Haddad cresce 6% e vai ao 2º turno também na pesquisa dos ricos

Na sexta-feira [21/9], Haddad fez campanha em Ouro Preto (MG).

Via Infomoney em 21/9/2018

Pesquisa do “mercado”, realizada pela corretora XP, a maior do setor e ligada ao Banco Itaú aponta: em duas semanas, Haddad dobrou seu índice de preferência do eleitorado e cresceu 6 pontos só na última semana, atingindo 16% e isolando-se em segundo lugar. Ciro caiu um ponto e tem 11%. A performance de Haddad é impressionante também na pesquisa espontânea, onde ele saltou de 5% para 11%, em uma semana, mais do que dobrando suas indicações. Bolsonaro tem 24% na espontânea e 28% na estimulada.

A pesquisa foi feita entre segunda [17/9] e quarta-feira [19/9]. A mais recente do Ibope teve seu campo entre domingo e terça e a do Datafolha entre segunda e terça. Apesar de ligeiras discrepâncias, todas apresentam a mesma tendência: crescimento acelerado de Haddad, lento de Bolsonaro e estagnação ou queda de Ciro. Na pesquisa Ibope, Bolsonaro tem 28%, Haddad 19% e Ciro 11%; na do Datafolha, Bolsonaro tem 28%, Haddad 16% e Ciro 13%. Deve-se levar em conta que a pesquisa XP/Ipesp é feita por telefone, o que exclui o 10% mais pobre da população, onde Haddad lidera as intenções de voto nas demais pesquisas.

Leia a seguir a reportagem da pesquisa do site Infomoney:

Duas semanas após ser vítima de um atentado a facada durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG), o deputado Jair Bolsonaro (PSL) continua crescendo nas pesquisas para a corrida presidencial. A 16 dias do 1º turno, o parlamentar chegou a 28% das intenções de voto no cenário estimulado, segundo pesquisa XP/Ipespe realizada entre 17 e 19 de setembro. O desempenho representa uma oscilação positiva de 2% em comparação com a semana anterior, movimento correspondente à margem de erro máxima da pesquisa.

Só em setembro, o deputado cresceu 5%. No cenário espontâneo, quando eleitores indicam em quem pretendem votar sem que lhes sejam apresentados nomes de candidatos, o salto de Bolsonaro é de 8%, para 24%, o que indica uma cristalização de apoio entre 1/4 do eleitorado. Nos dados estratificados, observa-se movimento positivo do parlamentar entre quase todas as faixas do eleitorado, mas é entre os domiciliados no Sudeste, evangélicos e renda superior a dois salários mínimos que o salto foi mais expressivo. Somente neste grupo religioso específico, Bolsonaro foi de 26% para 39% em uma semana.

Logo atrás do deputado aparece o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT), que agora não mais divide a segunda posição com um adversário. A dez dias como candidato oficial do PT à Presidência, em substituição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Haddad viu suas intenções de voto dobrarem para 16% em duas semanas no cenário estimulado, sendo 6% de alta apenas entre o último levantamento e o atual. Pela primeira vez, não se observa significativa diferença no desempenho do petista quando seu nome é apresentado aos entrevistados acompanhado da informação de que é o nome apoiado por Lula na disputa.

Da semana passada para cá, Haddad saltou de 19% para 25% nas intenções de voto no Nordeste e agora lidera a disputa na região. O petista também apresentou crescimento significativo no Sudeste neste período: de 7% para 12%. O avanço se deu de forma equilibrada entre as faixas etárias, mas foi mais intenso entre eleitores com Ensino Médio (de 5% para 13%) e renda familiar mensal de até dois salários mínimos (de 10% para 17%), segmentos em que o lulismo se faz mais presente. Em paralelo ao avanço na disputa, Haddad também vê seu índice de rejeição crescer (dados completos abaixo dos cenários de 2º turno apresentados).

Com o forte avanço, Haddad conseguiu abrir uma vantagem de 5 pontos sobre o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), com quem aparecia tecnicamente empatado em levantamentos anteriores. O pedetista oscilou negativamente 1% e agora tem 11% das intenções de voto. Ele é o candidato mais bem visto pelos eleitores de adversários como segunda opção de voto ao longo deste processo eleitoral, embora também seja um dos que mais corre risco de ser negativamente afetado pelo chamado “voto útil”. Segundo o levantamento, 54% dos apoiadores de Ciro admitem a possibilidade de votar em outro candidato para evitar a ida ao 2º turno de um candidato indesejado. A pesquisa também mostrou que Ciro é o único candidato que hoje supera Bolsonaro por diferença acima da margem de erro (veja os detalhes nos cenários de 2º turno).

Dono da maior fatia de tempo no horário de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) não consegue romper a resistência dos 10% de intenções de voto. Desta vez, o tucano aparece com 7%, em uma oscilação negativa de 2% em comparação com a última pesquisa, o que o mantém em condição de empate técnico com a ex-senadora Marina Silva (Rede), que tem 6% – menos da metade do que tinha há três semanas. A quase duas semanas do 1º turno e com a viabilidade de suas candidaturas posta em questionamento, os dois candidatos correm riscos crescentes de sofrerem com os efeitos do “voto útil”. Segundo o levantamento, 52% dos eleitores da ex-senadora e 42% dos apoiadores do tucano admitem a possibilidade de trocar de candidato para evitar uma disputa de 2º turno com um candidato indesejado.

O nome mais exposto a este efeito negativo do “voto útil” seria o senador Álvaro Dias (Podemos), com 60% de seus eleitores admitindo essa possibilidade. Por um cruzamento de dados da pesquisa, os apoiadores do parlamentar se dividem entre Alckmin e Bolsonaro como segunda opção de voto. Dias tem 3% das intenções de voto, mesmo percentual do empresário João Amoêdo (Novo). O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB) tem 2%, ao passo que o deputado Cabo Daciolo (Patriotas) aparece com 1%. Outros candidatos não pontuaram na pesquisa.

De acordo com o levantamento XP/Ipespe, o grupo dos “não voto” (composto por votos em branco, nulos e eleitores indecisos) soma 23% do eleitorado no cenário estimulado, mesmo patamar registrado na semana anterior. No cenário espontâneo, eles somam 39% dos eleitores – uma queda de 8% em comparação com a última pesquisa.

O levantamento também mostrou que, a pouco mais de duas semanas do 1º turno, o nível de interesse pela eleição presidencial oscilou positivamente de 59% para 60%. Agora, 37% dos eleitores se dizem muito interessados, enquanto 23% afirmam estar mais ou menos interessados no processo. Duas semanas atrás, a soma desses grupos representava 52% do eleitorado. A faixa de eleitores que se diz desinteressada com o processo está em 22%, o que pode indicar uma ativação tardia e decisão de voto de parcela relevante durante o sprint final.

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