Da vendedora de açaí a personal trainer, os assessores enrolados da família Bolsonaro

Personagem central de polêmica movimentação financeira, o PM Fabrício Queiroz ainda não explicou depósitos e saques.

Via O Globo em 14/12/2018

O relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que revelou movimentações financeiras suspeitas entre o ex-assessor e policial militar Fabrício Queiroz e a família do presidente eleito Jair Bolsonaro , até agora sem explicações de nenhuma das partes, é mais um episódio polêmico na lista de outros que a família do presidente eleito coleciona. O Globo identificou ao menos cinco personagens envolvidos com os Bolsonaro. Saiba quem são:

Fachada do estabelecimento onde funciona a Wal Açaí, na Vila Histórica de Mambucaba, a 50 km de Angra dos Reis, no litoral fluminense. Foto: Reprodução / Divinews.

Wal Açaí, a fantasma
Durante a campanha eleitoral, o Ministério Público Federal estudou abrir investigação contra o então candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro , por suspeita de improbidade administrativa envolvendo a contratação de sua ex-secretária parlamentar Walderice Santos da Conceição, flagrada pelo jornal Folha de S.Paulo vendendo açaí na Vila Histórica de Mambucaba, a 50 km de Angra dos Reis, no litoral fluminense, durante o horário de expediente.

No primeiro debate entre os presidenciáveis, realizado pela TV Bandeirantes no dia 9 de agosto Bolsonaro foi perguntando pelo candidato do PSOL Guilherme Boulos sobre quem era “Wal”. O candidato do PSL negou que Walderice fosse funcionária-fantasma e respondeu a Boulos que ela sempre prestou serviço em Mambucaba, onde ele tem casa de veraneio.

A reportagem da Folha, então, retornou ao local após o debate e revelou que Wal continuava na região vendendo açaí no horário em que deveria dar expediente na Câmara. Ela acabou pedindo demissão após o episódio. Walderice figurava desde 2003 como um dos 14 funcionários do gabinete de Bolsonaro na Câmara e vinha recebendo uma remuneração bruta de R$1.416, 33, segundo o site da Câmara. O site também indica que ela recebeu R$982,29 a título de “auxílios”, não especificados em julho deste ano.

Após Wal ser flagrada novamente vendendo açaí, o candidato do PSL afirmou que Walderice da Conceição trabalhava para ele recebendo demandas da região de Angra dos Reis (RJ), mas decidiu sair para evitar “desgaste”.

Tércio ao lado de Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução / Facebook.

Tércio, o produtor
Assessor pessoal de Jair Bolsonaro (PSL) durante toda a pré-campanha, Tércio Arnaud Tomaz, dono de ao menos uma página de apoio ao capitão da reserva no Facebook, além de outra no Instagram, recebe salário da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro desde dezembro de 2017 sem trabalhar de fato no legislativo carioca.

Tércio foi nomeado para o cargo de auxiliar de gabinete, com salário de R$3.641, pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSL), filho do presidenciável. A função do assessor, no entanto, é acompanhar Jair Bolsonaro para a produção de vídeos e postagens do candidato do PSL em redes sociais.

Na terça-feira, 7 de agosto, a reportagem de O Globo entrou em contato com o gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal. Um funcionário informou que Tércio não costuma cumprir expediente no local. Outras duas fontes próximas a Bolsonaro confirmaram a informação.

Tércio continua como auxiliar de Carlos, mas hoje em dia é apresentado formalmente como integrante da equipe de comunicação do presidente eleito e exerce funções como divulgação de agenda e material multimídia de Bolsonaro.

Fabrício Queiroz foi assessor de Flávio Bolsonaro por mais de dez anos.

Queiroz, o amigo da família
A conta bancária de Fabrício Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), recebeu depósitos mensais de valores idênticos ou semelhantes feitos sempre nas mesmas agências bancárias e em dinheiro vivo, mostra um cruzamento de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) feito por O Globo. Somadas, as operações repetidas chegam a R$55,5 mil entre janeiro e dezembro de 2016.

O relatório do Coaf apontou movimentações suspeitas feitas por servidores e ex-servidores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Por si só, não configuram um ilícito. Porém, a documentação foi anexada pela força-tarefa da Lava-Jato do Rio na ação da Operação Furna da Onça, que prendeu sete deputados estaduais em novembro.

O Globo revelou que Queiroz mora em uma casa , em um beco de um local simples na Taquara, na Zona Oeste do Rio.

A personal trainer Nathalia Queiroz em foto publicada nas redes com a atriz. Giovanna Lancellotti. Foto: Reprodução.

Nathalia, a personal trainer
Filha do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Nathalia Queiroz também apareceu na lista do Coaf; personal trainer de celebridades, assim como o pai, ela foi exonerada do gabinete de Jair Bolsonaro em 15 de outubro, entre o primeiro e o 2º turno das eleições.

No mês de dezembro de 2016, Nathalia ingressou na Câmara dos Deputados, em Brasília, como secretária parlamentar do então deputado federal Jair Bolsonaro. Em janeiro de 2017, seu salário líquido foi de R$8.752,58. Menos, portanto, que os R$9.207, líquidos que teria recebido como última remuneração na Alerj, conforme informou Lauro Jardim.

O ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), o tenente-coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro Wellington Sérvulo Romano da Silva.

Enquanto isso em Portugal…
Outro ex-assessor parlamentar do deputado estadual, o tenente-coronel da Polícia Militar do Rio Wellington Sérvulo Romano da Silva, de 48 anos, também é suspeito de irregularidades. Ele passou 248 dias fora do Brasil durante o período de um ano e quatro meses em que trabalhou para o filho do presidente eleito e, ainda assim, recebeu os salários e as gratificações.

De acordo com a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Sérvulo Romano da Silva não tirou licença no período em que trabalhou na Casa. As informações foram reveladas pelo Jornal Nacional.

O ex-assessor é um dos servidores que transferiram recursos para Fabrício de Queiroz, ex-motorista de Flávio que, segundo relatório do Coaf, teve movimentação atípica de R$1,2 milhão entre janeiro de 2016 e o mesmo mês de 2017. O documento aponta que Sérvulo fez uma transferência de R$1,5 mil para Queiroz.

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