Com a maior reserva hídrica do planeta, Brasil quer pagar royalties de água

Usina de dessalinização Sorek, em Tel Aviv, Israel.

Rogério Maestri em 27/12/2018

Tem alguma vantagem de se ter um presidente burro? Além das piadas que ele vai gerar enquanto estiver no poder, nenhuma!

Pois a primeira grande piada é a dessalinização como solução para a falta de água no Nordeste, uma ótima piada, porém uma piada de tremendo mal gosto, pois pela primeira vez no mundo o país que de longe possui a maior reserva hídrica do mundo poderá começar a pagar royalties para outro país que o déficit hídrico é imenso.

Pois Bolsonaro, encantado pelas soluções maravilhosas da grande tecnologia do Estado de Israel em dessalinizar água do mar para o consumo de um é simplesmente uma questão de vida e morte pois o país na realidade não tem água.

O processo empregado em Israel, de osmose reversa, é um processo foi concebido por Jean-Antoine Nollet em 1748, e vem sendo pesquisado em processos industriais desde 1950 nas Universidades da Califórnia em Los Angeles e na Universidade da Flórida. Quem começa a utilizar a nível industrial foi a cidade de Cape Coral, Flórida em 1977 e atualmente produz mais de 56.000m³ de água por dia. Atualmente Israel possui as maiores plantas de dessalinização do mundo, a planta de dessalinização da empresa Sorek produz um volume de 624.000m³/dia, que resulta numa vazão de 7,22m³/s.

Mas o mais importante seria a comparação entre o custo do metro cúbico da água do adicional que a transposição implica nos custos da água em comparação com a água dessalinizada.

Supondo que o preço da água do projeto da empresa Sorek israelense fosse transferido para o Brasil, sem levar em conta os custos de royalties e lucro da própria empresa, em Israel, com todos os subsídios governamentais, com taxas de juros muito mais baixas que são cobradas em Israel (algo significativo para projetos de longo prazo) e sem outros problemas cambiais, o custo em Israel é de €0,50/m³ (dado European Investment Bank), se fizermos as mesmas considerações que foram feitas Controladoria Geral da República, de uma inadimplência de 50%, impostos de 25% e perdas de energia elétrica, somando a isto uma perda de água de no mínimo 30%, praticamente inexistente em Israel, teríamos um custo por metro cúbico de água para a Paraíba (onde o custo é mais alto) de €1,625/m³, ou seja, na taxa de hoje [25/12/2018] de R$7,23/m³, como na Paraíba a água é cobrada R$2,98, significa que sem mesmo considerar outros custos, que denominaremos custo Brasil, a mais barata água dessalinizada do mundo é no mínimo duas vezes e meia mais cara do que a água convencional e cara brasileira.

Porém há ainda algo mais sério, a total ignorância que o futuro governante brasileiro e seu ministro astronauta tem do que já ocorre no nosso país. A consultora técnica norte-americana, Dow Water Solutions, que simplesmente ajuda a expansão das redes de dessalinização para regiões longe do mar, já ajudou a instalar nada menos nada mais de 508 unidades dessalinizadoras para estados do Nordeste e Minas Gerais para água salobra (que tem um custo muito mais baixo do que água salgada do mar). Já a cidade de Fortaleza está num estágio avançado na composição de uma PPP para e instalação até 2020 uma unidade de dessalinização com a capacidade de 1m³/s.

O nosso bobo alegre presidente, junto com seu ministro astronauta, parece que nem sabem aonde é o Nordeste, e numa pirotecnia que pode custar muito caro ao país, ficam encantados com as promessas de seu novo aliado mais chegado, o governo de Israel, que simplesmente deve ter falado qualquer coisa, para quem não entende nada de nada, que eles tem a solução miraculosa, e chegam a aplicar a imensa mentira que esta água serviria para a agricultura, algo que na realidade produziria hortifrutigranjeiros com um preço no mínimo dez vezes os preços em qualquer banca de verduras em qualquer parte do Brasil.

Para quem não sabe as vantagens de ter um presidente burro, já vou avisando, exceto as piadas, nenhuma, porém as desvantagens são milhares e cada uma custando ao bolso dos brasileiros.

PS.: Até me esqueci, para esta água israelense, pagaremos royalties pelo o uso de suas membranas para a osmose inversa.

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