Ciro entra no “dream team” da desonestidade ao jogar Bolsonaro no colo do PT

Haddad e Ciro no debate do SBT.

Kiko Nogueira, via DCM em 27/9/2018

O maior inimigo de Ciro Gomes será sempre Ciro Gomes.

No debate do SBT, o presidenciável do PDT embarcou num discurso antipetista rasteiro contra Fernando Haddad.

Afirmou não querer governar com o PT por entender que o partido é “responsável pelo surgimento de Bolsonaro e do sentimento de ódio que tomou conta do país”.

“Esse conflito vai acabar levando o Brasil para o buraco”, vaticinou.

Haddad deu-lhe uma merecida cacetada lembrando que foi convidado “para vice de sua chapa e a chamava de dream team, o time dos sonhos”.

A expressão foi usada por Ciro em entrevista ao El Pais em agosto de 2017.

Haddad representa o que há de melhor no PT e não carrega o estigma que é, em parte, injusto”, falou.

Ciro repete a cantilena mervalista de que Lula inventou o “nós contra eles” na pacífica nação brasileira.

Antes do “lulo-dilmismo”, andávamos todos de mãos dadas, sorrindo uns para os outros, distribuindo flores nos faróis.

Ciro está abdicando dos votos dos petistas caso vá para o 2º turno – e não vai ganhar ninguém no antipetismo, seara onde Bolsonaro chafurda absoluto e com mais legitimidade.

É uma desonestidade brutal jogar o fenômeno Bolsonaro no colo do PT.

Só o desespero explica essa investida. Ciro patina nos 11% desde os anos 90.

Noves fora que, se for eleito, ele espera governar com quem? O PDT?

No Ceará, a relação entre petistas, aliados há anos do clã dos Gomes, e pedetistas vai de vento em popa.

De acordo com o Ibope, Camilo Santana ganharia no 1º turno.

Essas eleições consagram Ciro Gomes como biruta de aeroporto da nação, um FHC de calças, personalista numa egotrip.

Tudo o que ele declara tem uma versão recente conflitante no Google.

É um poço de frases de efeito peremptórias e de contradições.

Vem garantindo que não daria indulto a Lula se eleito. Sossegou a Globo quanto a isso numa entrevista.

Em junho de 2017, no programa do DCM na TVT, contou seu plano para “salvar” o ex-amigo (assista no pé da página).

“Eu quero me voluntariar para formar um grupo, com juristas nos assessorando, que se a gente entender que o Lula pode ser vítima de uma prisão arbitrária, a gente vai lá e sequestra ele e entrega numa embaixada. Isso eu topo fazer”, relatou.

Em qual Ciro acreditar? Em qual Ciro votar?

Seja qual for, nenhum deles é confiável. Nem para a esquerda e nem para a direita.

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