Haddad: Bolsonaro é como Temer e quer governo de banqueiros

Via Pernambuco 247 em 3/10/2018

Em entrevista na manhã de quarta-feira [3/10] à Rádio Jornal de Pernambuco, Fernando Haddad declarou que Bolsonaro “quer continuar e aprofundar os atrasos promovidos por Temer, quando propõe cortar o 13º, o Bolsa Família, cobrar imposto dos mais pobres” e que o candidato de ultradireita pretende “aumentar o lucro dos banqueiros” e vender estatais como a Petrobras.

Segundo Haddad, “enquanto o governo Temer termina melancolicamente, Bolsonaro quer continuar e aprofundar os atrasos promovidos por Temer, quando propõe cortar o 13º, o Bolsa Família, cobrar imposto dos mais pobres”. Haddad descreveu resumidamente a política econômica proposta pelo candidato de extrema direita como a serviço dos banqueiros: “Os banqueiros acham que se os pobres ganharem menos e os empresários ganharem mais, a economia vai ser reativada. Bolsonaro quer aumentar o lucro dos banqueiros. Outra coisa é que ele quer vender as estatais lucrativa como Petrobras. Isso inviabiliza o Brasil porque vai aumentar os combustíveis, o gás, a gasolina, o álcool”.

Leia a seguir o relato detalhado da entrevista feito pela campanha de Haddad:

O candidato de Lula, Fernando Haddad, deu uma entrevista na manhã desta quarta-feira [3/10] à rádio Jornal de Pernambuco. Ele falou sobre a diferença entre sua candidatura e a de Jair Bolsonaro (PSL), principalmente, no que se refere às questões de segurança pública e economia.

Haddad falou que enquanto o governo Temer termina melancolicamente, Bolsonaro quer continuar e aprofundar os atrasos promovidos por Temer, quando propõe cortar o 13º, o Bolsa Família, cobrar imposto dos mais pobres, ou seja, o oposto da sua proposta de isentar quem ganha até cinco salários mínimos. “Eu vejo com tristeza essa política econômica do Bolsonaro. Os banqueiros acham que se os pobres ganharem menos e os empresários ganharem mais, a economia vai ser reativada. Bolsonaro quer aumentar o lucro dos banqueiros. Outra coisa, é que ele quer vender as estatais lucrativa como Petrobras. Isso inviabiliza o Brasil porque vai aumentar os combustíveis, o gás, a gasolina, o álcool”.

O candidato da coligação “O povo feliz de novo” falou também sobre a reforma bancária que pretende implementar. “Os bancos terão que ser enquadrados, porque os juros cobrados no Brasil não existem em lugar nenhum do mundo. É quatro vezes maior que a média internacional. Os bancos querem ganhar dinheiro na especulação. E nós queremos renegociar os juros com eles, para as pessoas poderem abrir seu negócio, abrir um crediário, pagar dívida, mas com juro normal, não com os juros absurdos que são cobrados hoje”. Haddad disse que pretende fazer essa reforma por meio do Banco Central, que tem que regular os juros que os bancos cobram do consumidor. “Vamos introduzir regras pra isso. Todos os cincos bancos vão ter que aceitar essa nova regulação. Essa medida é contra o cartel”.

Haddad falou ainda sobre o fortalecimento das instituições que controlam a corrupção. “Antes dos nossos governos, toda a sujeira era varrida pra debaixo do tapete. Isso não sou só eu que digo, a Polícia Federal e o Ministério Público também falam: quem fortaleceu essas instituições foram os nossos governos. O indivíduo do nosso partido que cometeu erro, foi julgado, alguns absolvidos, outros condenados, mas ninguém foi protegido”, disse Haddad, que assumiu compromisso público perante os ouvintes da rádio de fortalecer ainda mais as instituições em seu governo. “A Polícia Federal e o Ministério Público vão receber reforço. O Temer enfraqueceu as instituições e voltou a jogar a sujeira pra baixo do tapete. Eu faço aqui um compromisso solene com todos ouvintes.”

O candidato, porém, deixou bem evidente que isso não significa que a Justiça não possa cometer erros. Para isso, existem os recursos. “No caso de Lula, é flagrante o erro, e queremos que se corrija. Ele foi condenado sem provas para não participar das eleições. Isso todo mundo sabe. Se perguntar no exterior, todo mundo sabe que um erro aconteceu contra Lula. A ONU sabe, até o papa sabe. Todos têm o direito de ver reparado um erro que foi cometido”.

Para ele, o grande estadista Lula, aquele que mais projetou o Brasil no mundo por boas razões, que expandiu as oportunidades na educação, que matou a fome do brasileiro, que fez a transposição e efetivamente emancipou o Nordeste, dando horizonte para região mais esquecida da história, sempre será ouvido em seu governo. “Jamais vou me negar a conversar com ele. E eu espero que até a minha posse ele já tenha sido absolvido. Eu tenho certeza que vão reparar o erro gravíssimo que cometeram contra ele”.

Haddad falou sobre a relação que devemos ter com os países vizinhos. Para ele, o papel de líder que o Brasil tem na América Latina exige prudência para que se possa mediar os conflitos existentes. “O discurso belicoso leva o Brasil para o buraco. Isso é agenda do Bolsonaro, não é agenda do Lula ou do meu governo”.

