Pela primeira vez em uma posse de presidente, jornalistas não poderão transitar pela Esplanada

Bolsonaro profere ofensas contra jornalista.

Por imposição de Bolsonaro e sua equipe, jornalistas serão proibidos de circular pela Esplanada dos Ministérios e até mesmo realizar entrevistas com o público; mesmo credenciados, os profissionais de imprensa não poderão acompanhar a maior parte das etapas da posse e nem mesmo usar mochilas para carregar equipamentos.

Via Revista Fórum em 29/12/2018

O governo do presidente eleito Jair Bolsonaro mal começou e o trabalho da imprensa já vem sendo censurado. Nos últimos dias, a equipe do capitão da reserva anunciou uma série de restrições para jornalistas na cobertura da cerimônia de posse do dia 1º de janeiro.

Pela primeira vez desde que há eleições diretas no Brasil, jornalistas não poderão circular pela Esplanada dos Ministérios e nem mesmo realizar entrevistas com o público. O contato da imprensa com a população será limitado à Praça dos Três Poderes. Mesmo credenciados os profissionais da imprensa serão proibidos de acompanhar a maior parte das etapas da posse, que terá início pela manhã e deve se estender até o final da tarde.

As restrições não param por aí. Os jornalistas serão obrigados a se concentrar no gabinete de transição, no Centro Cultural Banco do Brasil, e todo o deslocamento deverá ser feito em ônibus do governo. Todo o trabalho será 100% monitorado pela equipe de Bolsonaro.

Repórteres e fotógrafos não poderão nem mesmo portar mochilas para carregar equipamentos, como câmeras e microfones, e nem usar capacetes ou máscaras, algo que virou praxe para manter a integridade física dos profissionais em coberturas de grande aglomeração.

Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF demonstrou preocupação com as restrições impostas. “O SJPDF apela para o bom senso e pede que a equipe envolvida na organização valorize o momento da posse – a exemplo do que ocorria ‘antigamente’ – como a consagração da democracia, em que o povo escolheu, por meio do voto, o governante que ficará no poder até 2022”, diz a nota.

Confira a íntegra.

A cinco dias da posse presidencial o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) foi surpreendido por reclamações de colegas sobre a cobertura do evento. De acordo com informações da assessoria de imprensa da equipe de transição de governo, as restrições ao público também serão aplicadas aos profissionais de imprensa escalados para trabalhar na cobertura. Entre elas, a proibição de carregar mochilas e máscaras, e de circular entre os prédios do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto.

Jornalistas necessitam de equipamentos como notebooks, carregadores, telefones celulares, bloco de anotações, canetas e, em casos mais específicos, microfones, fones de ouvido e câmeras fotográficas ou filmadoras. Diariamente esses materiais são levados em mochilas e não existe informação sobre recusa dos colegas em se submeter a detectores de metais ou máquinas de raio-x, na entrada de prédios públicos.

Sobre máscaras para gás, capacete e coletes à prova de balas, esses são alguns equipamentos de proteção individual (EPIs). Desde 2014, o Ministério Público do Trabalho recomenda o uso de EPIs por jornalistas, para evitar acidentes como o que vitimou o repórter cinematográfico Santiago Andrade. É preocupante que um evento que espera receber meio milhão de pessoas insista em descumprir uma recomendação do Ministério Público e expor profissionais a riscos desnecessários.

Outro ponto que não é novidade é que a cerimônia de posse ocorre, em diferentes momentos, em diferentes pontos da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes. Pela primeira vez, os jornalistas credenciados não poderão transitar entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, num ato claro que limita a livre atuação da imprensa. A justificativa da assessoria de imprensa é que “antigamente podia”, mas “antigamente era antigamente”.

O SJPDF apela para o bom senso e pede que a equipe envolvida na organização valorize o momento da posse – a exemplo do que ocorria “antigamente” – como a consagração da democracia, em que o povo escolheu, por meio do voto, o governante que ficará no poder até 2022. E, como toda democracia, precisa garantir o direito ao livre exercício da imprensa e a segurança dos jornalistas e radialistas envolvidos na cobertura.”

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