmou a abertura de Bolsonaro a uma possível base dos EUA em entrevista a repórteres em Lima, na sexta-feira, após encontro de chanceleres da região sobre a crise atravessada pela Venezuela.

Segundo Araújo, Bolsonaro pode discutir a questão com Trump durante visita a Washington esperada para março, de acordo com o jornal O Estado de S.Paulo.

O Ministério da Defesa informou no sábado [5/1] à Reuters que Bolsonaro ainda não tratou do tema com o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva.

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CHANCELER TRUMPISTA CONFIRMA BASE NORTE-AMERICANA, MAS MINISTRO DA DEFESA NEGA
Via Brasil 247 em 5/1/2019

O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, afirmou na sexta-feira [4/1], durante encontro do Grupo de Lima, que o presidente Jair Bolsonaro “não exclui a possibilidade” da instalação de uma base militar norte-americana no Brasil. Segundo Araújo, caso isso aconteça, faria parte de uma “agenda mais ampla” do País com os Estados Unidos. O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva negou, numa demonstração que o Governo Bolsonaro, com apenas cinco dias de duração, está corroído por graves contradições internas.

“O presidente não exclui esse tipo de possibilidade. Temos todo interesse em aumentar a cooperação com os EUA em todas as áreas. Isso é algo que tem que ser conversado. Não haveria problema na questão de uma presença desse tipo”, afirmou Araújo, em Lima, quando questionado sobre o assunto. O Ministério da Defesa, no entanto, disse que desconhece qualquer tratativa desse tipo.

Na quinta-feira, Bolsonaro havia sido questionado sobre o tema em entrevista ao SBT e afirmou que a instalação poderia ocorrer no futuro. O presidente admitiu uma aproximação bélica com os EUA. “A questão física pode ser até simbólica”, disse Bolsonaro.

De acordo com o chanceler, o tema poderia ser discutido até março, caso Bolsonaro encontre o presidente dos EUA, Donald Trump, em viagem oficial. “(A base) seria parte de uma agenda muito mais ampla que queremos ter com EUA, que creio que os EUA querem ter conosco. Então, quando tivermos essa visita, esperamos que a tenhamos como o presidente quer, até março, haverá uma agenda que cobrirá além de cooperação e defesa, segurança, temas de comercio e economia.”

Nesta sexta, Bolsonaro voltou a se manifestar favoravelmente à instalação de uma base militar dos Estados Unidos (EUA) em território brasileiro. Defensor da aproximação diplomática e comercial com os EUA e admirador de Trump, Bolsonaro disse considerar o povo norte-americano “amigo” e vinculou um possível acordo futuro com o país a questões de segurança nacional.

Bolsonaro afirmou que existe interesse dos Estados Unidos em instalar uma nova base militar na América do Sul, dois dias depois de receber o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, em audiência reservada no Palácio do Planalto. Questionado se havia tratado do tema com autoridades norte-americanas, Bolsonaro disse apenas que países vizinhos ao Brasil estão sendo prospectados para receber a unidade militar.

“Nós temos que nos preocupar com nossa segurança, com a nossa soberania, e eu tenho o povo norte-americano como amigo”, disse Bolsonaro, depois de participar da cerimônia de transmissão do Comando da Aeronáutica, na Base Aérea de Brasília.

Contudo, a assessoria do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, informou que ele “não tem conhecimento de qualquer tratativa nesse sentido e que não tratou do tema com o presidente”. O ministério disse que não seria possível avaliar vantagens e desvantagens para as Forças Armadas brasileiras “sem ter conhecimento de possíveis condicionantes envolvendo o tema”.

Oficiais das Forças Armadas reagiram com surpresa à declaração do presidente. Eles avaliam que Bolsonaro falou em tom de especulação.

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