Jair e Flávio Bolsonaro exoneraram assessores dias antes de batida policial

Via Jornal GGN em 11/12/2018

Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro exoneraram dois funcionários ligados a transações financeiras suspeitas analisadas Coaf apenas poucos dias antes da batida policial que ocorreu na Operação Furna na Onça, do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro. O dado, divulgado pelo G1 no dia 7 passado e reafirmado em edição do El País da terça [11/12], coloca em xeque parte da explicação de Flávio sobre o ex-assessor Fabrício Queiroz, que movimentou R$1,2 milhão em 2016 sem ter renda nem patrimônio compatíveis com os recursos.

À imprensa, Flávio admitiu que conhece Fabrício, seu ex-motorista e ex-segurança pessoal na Alerj, há pelo menos uma década. E disse também que foi Fabrício quem pediu a exoneração de seu gabinete em outubro passado, com a desculpa de que queria se dedicar à reforma da Polícia Militar – o ex-assessor é sargento da PM.

Mas Fabrício foi exonerado no dia 15 de outubro e, no mesmo dia, Jair Bolsonaro, coincidentemente, também mandou embora de seu gabinete a assessora parlamentar Nathália Melo de Queiroz, que é filha de Fabrício.

Nathália trabalhava com o hoje presidente eleito desde dezembro de 2016. Antes disso, de 2007 a 2016, era funcionária de Flávio Bolsonaro.

Segundo o G1, o Coaf não deixou claro os recursos individuais transferidos entre Nathália e Fabrício na conta investigada, mas ao lado do nome dela aparece o valor de R$84 mil.

De acordo com o El País, a exoneração dos dois ex-assessores se deu 2 dias antes de a Procuradoria da República ingressar com os pedidos de prisão da Operação Furna da Onça. A batida policial que levou à prisão deputados da Assembleia do Rio e assessores ocorreu no dia 8 de novembro.

O GGN mostrou aqui que os assessores que foram presos na Furna da Onça movimentaram menos recursos do que Fabrício Queiroz, que foi poupado na operação porque Flávio Bolsonaro não foi delatado em esquema de mensalinho investigado pela Procuradoria.

Não está claro, segundo o El País da terça [11/12], se o Ministério Público estadual investiga Fabrício e Nathália. Além deles, mais 5 assessores de Flávio Bolsonaro fizeram dinheiro transitar entre si, de acordo com informações de Veja.

O Ministério Público Federal tampouco confirma ou nega que o filho do presidente esteja ou venha a ser investigado pelo caso Coaf.

A Folha da terça [11/12] acrescenta que a conta utilizada por Fabrício para movimentar os R$1,2 milhão em 2016 é considerada uma “conta de passagem”.

Nela, ele depositava dinheiro vivo e, dias depois ou no mesmo dia, sacava recursos em valores semelhantes. As operações de depósito e saque em espécie dificultam a investigação sobre a origem e destino dos valores.

Para o jornal, Fabrício pode ter sido o responsável por coletar e depositar na conta suspeita parte do salário dos outros funcionários de Flávio Bolsonaro na Alerj. O esquema é comum nos Legislativos estaduais e municipais, diz a Folha, e é ilícito, o que complicaria a situação do deputado estadual que ascenderá a senador em janeiro de 2019.

Nas movimentações de Fabrício consta ainda o repasse de R$24 mil para Michelle Bolsonaro, que Jair afirma ter sido parte do pagamento por um empréstimo que ele fez ao ex-assessor, no total de R$40 mil.

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BOLSONAROS NOMEARAM TODOS OS QUEIROZ. FILHA ACUMULOU EMPREGOS
Marcelo Auler em 11/12/2018

Pode ser mera coincidência. Ou mesmo um grande esforço, por parte de uma jovem determinada a vencer na vida. Mas, diante da revelação da Folha de S.Paulo, em 11 de janeiro passado – Bolsonaro emprega servidora fantasma que vende açaí em Angra – não chega a ser exagero imaginar que o hoje presidente eleito Jair Bolsonaro, bem como seu filho, o deputado estadual Flávio Bolsonaro, podem ter abrigado outros servidores fantasmas em seus gabinetes. Agora depende apenas de uma boa apuração dos fatos.

Coincidência ou não, segundo informações recebidas pelo deputado Paulo Pimenta (PT/RS), Nathalia Melo de Queiroz, filha mais velha do subtenente da PM Fabrício José Carlos de Queiroz, enquanto servidora da Assembleia Legislativa (março de 2011 e julho de 2012) e da Câmara dos Deputados (abril de 2016 a abril 2017), também esteve contratada em academias de ginásticas do Rio de Janeiro. Queiroz, como noticiado aqui em O$ mistério$ que rondam Queiroz, o “amigo” dos Bolsonaros, na condição de assessor do deputado Flavio Bolsonaro movimentou mais de R$1,2 milhão em conta bancária de forma, ao menos, pouco usual, por isso, colocada sob suspeita.

Não há nada que impeça servidores da Alerj ou da Câmara Federal de acumularem serviço com outras atividades. Desde que consigam dar conta da carga horária exigida pelo serviço público. Mas nas duas casas legislativas não existe ponto. A frequência é atestada pelo parlamentar ao qual o servidor está relacionado. Na Câmara dos Deputados também há a possibilidade de o servidor trabalhar na chamada “base” do deputado. O que justificaria Nathalia ser servidora de Jair Bolsonaro em Brasília e continuar morando no Rio.

Estranho, porém é que Nathalia, nascida em abril de 1989, pouco depois de completar 18 anos, em setembro de 2007, tenha ingressado no quadro funcional da Alerj e, quatro anos depois, em março de 2011, sem deixar o emprego público, passou a trabalhar como “recepcionista” da Norte Fitiness Center, Academia de Ginastica Ltda.. Ficou empregada ali até, provavelmente, julho de 2012. Segundo registros da Receita Federal, o CNPJ da academia – 08.179.113/0001-08 – teve baixa em abril de 2013, ao ser incorporado ao de outra empresa.

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