Dois pesos e duas medidas num país tutelado por golpistas

Diogo Costa, via Jornal GGN em 20/12/2018

As decisões arbitrárias dos golpistas destruíram todo e qualquer vestígio de Direito no Brasil. Está uma terra arrasada de ponta a ponta.

Há exatamente um ano, em 19 de dezembro de 2017, Gilmar Mendes despachou uma decisão monocrática, e, por óbvio, precária e em caráter liminar, através da qual proibiu, em todo o território nacional, o instituto da chamada condução coercitiva.

Carmen Lúcia, então presidenta do galinheiro, digo, do STF, não cassou a decisão de seu colega, como fez agora o infeliz Dias Toffoli, e submeteu a decisão ao plenário no ano seguinte.

Em meados de junho de 2018 o STF analisou a decisão de Gilmar Mendes e se proibiu, correta e definitivamente, a condução coercitiva. Ou seja, seis meses depois da decisão liminar.

Não se viu nenhum ministro falando em cassar a decisão de Gilmar Mendes e se fez o que se deve fazer: submeter a decisão ao plenário do Supremo, como se fazia desde sempre.

A grande desgraça desse país é que o golpe trouxe essa nefasta questão dos dois pesos e duas medidas. Em questões idênticas se define de forma diversa, de acordo com os interesses do golpe.

E é justamente por isso que estamos no fundo do poço. Se é que esse poço não pode ser ainda mais cavernoso e profundo.

O golpe de Estado de 2016 funciona assim: a lei só vale, é bom repetir, se for conveniente com os interesses dos próprios golpistas. Tem-se nitidamente o avanço da tutela militar e de motins e sublevações de juízes e promotores, todos comprometidos com uma visão neonazista de mundo.

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