Lula fala em 6 linhas o que FHC esconde em 6 laudas

Fernando Brito, via Tijolaço em 25/9/2018

“Fui impedido de ser candidato e estar nas ruas, com o povo, mas o companheiro Haddad me representa. Eu tenho total confiança nele. E ele vai fazer o Brasil ser feliz de novo com o nosso voto”.

O bilhete manuscrito de Lula, divulgado hoje [25/9] e já a caminho do programa de televisão de Fernando Haddad, diz mais e mais claro do que a longa carta de Fernando Henrique Cardoso que, 20 vezes mais longa, não só não tem a coragem de dizer o nome de seu candidato quanto pratica a imundície intelectual de pretender colocar Haddad no mesmo saco do autoritarismo de Jair Bolsonaro.

O que faz o sábio não a erudição nem o vocabulário empolado, mas a coragem de afirmar e a clareza no dizer.

Lula faz três afirmações, no curto bilhete: Haddad me representa; eu confio totalmente nele, votem nele.

Quem o lê, desejando, sabe o que fazer.

Os que leem FHC terminam a leitura mais confusos, menos sabem como agir e como votar.

Aliás, nem sabem mesmo se “é verdade este bilete” do príncipe.

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A CARTA DE FHC: “É VERDADE ESTE ‘BILETE’”.
Fernando Brito, do Tijolaço em 22/9/2018

A Folha hoje [22/9] publica a informação que “um dia antes de divulgar a carta em que pediu união do centro contra o radicalismo” Fernando Henrique Cardoso teve um encontro reservado com Geraldo Alckmin, em que “discutiram estratégias que deveriam ser implementadas na campanha tucana, estagnada nas pesquisas abaixo dos 10% das intenções de voto”.

Alckmin aceitou, claro, porque está num estado de indigência eleitoral em que qualquer coisa lhe vale, mesmo que seja uma sem-vergonhice do ex-guru tucano.

Era, como se disse aqui desde o início, uma velhacaria, não um apelo cívico, algo que um homem de 87 anos e dias vezes presidente da República tinha o direito e até o dever de fazer, diante das ameaças de que a Nação se mergulhe no fascismo.

Não há uma vírgula a retirar e certamente muitas a acrescentar no juízo que faço deste senhor, a quem a história não desceu ainda tão fundo o lugar que nela merece.

Tudo nele é “jogada de marketing”, desde a tentativa de parir Luciano Huck até a “pá de cal” em Geraldo Alckmin, que, fingindo ser criança, aceita o “é verdade este bilete” da carta que fez publicar.

Fernando Henrique encarna a maldição de Ulysses Guimarães, sobre os que são velhos, mas não velhacos.

***

O DESCARAMENTO DO FHC
Jeferson Miola em 21/9/2018

FHC foi um dos principais artífices intelectuais do golpe que impregnou a sociedade com ódio, incendiou o Brasil e devastou a economia e a soberania nacional.

A publicação da carta aos eleitores e eleitoras mostra que FHC escolheu o descaramento como traço definidor do seu caráter.

É de uma torpeza sem nome a afirmação, na carta, de que Haddad é uma das duas “soluções extremas” do espectro político – só há um extremismo a ser combatido e derrotado implacavelmente, que é o bolsonarismo em todas suas variantes. Atribuir igualmente ao PT a condição de pária da democracia é mais que oportunismo descabido, é desonestidade teórica.

Bolsonaro é o subproduto mais perigoso da decomposição política e institucional que FHC, cegado pela obsessão pelo poder e pelo rancor, ajudou a criar no país a partir da guerra política insana desatada com o exclusivo objetivo de interromper o ciclo de governos do PT.

Com a espiral do caos, todavia, muita coisa saiu errada, e o PSDB perdeu o lugar-tenente do antipetismo agora ocupado pelo bolsonarismo.

Se os democratas e humanistas nos vemos hoje diante da dramática responsabilidade de ter de derrotar a barbárie fascista para preservar minimamente um projeto civilizatório de nação, é porque FHC e o establishment criaram as condições que levaram o país a essa realidade aterrorizadora.

FHC, um ser narcisista que só enxerga o próprio umbigo, talvez não tenha querido ler a esclarecedora entrevista de Tasso Jereissati ao Estadão em 13/9.

Nela, Tasso admitiu que o PSDB, dirigido pelo Aécio, pupilo predileto do FHC, cometeu um “conjunto de erros memoráveis” que conduziram o país ao caos econômico, político e social.

Até agora, Tasso foi o único tucano que teve dignidade para reconhecer que o PSDB jogou o Brasil no abismo. Ele admitiu que os tucanos foram “engolidos pela tentação do poder”: contestaram o resultado eleitoral de 2014, se juntaram a Eduardo Cunha e Temer na conspiração para golpear Dilma com as “pautas-bomba” e a estratégia de terrorismo econômico que desestabilizaram o país, e participaram da quadrilha criminosa que tomou o Planalto de assalto.

O PDT, o PSOL e o PT/PCdoB – com Ciro, Boulos e Haddad – combatem sem tréguas e sem concessões o bolsonarismo e seu projeto fascista e ultraneoliberal.

FHC, o establishment e a Globo, ao contrário, não expressam compromisso incondicional com os ideais civilizatórios ante a ameaça real da barbárie. Eles inclusive admitem apoiar Bolsonaro, se necessário para impedir a vitória do Haddad.

É absoluta a identidade deles com o programa neoliberal selvagem proposto pelo Bolsonaro. Como a democracia, para eles, tem apenas valor instrumental, não hesitarão em espezinhá-la, se preciso para preservar o condomínio da dominação oligárquica e seu regime de exceção.

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