Ibope: 30% do eleitorado é “antipetista”, mas outros 27% preferem o PT

Rejeição a Bolsonaro, no Nordeste e entre mulheres, é expressiva. Haddad tem muitos votos para colher no Nordeste.

Cíntia Alves, via Jornal GGN em 26/9/2018

O Ibope divulgado na terça [25/9] tentou dimensionar o tamanho do antipetismo, que é citado em vários debates quando o assunto é a possibilidade – que ganha contornos mais fortes a cada pesquisa – de um 2º turno entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. Os dados do levantamento mostram, ao contrário do que foi produzido pelo senso comum nos últimos anos, um certo equilíbrio entre o volume de eleitores que rejeitam o PT – que o Estadão chamou de “antipetistas” – e os eleitores que têm o partido de Lula como sigla preferida.

Segundo o Ibope, exatamente 30% do eleitorado “não votaria de jeito nenhum” no PT, nesta eleição. Outros 27%, contudo, disseram que o PT é seu partido favorito dentre todos os outros. A margem de erro da pesquisa (em anexo) é de 2%.

O Estadão divulgou esses dados sob a manchete “Bolsonaro cresce nas intenções de voto de antipetistas”. Mas o que se depreende da análise é que Bolsonaro, na verdade, abocanhou um eleitorado que tradicionalmente vinha votando no PSDB e outros candidatos contrários ao PT.

Na média nacional, Bolsonaro não cresceu desde a última pesquisa. Ele está hoje com 28% das intenções de voto, “estabilizou”, enquanto Haddad cresceu 3% e chegou a 22%.

A mesma pesquisa Ibope indica que, no eleitorado “antipetista”, Bolsonaro cresceu de 53% (dado aferido no dia 11/9) para 59%. No dia 5 de setembro, véspera do atentado em Minas Gerais, ele tinha 41% entre os eleitores que rejeitam o PT. Ou seja, ele cresceu 18% nesse nicho, sendo que 11% ele retirou dos adversários, diz o Estadão.

“Com isso, o PSDB, que por mais de 25 anos polarizou a política nacional com o PT, perdeu na atual campanha o papel de protagonista no eleitorado avesso ao partido de Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os antipetistas, o tucano Geraldo Alckmin tem apenas 10% dos votos, o equivalente a um sexto da taxa de Bolsonaro”, descreveu o Estadão.

Os números mostram como a campanha de Bolsonaro esvaziou a de Alckmin em seu segmento eleitoral.

Hoje, o PSDB é o partido mais rejeitado por 8% dos eleitores, ocupando o segundo lugar. O PT é o primeiro, com seus 30%. Outros 10% citaram o PSDB como partido preferido.

Rejeição a Bolsonaro e Haddad
Apesar do jogo aparentemente equilibrado no quesito favoritismo vs. antipetismo, é de se questionar se a rejeição a Haddad crescerá a ponto de permitir que Bolsonaro seja eleito.

O capitão da reserva é atualmente o candidato mais rejeitado de todos. Ele tem 46% de “não votaria de jeito nenhum”, contra 30% de Haddad.

Outra informação ruim para a campanha de Bolsonaro é: ele tem uma rejeição expressiva entre as mulheres (54%, contra 26% de Haddad), numa eleição em que o voto feminino pode virar o jogo. O resultado, inclusive, reflete movimento de mulheres organizado nas redes sociais, que ganhou repercussão internacional nesta semana, com as participantes usando a hashtag #EleNão.

Além de ser repudiado no nicho feminino, Bolsonaro também é recordista em rejeição no Nordeste: lá, 60% disseram ao Ibope que não votariam no deputado de jeito nenhum.

A título de comparação: Haddad é rejeitado por 36% do Sudeste e 34% do Sul, regiões mais propensas a votar em Bolsonaro, em substituição ao PSDB.

***

NOVO IBOPE MOSTRA BOLSONARO COM 27% DOS VOTOS, CONTRA 21% DE HADDAD
Via Jornal GGN em 26/9/2018

Ibope encomendado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgada na tarde desta quarta (26), mostra estabilidade no desempenho dos candidatos e reforça o provável 2º turno entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. O capitão da reserva tem 27% das intenções de voto (oscilou 1 ponto para baixo, dentro da margem de erro, desde o Ibope do dia 24 de setembro). Já Haddad tem 21% da preferência dos eleitores (também 1 ponto a menos que na pesquisa anterior). A margem de erro é de 2%.

No 2º turno, Bolsonaro reduziu a distância de Haddad de 6% para 4% – uma oscilação também dentro da margem de erro. O placar hoje é 42% para o petista (antes, 43%) e 38% para o deputado do PSL (antes, 37%).

Enquanto Haddad e Bolsonaro oscilaram para baixo, Marina Silva e Ciro Gomes fizeram o movimento inverso e ganharam 1% cada: a mentora da Rede tem 6% das intenções de voto e o ex-governador do Ceará, 12%. O candidato do PSDB Geraldo Alckmin está estacionado no patamar dos 8% de votos.

Segundo a pesquisa, 28% dos eleitores dizem que poderiam mudar de voto para evitar um 2º turno entre dois candidatos indesejados. Mas o eleitorado de Bolsonaro é o mais convicto entre todos os candidatos: 55% afirmam que o voto é definitivo. Em segundo lugar, neste quesito, está Haddad, com 49%.

Se a eleição fosse agora, nenhum candidato atingiria mais de 50% dos votos válidos no 1º turno, ou seja, a eleição seria decidida em segundo. Nesse caso, Bolsonaro teria 33% dos votos válidos e Haddad, 25%.

Rejeição
Bolsonaro segue liderando em rejeição, com 44%. Marina e Haddad estão empatados: são descartados por 27%.

2º turno
Nas simulações de 2º turno, Ciro é quem ganha de Bolsonaro com maior vantagem, com 9% na frente. Haddad e Alckmin venceriam de Bolsonaro com 4% de diferença. Haddad teria 42% e Bolsonaro, 38%. Tecnicamente, estão empatados no limite da margem de erro.

No Ibope do dia 24 de setembro, Haddad tinha 22% das intenções de voto, contra 28% de Bolsonaro.

No 2º turno, Haddad venceria Bolsonaro por 43% a 37%, respectivamente.

Ciro tinha 11%, Alckmin, 8% e Marina, 5%.

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