Na CBN, Haddad confronta Globo e silencia bancada de jornalistas

O candidato a presidente Fernando Haddad pela coligação O Povo Feliz de Novo (PT-PCdoB-Pros) vai demonstrando a cada entrevista que a indicação de Lula para substituí-lo está longe de ser um mero ato aleatório para eleger um poste, como afirma a grande mídia.

Dayane Santos, via Vermelho em 18/9/2018

Rapidamente identificado pelos eleitores como o candidato de Lula, Haddad concedeu entrevista à Rádio CBN e ao G1, ambos das organizações Globo, na terça-feira [18/9]. O candidato foi colocado em várias situações como se estivesse num interrogatório, mas demonstrou competência e firmeza de que defende um projeto de Brasil para os brasileiros.

Por telefone, Gerson Camarotti, colunista do G1 e comentarista da GloboNews, disse que a campanha de Haddad tem recebido apoio de diversos setores políticos, incluindo lideranças que apoiaram o impeachment. Haddad afirmou que muita gente reconhece que foi um erro apoiar o golpe que afastou a presidente eleita Dilma Rousseff. Em seguida deu uma resposta que desmontou a bancada da Globo.

“As organizações Globo levaram 50 anos para reconhecer que foi um erro de ter apoiado o golpe militar, que deixou o país nas trevas por mais de 20 anos. Eu não posso perdoar em 2 anos quem reconheceu que errou?”, disse o presidenciável, citando a mea culpa feita pelo ex-presidente do PSDB, Tasso Jereissati, que admitiu em entrevista ao Estadão que os tucanos erraram em sabotar o governo Dilma.

Na linha do interrogatório, um dos jornalistas indagou por que o PT não reconhecia os seus erros. Haddad rebateu dizendo que a legenda fez a autocrítica e que ele próprio apontou os erros cometidos pelo partido na gestão, mas lembrou que o PT fez um governo que mudou a história do país, se tornou um divisor de águas.

Disse ainda que a despeito das críticas, em Minas Gerais Dilma irá reparar o erro do impeachment, se elegendo senadora, “enquanto seu algoz Aécio Neves não será eleito”, lembrando que ele não está concorrendo à reeleição ao Senado.

Comunicação
O candidato afirmou ainda que, eleito, vai mexer em dois “vespeiros”: a taxação dos bancos e a concentração dos meios de comunicação. “São dois cartéis”, disse ele.

Sobre os meios de comunicação, Haddad lembrou que tramita no Supremo Tribunal Federal a Ação Direta de Inconstitucionalidade movida pelos donos de jornais brasileiros contra agências internacionais que distribuem conteúdo em português. “Nós não vamos permitir a cartelização dos meios de comunicação como querem alguns grupos econômicos no Brasil”, afirmou.

Seguindo o roteiro da grande mídia, a bancada de jornalistas buscou fazer perguntas sobre Ciro Gomes na linha de causar intriga por conta das críticas do candidato do PDT ao PT. Como tem feito nos últimos dias, Haddad demonstrou que respeita a opinião de Ciro e afastou qualquer possibilidade de ataque reafirmando que ambos estarão juntos no 2º turno.

Questionado se apoiaria Ciro no 2º turno, ele foi enfático: “Claro. Nós somos do mesmo campo”.

Como tem feito boa parte da grande mídia, as perguntas ao candidato pouco abordam suas propostas de campanha e saídas para o Brasil. A pauta é feita para criar factoides. Uma questão que foi abordada insistentemente durante a entrevista foi o “indulto ao Lula”.

Haddad afirmou que o tema tem sido insuflado pela imprensa, mas que o próprio Lula não quer indulto por ser inocente e, por isso, ele não dará indulto quando vencer as eleições. Ele reforçou que Lula tem confiança de que a ONU e os tribunais superiores do Brasil irão julgar o mérito da condenação e que os processos contra o ex-presidente, eivados de ilegalidades, serão anulados.

Com a arapuca desmontada, a bancada de jornalista pergunta de ele colocaria Lula em um ministério. “Acho essa pergunta muito pequena para um cara da estatura do Lula. Ele só aceitou ser ministro da Casa Civil (em 2016) porque estávamos prevendo que um golpe de Estado aconteceria como aconteceu”, destacou.

O candidato disse ainda que apoiaria Ciro Gomes (PDT) em um 2º turno, assim como receberia apoio do adversário. “O Brasil está correndo risco de entrar numa nova aventura. Eu gosto do Ciro, sou amigo dele, pretendo estar junto com ele nessa caminhada. Não deu no 1º turno. Nós pertencemos ao mesmo campo político contra esse obscurantismo que hoje está vigente no País”, afirmou.

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