Suíça enviará provas bancárias contra Paulo Preto, operador do PSDB

As autoridades suíças ainda confirmaram que foram eles que iniciaram as investigações e, de forma espontânea, alertaram os indícios de corrupção ao MPF brasileiro.

Via Jornal GGN em 21/9/2018

As provas de que o ex-diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), Paulo Vieira de Souza, conhecido como o operador de propinas do PSDB e também chamado de Paulo Preto, mantinha R$113 milhões em contas ocultas na Suíça devem chegar nos próximos dias ao Brasil. A investigação teve início pelas autoridades do país europeu que, de forma espontânea, indicaram os indícios de corrupção ao MPF brasileiro.

É que após um ano de investigação e recursos nas duas Justiças, a do Brasil e da Suíça, a Suprema Corte do país europeu decidiu rejeitar o último pedido de Paulo Preto, que tentava evitar o envio dos documentos. De acordo com Jamil Chade, repórter do Estadão, os investigadores suíços informam que devem enviar os extratos bancários “no futuro próximo”.

O caso está brecado desde novembro de 2017, quando o ex-diretor apresentou recursos para bloquear o compartilhamento das provas. Em março deste ano que a Justiça Suíça decidiu cooperar com o Brasil sobre os dados bancários, com o objetivo não somente de trazer provas contra Paulo Preto, mas também com a possibilidade de revelar outros beneficiários das movimentações bancárias do operador.

O objetivo dos investigadores da Suíça é revelar o caminho do dinheiro ilícito do operador que atuou para o PSDB entre 2007 e 2018.

Até então o caso vinha sido julgado de maneira sigilosa pela Justiça brasileira. Mas a defesa do operador acabou revelando a apuração em um recurso dirigido ao Supremo Tribunal Federal (STF), que pedia o rompimento do acordo de cooperação internacional do Ministério Público Federal brasileiro com o suíço.

Só que neste documento, os advogados de Paulo Preto incluíram um despacho assinado pela juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Federal de Justiça de São Paulo, em outubro de 2017, com informações que até então eram sigilosas, sobre manter em quatro contas ocultas do país R$113 milhões, em 2016, e que os montantes foram repassados em fevereiro do último ano a outras contas em Bahamas.

“Constam das informações que em 7 de junho de 2016 as quatro contas bancárias atingiam o saldo conjunto de cerca de 35 milhões de francos suíços, equivalente a R$113 milhões, convertidos na cotação atual”, havia informado a magistrada, no documento.

Com a constatação, a juíza federal de São Paulo decidiu, ainda em outubro do ano passado, realizar a quebra de sigilo bancário e o bloqueio de bens nas contas suíças de Paulo Preto. E havia determinado o repasse pelas autoridades do país europeu de todas as transações já feitas nas contas da Dersa e ligadas ao ex-diretor.

Entretanto, os documentos ainda não haviam sido remetidos porque Paulo Preto entrou com recursos não só no STF, como também na Suprema Corte da Suíça. E a decisão da última instância do país só foi tomada agora. Tanto a Suprema Corte quanto o Ministério Público da Suíça confirmaram ao correspondente Jamil Chade que irão realizar o envio dos documentos, porque já não há mais possibilidades de a defesa do operador tucano recorrer.

“A Corte Suprema rejeitou o recurso contra a decisão do Tribunal Penal Federal. Isso significa que o Escritório do Procurador-Geral da Suíça deve ter a capacidade de executar a assistência legal por meio do Escritório Federal de Justiça no futuro próximo”, disseram os procuradores suíços em comunicado ao jornalista.

Ainda, segundo o repórter, os suíços “confirmaram que foram eles quem primeiro repassaram, de forma espontânea, a informação da existência das contas ao Brasil envolvendo [Paulo] Vieira de Souza”. Mas somente em novembro do último ano é que a Procuradoria brasileira pediu a cooperação internacional.

Os suíços então começaram a coletar todos os extratos e documentos de transações bancárias das quatro contas na Suíça, desde a data da abertura, ainda em 2007, até hoje. Elas estão ligadas a uma offshore panamenha e os montantes foram transferidos a outro paraíso fiscal, desta vez em Bahamas. A suspeita é que o dinheiro teria sido retirado pelo avanço das investigações do Ministério Público suíço contra brasileiros no caso da Lava-Jato.

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