Quem é Antônio Mourão, general que pode comandar o País?

Arte: André Zanardo e Caroline Oliveira.

Caroline Oliveira, via Justificando em 12/9/2018

Talvez Antônio Hamilton Martins Mourão seja mais conhecido pela população brasileira por suas declarações permeadas pelo ódio do que pela posição que ocupa atualmente como candidato à vice-presidência encabeçada por Jair Bolsonaro do Partido Social Liberal (PSL). Já afirmou que, no Brasil, a indolência se deve aos indígenas; a malandragem, aos negros. Mas os privilégios mesmo herdamos dos portugueses e espanhóis. Os profissionais da violência, declarou, “somos nós”. O País é a sua casa. Nela, empunha a civilização, na qual está implícita a barbárie.

Para quem exerceu atividades durante 49 anos no Exército Brasileiro, Mourão quer ser elevado à Deodoro 2018 numa dedicação à la Santo Antônio às avessas, que jejuou durante quatro décadas para se tornar canonizado. O vice deu sorte que o “príncipe” Luiz Philippe de Orléans e Bragança, também cotado à vice de Bolsonaro, preferiu as redes sociais ao Planalto e ficará somente com seu histórico no Partido Novo.

A estirpe do perretebista é amazonense, estado onde a taxa de homicídios de negros aumentou mais de 90% em entre 2006 e 2016, segundo o Atlas da Violência 2018. Ainda assim, segue abraçando a legalização do porte de armas. Mingua o apreço pelo berço, que o recebeu em agosto de 1953. Filho do General Antonio Hamilton Mourão e Wanda Coronel Martins Mourão, carrega a instituição armada no sangue. No mesmo ano que veio ao mundo, Getúlio Vargas sancionou a lei que criou a Petrobras, hoje alvo de privatização do seu partido político.

“Se eleitos, temos de dialogar tanto com aqueles
que vão nos apoiar, tanto com a parte mais furibunda
da esquerda, que será nossa oposição”.

Filiado ao partido renovador que leva a Pátria e a Família em primeiro lugar, Mourão entrou na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) alguns meses depois de alcançar a maioridade e, devotado que era, foi declarado aspirante a oficial da Arma de Artilharia pouco tempo depois. Seu currículo tem cursos de formação, aperfeiçoamento, estudos militares, paraquedismo e de guerra de salva. É mestre de salto, mas também de salto livre, ainda que esta última qualificação não seja tão visível em suas declarações.

Somente com esses tratamentos, assenhora-se de um portfólio mais quisto do que Bolsonaro, que chegou somente à titulação de capitão. No entanto, o presidenciável o inspira. Inspira-o pela linha dura, cuja performance consegue imitar com sucesso, até mesmo com a dificuldade de agir racionalmente em momentos críticos. No fim do ano passado, Ustra, dono do livro de cabeceira de Jair, transfigurou-se novamente na fantasia “herói” pela boca de Mourão. Este ignora os relatos de tortura de Ana Amélia, ao contrário, aplaude.

Golpes e intervenção militar
Antes de marchar para a reserva, Mourão, enquanto secretário de Economia e Finanças do Comando do Exército, defendeu a intervenção militar, em 2017. Naquele momento, o Congresso Nacional, sob as bênçãos de Deus e a Família, recebia a segunda denúncia contra Michel Temer. Caso o “problema político” não fosse resolvido, o Exército teria de impor uma solução, ainda que não existisse “uma fórmula de bolo para uma revolução ou uma intervenção”. A fórmula, para qualquer projeto, ainda parece inexistente, desta vez no programa político de seu presidente. Mas ao que parece, Mourão não será um vice decorativo.

Imaginando-se incontinentemente na cadeira da vice-presidência, afirmou, neste ano, que em uma situação hipotética anárquica no Brasil, existe a possibilidade de um “autogolpe” por meio do presidente com suporte das Forças Armadas. É o golpe do golpe que nem mesmo Alckmin sonha ao lado do centrão.

“Sempre aconselhei o meu pai: tem de botar um cara faca na caveira para ser vice”, disse Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável. Procurado através de sua assessoria de imprensa, Mourão estava no momento com a agenda cheia.

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