“Nós queremos federalizar a investigação de alguns crimes. Colocar a Polícia Federal, com inteligência e tecnologia, para enfrentar o crime organizado em todos os estados. Nós entendemos que a PF tem que se envolver mais em questões que hoje são atribuições da Polícia Militar dos estados. Com a federalização, o combate ao crime organizado será mais efetivo. Colocar uma arma na mão do cidadão para enfrentar alguém que tem mais habilidade que você, como quer o Bolsonaro, só vai aumentar o número de violência nas ruas”.

Fake news no WhatsApp
O candidato não deixou de mencionar a campanha sórdida que tem feito seu adversário no WhatsApp, com milhões de mensagens mentirosas sendo espalhadas entre a população. “Nós já conseguimos que o Supremo Tribunal Eleitoral retirasse algumas mentiras. Mas é muito difícil conter essa onda mentirosa pelo WhatsApp. O Twitter, o Facebook e o YouTube são públicos, mas o WhatsApp é mais difícil. Estamos fazendo corrida de gato e rato em função do que o Bolsonaro tem espalhado pelas redes, sobretudo no WhatsApp”.

Ele fez um apelo para os ouvintes. “Se vc receber uma mensagem anônima, denuncie. Eles estão falando contra família, contra escola pública, contra professores. Eles estão acusando de nas escolas tratar de temas com crianças sobre sexualidade. Você, ouvinte, que receber denuncie, não deixe prosperar as mentiras. Confundindo as pessoas de boa fé, com essa onda de boataria. Se ele fosse valente, como diz que é, enfrentaria isso olho no olho”. Viu alguma fake ews? Denuncie para (11) 9 9322-3275.

Sobre ter chamado de fascismo as ideias de seu adversário, Haddad disse que, na Alemanha nazista e na Itália fascista, a população votou em pessoas parecidas com Bolsonaro, com seu discurso armamentista, que prega violência e a intolerância contra o negro e a mulher. “Essa intolerância gera mais violência. É uma ameaça à democracia, aos direitos das pessoas e a paz social do Brasil”.

Haddad declarou que não se pode governar ameaçando fechar o congresso, aprovar uma nova constituição e não submeter ao Congresso Nacional, mas a referendo popular, como prega Bolsonaro. “O Congresso, com todos os defeitos, é um poder constitucional e não pode ser fechado em hipótese alguma”.

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CAMPANHA DE BOLSONARO FAZ ACUSAÇÕES “VULGARES” PELO WHATSAPP, DIZ HADDAD
Via Reuters em 3/10/2018

O candidato do PT ao Palácio do Planalto, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira que a disseminação de fake news “vulgares” com acusações contra ele explicam o crescimento do apoio ao presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, e desconfia que simpatizantes do rival sejam responsáveis por essas ações.

Em entrevista coletiva em São Paulo, o petista anunciou que sua campanha colocou à disposição dos eleitores um número de telefone para que denunciem essas notícias falsas, que classificou de “vulgares”, com a utilização de imagens de mulheres nuas e de crianças sendo abusadas.

“Nós acreditamos que essas mensagens no WhatsApp estão fazendo alguma pequena diferença. Nós estamos falando de milhões de mensagens que estão sendo disparadas de mulheres nuas, crianças sendo abusadas, coisas gritantes mesmo”, disse Haddad.

A ideia é, a partir das denúncias, buscar as pessoas que iniciaram a disseminação dessas fake news.

“Nós colocamos um telefone à disposição, porque a quantidade de mensagem de WhatsApp que nós estamos recebendo denunciando nossos adversários, sobretudo um – parece que a campanha do Bolsonaro – está agindo muito fortemente em fake news, contra a minha família, contra a minha atuação como ministro, é muito grande. Inclusive muito vulgar, com acusações muito vulgares, com imagens vulgares”, disse.

“Isso tem crescido muito nos últimos dias, sobretudo direcionado ao público evangélico, que nós sabemos que cultiva valores que nós também cultivamos”, acrescentou.

Haddad disse não ter provas de que Bolsonaro esteja por trás da divulgação desses ataques nem que os apoiadores dele estejam realizando esta atividade, mas afirmou que desconfia de apoiadores do candidato do PSL.

“Nós desconfiamos do Bolsonaro pelo conteúdo”, disse. “Eu não posso acusar, mas posso desconfiar pela natureza. É muito compatível com o discurso dele, uma aderência muito grande em relação ao que ele fala”, afirmou.

O petista também negou que tenha iniciado agora ataques a Bolsonaro por conta do crescimento do rival nas pesquisas de intenção de voto e de sua própria estagnação nesses levantamentos.

Haddad disse que tem mantido um tom propositivo na campanha, mas que agora chegou o momento de se defender dos ataques feitos pelo candidato do PSL, que lidera a corrida presidencial.

Pesquisa Datafolha na véspera mostrou Bolsonaro passando a 32% das intenções de voto, ante 28% no levantamento divulgado sexta-feira, enquanto Haddad oscilou negativamente 1 ponto, para 21%.

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