Haddad 22% no Ibope: Ascensão de Haddad ofusca Bolsonaro no 2º turno e desidrata tese do voto útil

Tiago Barbosa, via DCM em 24/9/2018

As entrelinhas do recorte eleitoral feito pelas principais pesquisas de intenção de voto, a duas semanas do 1º turno, são eloquentes: o reencontro do Brasil com a democracia passará, obrigatoriamente, pela confiança no PT.

A ascensão de Fernando Haddad – insuflada pela transferência dos votos lulistas – já ofusca Jair Bolsonaro no 2º turno e desidrata a tese do voto útil difundida sob receio da vitória do candidato da extrema-direita.

O cenário é ainda mais animador para o representante da esquerda porque o capitão da reserva estancou nos 28% enquanto o movimento do petista (22%) é de alta – com possibilidade de crescimento entre o eleitorado para quem ele é desconhecido.

A configuração eleitoral enseja uma óbvia ironia histórica.

Dois anos atrás, o PT era defenestrado do poder sob um golpe jurídico-midiático embalado na falácia das pedaladas fiscais e respaldado pela alienação voluntária consagrada nas passeatas em verde-amarelo.

Líder do partido, Lula enfrentou julgamento de exceção, foi condenado sem provas em um processo reprovado pela comunidade jurídica e teve a candidatura barrada – a despeito do protesto da ONU e da jurisprudência brasileira.

Mas o estímulo ao ódio – elemento de coesão das forças contrárias ao partido – gerou uma anomalia democrática: Bolsonaro e o fortalecimento do discurso misógino, racista, homofóbico, xenófobo e abertamente golpista abraçado pelo ex-militar.

A ojeriza às declarações do candidato – incompatíveis com a humanidade – fermentou um movimento de repulsa internacional liderado pelas mulheres, sob a hashtag #EleNão, e amplificado pela percepção da imprensa mundial do desastre representado pelo extremista, enxovalhado por bíblias do capitalismo, como a Economist.

A tentativa frustrada do condomínio do golpe de silenciar Lula (evidenciada na leitura do tempo político feita pelo ex-presidente) e de frear a aberração Bolsonaro (adotada pelo perfil mais reacionário do brasileiro) atirou o Brasil em uma encruzilhada eleitoral.

Ou o país se despe do antipetismo para defender a civilização ou sacrifica a democracia em nome da barbárie.

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Ibope: COM 22%, HADDAD APROXIMA-SE DE BOLSONARO E GANHA EM 2º TURNO
Pesquisa ainda registrou a vitória de Haddad contra Bolsonaro em um 2º turno, por uma diferença de 6%. O candidato da extrema direita só empata com Marina Silva, perdendo para todos os presidenciáveis em 2º turno.
Via Jornal GGN em 24/9/2018

A mais recente pesquisa eleitoral aproxima Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, ao até então líder isolado Jair Bolsonaro (PSL). Haddad aparece com 22% das intenções de voto e o presidenciável da extrema direita mantém 28% no Ibope, divulgado há pouco.

A pesquisa também mostra que, agora, Haddad ganha de Bolsonaro em um 2º turno, com 43% contra 37%, respectivamente. O candidato do PSL perde de todos os presidenciáveis questionados em 2º turno, empatando apenas com Marina Silva (Rede).

O candidato do PT apresentou um crescimento de três%, em comparação à pesquisa anterior, feita a menos de uma semana atrás. Já Bolsonaro mantém a liderança com o mesmo nível de expectativa de votos do dia 18 de setembro.

Os resultados do candidato escolhido por Lula demonstram, também, um isolamento na possibilidade de ir a 2º turno contra Jair Bolsonaro. Isso porque até então empatado com Haddad no Ibope, o presidenciável Ciro Gomes (PDT) mantém os 11%, sem crescimento.

Assim, Fernando Haddad agora registra o dobro das intenções de voto que marca Ciro. Já o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin mantém as baixas intenções de voto, com 8%. E Marina Silva, da Rede, cai um ponto percentual para 5%.

Abaixo, os resultados da pesquisa Ibope:

Jair Bolsonaro (PSL): 28%
Fernando Haddad (PT): 22%
Ciro Gomes (PDT): 11%
Geraldo Alckmin (PSDB): 8%
Marina Silva (Rede): 5%
João Amoêdo (Novo): 3%
Alvaro Dias (Podemos): 2%
Henrique Meirelles (MDB): 2%
Guilherme Boulos
(PSOL): 1%
Cabo Daciolo (Patriota): 0%
Vera Lúcia (PSTU): 0%
João Goulart Filho (PPL): 0%
Eymael (DC): 0%
Branco/nulos: 12%
Não sabe/não respondeu: 6%

E os questionamentos para o 2º turno:

Haddad 43% × 37% Bolsonaro (branco/nulo: 15%; não sabe: 4%)
Ciro 46% × 35% Bolsonaro (branco/nulo: 15%; não sabe: 4%)
Alckmin 41% × 36% Bolsonaro (branco/nulo: 20%; não sabe: 4%)
Bolsonaro 39% × 39% Marina (branco/nulo: 19%; não sabe: 4%)

A pesquisa divulgada hoje ouviu 2.506 eleitores entre este sábado e domingo [23/9] e apresenta um nível de confiança de 95% da população, com margem de erro de 2%, para mais ou para menos.

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EM NOVA PESQUISA FSB/BTG, HADDAD DISPARA, BOZO ESTAGNA E CIRO CAIU
Via Brasil 247 em 24/9/2018

Pesquisa do instituto FSB contratada pelo Banco Pactual e divulgada na madrugada desta segunda (24) indica que a disparada de Haddad continua e ele está consolidando sua posição para o 2º turno. O salto de Haddad é impressionante: foi de 8% em 8 e 9 de setembro para 16% (15 e 16 de setembro) e agora chega a 23%, com o campo feito no sábado e domingo. Um salto de 15% em duas semanas. Bolsonaro manteve-se com os mesmos 33% da semana passada. Ciro caiu de 14% para 10%; Alckmin subiu de 6% para 8%; Marina manteve-se com 5%; Amôedo e Meirelles têm 3% cada um, Álvaro Dias tem 2% e os demais não pontuaram.

A disparada de Haddad acontece também na pesquisa espontânea. Em duas semanas ele saltou de 3% para 17%. Bolsonaro subiu um ponto, para 31%. Ciro caiu um ponto para 7%, Alckmin tem 4%. Marina e Amôedo têm 2% cada.

A pesquisa foi feita por entrevistas telefônicas, realizadas por entrevistadores por meio de telefones fixos e móveis, nos dias 22 e 23 de setembro de 2018. Esta é uma diferença em relação às pesquisas dos institutos DataPoder e Ipesp, que são feitas por telefone e eletronicamente. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-03861/2018. A supervisão técnica do levantamento é de Gustavo Venturi, professor doutor do Departamento de Sociologia da USP e ex-diretor do Datafolha. A pesquisa pode subestimar o potencial de Haddad, porque os 10% mais pobres do país não são atingidos nos levantamentos telefônicos –e é maior o apoio ao candidato de Lula quanto mais pobres os pesquisados.

Um aspecto relevante da pesquisa é a afirmação de voto “definitiva” pelos eleitores. Elas estão no mesmo nível para Bolsonaro e Haddad (86% e 84% respectivamente) e cai muito para os demais candidatos. No caso de Ciro, este número cai para 58% e no de Alckmin para 56%.

No 2º turno, Haddad saltou de 38% para 40% em uma semana e Bolsonaro caiu de 46% para 44%. Ambos têm o mesmo índice de rejeição: 48%.

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