“Arrependimento tipo Rede Globo”: A meia mea culpa de Tasso não serve de muita coisa

Luis Felipe Miguel em 13/9/2018

No passado, o PSDB era conhecido por ficar sempre em cima do muro, sempre incapaz de decidir.

O tempo passou e os tucanos escolheram seu lado, bem à direita.

Eis que agora Tasso Jereissati ensaia voltar ao PSDB raiz.

Entre fazer um mea culpa e não fazer, escolhe o muro.

Diz que o partido errou ao questionar a eleição de Dilma, mas não fala nada sobre a montagem do golpe travestido de impeachment.

Critica a participação no governo Temer, mas silencia sobre o apoio às medidas antipovo aprovadas pelo usurpador.

A meia mea culpa de Tasso não serve de muita coisa, na verdade. Se houvesse um real reconhecimento dos erros, teria que existir algum movimento para consertá-los.

Mas não há.

No fundo, a despeito do reconhecimento de erros superficiais, continua o apoio ao projeto do golpe.

***

TASSO: PSDB ERROU AO QUESTIONAR VITÓRIA DE DILMA E FICAR COM TEMER
Via Jornal GGN em 13/9/2018

O senador Tasso Jereissati fez um mea culpa histórico, em entrevista do Estadão de quinta-feira [13/9], sobre os “erros memoráveis” que o PSDB cometeu desde a eleição de 2014. Segundo ele, o primeiro erro foi ter embarcado na onda de questionar a vitória de Dilma Rousseff, o que, na prática, foi desrespeitar a democracia. Depois, errou ao votar contra princípios do partido, só para “ser contra PT”. Mas o “grande erro” mesmo foi ter entrando no governo pós impeachment de Michel Temer. Foi a “gota d’água”, junto com os “problemas do Aécio”.

“O partido cometeu um conjunto de erros memoráveis. O primeiro foi questionar o resultado eleitoral. Começou no dia seguinte (à eleição). Não é da nossa história e do nosso perfil. Não questionamos as instituições, respeitamos a democracia. O segundo erro foi votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT. Mas o grande erro, e boa parte do PSDB se opôs a isso, foi entrar no governo Temer. Foi a gota d’água, junto com os problemas do Aécio (Neves). Fomos engolidos pela tentação do poder.”

Para Tasso, o impacto da queda de Aécio na delação da JBS foi imensurável. “Esse episódio simboliza todo esse desgaste que tivemos. Desde o dia seguinte à eleição da Dilma, quando fomos questionar o resultado, o símbolo mais eloquente para a população foi o episódio do Aécio. Ele deveria ter se afastado logo da presidência do PSDB.”

Em mais de uma fala, o senador atribuiu a Aécio boa parte do desgaste do PSDB. Começando pela sanha de impedir Dilma de governar após ser derrotado por ela nas urnas, passando pelo impeachment e chegando ao apoio ao governo Temer. “Como nós não tomamos as medidas necessárias naquele cenário, era previsível que o desgaste do PSDB iria perdurar e teria consequências graves nas eleições. O desgaste do PSDB vem dali. As pessoas estão vendo mal o PSDB.”

Mas, na visão de Tasso, Geraldo Alckmin, agora que Lula está definitivamente fora da eleição, tem condições de crescer em cima do antipetismo. Para isso, contudo, tem que disputar o nicho com Bolsonaro.

Leia a entrevista completa aqui.

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