Hildegard Angel: Adesão a Bolsonaro nos quartéis reflete distorção do ensino de História nos colégios militares

Hildegard Angel, via DCM em 26/9/2018

Essa forte adesão dos setores militares, dos recrutas aos generais cinco estrelas, brigadeiros e almirantes, em apoio ao Capitão presidenciável, que cumpriu a carreira no Exército sem qualquer brilho – para ser elogiosa – talvez tenha sua origem nos bancos escolares.

No ano seguinte ao golpe, 1965, foi impressa uma nova cartilha de História do Brasil, para o ensino nas escolas militares, que instruiu cinco gerações de militares, e até hoje vigora.

Seu conteúdo ensina que não houve golpe em 64, houve uma “revolução” para eliminar a “ameaça vermelha” do comunismo, e houve “uma guerra”, em que os militares precisaram praticar a repressão em nome da ordem pública.

Tal versão se tornou obsoleta com a redemocratização e a farta informação colhida através de várias comissões criadas para apurar aqueles fatos, de documentos encontrados, das indiscrições do WikiLeaks e também da farta documentação norte-americana, com relatos de diplomatas, vídeos e correspondências oficiais, que classificam como “terrorismo de Estado” a repressão então praticada pelo governo brasileiro.

Uma época em que a propaganda e a mídia nos impunham a ideia que “terroristas” eram, não quem perseguia, mas os perseguidos, obrigados à clandestinidade, capturados e, condenados sem julgamento, torturados e muitas vezes mortos.

Essa versão oficial conveniente, porém fantasiosa, ainda prevalece em grande parcela das Forças Armadas. Imagino que os mais velhos insistam nela por corporativismo, e os mais jovens não ousem contestar os superiores mais antigos. Isso, agravado pela Lei da Anistia, que aos “dois lados” perdoou da mesma forma, contribuindo para perpetuar uma “verdade” distorcida.

Quem quiser se informar sobre o que foram os 20 anos de Estado de Exceção, há uma farta literatura a respeito. Nos sites, sugiro o link este link.

Hildergard Angel, jornalista, viu de perto os horrores da ditadura. Seu irmão foi torturado e assassinado pelo governo dos militares. Sua mãe, Zuzu Angel, estilista famosa, morreu também em circunstâncias misteriosíssimas, em um acidente de carro. Na época, ela fazia um protesto silencioso (era assim) contra a ditadura, com a criação de vestidos que tinha estampas que pareciam saídas do universo de uma criança. Em 1998, a Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos analisou o caso e reconheceu o regime militar como responsável pela morte da estilista. Segundo depoimentos, ela teria sido jogada para fora da pista por um carro pilotado por agentes da repressão. Hoje, o túnel onde ocorreu o acidente é chamado Zuzu Angel.

Uma resposta to “Hildegard Angel: Adesão a Bolsonaro nos quartéis reflete distorção do ensino de História nos colégios militares”

  1. Geraldo Lobo Says:

    O CIVIL QUE PONHA OS SEUS FILHOS PRA ESTUDAR NOS CM DO PAÍS, VAI ENCONTRAR NELES UMA MINORIA DE CIVIS ENSINANDO SEJA O QUE FOR, MAS EM GERAL MATÉRIAS EM QUE MILITARES NÃO SÃO MUITO ESPERTOS EM FAZE-LO — AS HUMANIDADES: HISTÓRIA, LÍNGUAS, CIÊNCIAS HUMANAS COMO UM TODO. AÍ ESTÁ PARTE DO PROBLEMA MAIOR POIS ESTAS DISCIPLINAS POR SEREM ‘SOFT’ SE QUISER DIZER SIMPLÓRIAS (ATÉ CERTO PONTO DESTITUÍDAS DE UM RACIONAL MAIOR, AO QUE PARECE) SÃO MENOSPREZADAS COMO ERA NA MINHA JUVENTUDE O CANTO ORFEÔNICO, QUE DESDE HÁ MUITO DEIXOU DE EXISTIR EM NOSSAS ESCOLAS, JUNTO AO LATIM, POR EXEMPLO!

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: