A patética cobertura da mídia do descanso de Bolsonaro

A lavadora de roupa ao lado serve só pra lavar dinheiro?

POR QUE, EM VEZ DE SEGUIR PATETICAMENTE BOLSONARO NA PRAIA, A MÍDIA NÃO PROCURA O QUEIROZ?
Kiko Nogueira, via DCM em 23/12/2018

Há algo de patético na interceptação, por parte da Marinha, de uma lancha de jornalistas que faziam a “cobertura” do descanso de Jair Bolsonaro na Restinga da Marambaia, no litoral do Rio de Janeiro.

A embarcação, alugada pelas equipes de reportagem, foi abordada duas vezes.

Nela estavam jornalistas da Folha, Estadão, O Globo e TV Bandeirantes.

De acordo com a Folha, primeiro estabeleceram um perímetro de segurança e depois pediram documentos e escoltaram o grupo para uma região mais distante.

A primeira pergunta é o que pode haver de tão interessante por lá. A resposta: nada.

A própria assessoria de Bolsonaro se incumbe de divulgar fotos do sujeito lavando roupa e colocando no varal.

Amanhã teremos o sujeito comendo café da manhã com pão e manteiga, de barba por fazer e Rider.

É o básico da cartilha populista do líder que é um homem comum. As fotos foram imediatamente reproduzidas em toda a imprensa.

Bolsonaro está numa área de proteção das Forças Armadas, onde vai passar o Natal com a família.

Todo o mundo sabe disso e ele mesmo estará contando nas redes.

Por que esse pessoal não vai procurar o Queiroz? Esse, sim, está sumido.

Dá mais trabalho. Mas o resultado é melhor.

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O MARKETING PESADO DO PRESIDENTE QUE LAVA A SUA PRÓPRIA ROUPA
Via Brasil 247 em 24/12/2018

As imagens se multiplicam na imprensa tradicional como verdadeiros press releases oficiais de governo. Se cobrar um centavo, a mídia hegemônica divulga a imagem pré-fabricada de um presidente-político que almeja ser “querido” pelo povo do mesmo jeito que seu inimigo mais emblemático, o ex-presidente Lula. As cenas de Bolsonaro lavando roupa chocam pela docilidade e passividade com que a imprensa trata uma óbvia estratégia de marketing. É o conluio passivo e espontâneo entre dois campos de poder que se namoram à distância, negando-se a si: bolsonarismo e mídia corporativa.

O uso das imagens cirurgicamente captadas pela assessoria do presidente eleito para dar a impressão de um cidadão de hábitos simples e modestos, em clonagem artificial e escandalosa da iconografia consagrada e histórica de Lula, impressionam também pela artificialidade e pela ostensividade.

Praticamente, a toda semana, a assessoria de Bolsonaro desova fotos supostamente espontâneas, com problemas de iluminação e enquadramento, para dar a impressão não só de uma “vida simples”, como também do “acaso” acidental do registro.

Um “acaso” que se repete com impressionante regularidade há mais um ano, quando desde então foram divulgadas fotos do ex-capitão da PM tomando café em mesa suja e sem toalha, salgando churrasco e exibindo cenários toscos de transmissões de lives para deliberadamente dar a entender que o que se tem é um cidadão simples que, não obstante, tornou-se presidente da república.

O custo de tal operação agressiva de marketing, a despeito de toda a sua precariedade aparente, não sugere algo singelo como um troco de pinga. Há profundo domínio semiótico das representações políticas nesse protocolo iconográfico casado com ações de arregimentação de “soldados” virtuais, os famosos “bots” de Bolsonaro.

A rigor, o que poder-se-ia esperar é que, ao menos, nas fotos descontraídas com o ex-assessor de seu filho Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, acusado de fazer movimentações suspeitas em contas bancárias pelo Coaf, a “leveza” simplória de um político que deseja ser popular a qualquer custo fosse também destacada pela imprensa tradicional.

Em tempo: a foto em que Bolsonaro emerge sem camisa ao lado de Fabrício Queiroz evoca a mesma simplicidade tacanha de quem consagra profunda indiferença ao contribuinte-eleitor, que gostaria de saber, afinal de contas, “onde está o Queiroz”.

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EM VÍDEO DIVULGADO PELA ASSESSORIA, BOLSONARO FAZ PIADA SOBRE EPISÓDIO DA FACADA
Na gravação, presidente eleito brincou de dar uma facada em um militar da Marinha na base da Ilha de Marambaia (RJ). Bolsonaro sofreu um atentado à faca durante a campanha eleitoral.
Via G1 em 25/12/2018

Hospedado com a família na base da Marinha na Ilha de Marambaia (RJ), o presidente eleito Jair Bolsonaro fez piada na segunda-feira [24/12] com o atentado à faca que sofreu durante o primeiro turno da campanha eleitoral. Em um vídeo divulgado por sua assessoria, Bolsonaro brinca de esfaquear um integrante da Marinha que estava assando um churrasco na base militar.

Na gravação feita durante um passeio pela Ilha de Marambaia, o presidente eleito se aproxima do militar da Marinha, o cumprimenta com um tapinha nas costas e, logo em seguida, faz graça com o tamanho da faca utilizada pelo fuzileiro naval, fingindo golpeá-lo no abdômen, mesma região em que foi esfaqueado no início de setembro por Adélio Bispo de Oliveira.

“Olha o tamanho da faca do cara. Olha o tamanho da faca do cara. Se alguém der com uma dessa aqui em você, você vai ser presidente da ONU”, diz Bolsonaro ao militar, gargalhando.

Bolsonaro viajou para a base de Marambaia para passar o Natal com a família. Ainda nesta semana ele irá para Brasília, onde será empossado presidente da República na próxima terça-feira (1º).

Em 6 de setembro, Bolsonaro levou uma facada durante um ato de campanha em Juiz de Fora, interior de Minas Gerais. O autor da facada foi preso em flagrante e confessou o crime. Adélio está preso em uma penitenciária de segurança máxima em Campo Grande (MS).

Em razão da facada, Bolsonaro ficou três semanas internado na Santa Casa, de Juiz de Fora, e no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e foi submetido a duas cirurgias. Até hoje ele utiliza uma bolsa de colostomia por conta do episódio.

Mais cedo nesta segunda-feira, o presidente eleito publicou em sua página pessoal no Facebook um banner virtual ilustrado por uma imagem do momento em que foi esfaqueado no interior de Minas Gerais. Na publicação em que deseja “Feliz Natal”, ele diz que “milagres existem” e que “juntos mudaremos o destino do Brasil”.

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