Por que a chapa Haddad e Manuela irá vencer?

Alexandre Tambelli em 11/9/2018

O brasileiro em sua grande maioria é pacato e pouco afeito a extremismos. Dirão, mas a violência no Brasil é enorme matando mais gente em um ano que em uma Guerra como a do Iraque em 2003.

Claro que é um fato, mas, fato relacionado ao modelo de sociedade construída no Brasil, nos seus mais de cinco séculos de existência com o processo de escravidão e, também, o patrimonialismo (a ideia do Estado como uma extensão da própria casa das elites) e a dificuldade extrema em romper com esses dois parasitas e a sua nefasta consequência: as desigualdades sociais extremas.

Porém, o brasileiro comum não faz revolução, não quer confusão, não tem o costume de ir para os extremos e vota pelo Bolso, eleitor que decide, que nos dá o resultado final em 2° turno.

Dito isto, podemos ver que há uma parcela de extremismo em torno da candidatura Bolsonaro, por volta de 20% da população, mistura-se o extremismo religioso e de costumes + a lógica do “bandido bom é bandido morto” e um extremismo de partes da classe média e médio-alta e de nossa Elite, que vivem em defesa de seus próprios interesses e manutenção do status quo, dentro de uma lógica de preconceitos ao diferente, ao pobre, ao que não é modelar como mundo correto de se viver, tudo o que não está dentro da bolha social em que vivem. Eles e seu discurso extremado, reverberado pela velha mídia para vencer o PT, não decidem mais Eleição, o PT ganhou deles nas últimas 4 eleições, com governo de centro-esquerda testado e aprovado.

A Eleição será decidida pelo BOLSO e não por Bolsonaro, fique claro. E de BOLSO o PT entende, e tem a memória afetiva e histórica (na prática) para cativar a maioria do eleitorado em 2° turno. A imagem de Lula é o BOLSO também. PT que é o Brasil da inclusão e ascensão social na memória do povo trabalhador e dos pobres.

Esquerda, centro-esquerda e parte do eleitorado do Bolso votarão no PT já em 1° turno e no 2° turno, o eleitorado do Bolso será petista. E vamos ser sinceros, não precisa dizer que é o Haddad o candidato de Lula, sendo do PT todo mundo sabe que é o candidato do Lula.

A exposição exagerada do “Mito” após a facada não lhe rende mais votos, ele é totalmente fora da casinha, rende mais rejeição, mesmo dentro de setores das classes médias, porque seu programa de governo prevê um retorno à Idade Média, não é verdade? É quase uma nova Inquisição misturada com um retorno ao nazifascismo: mistura de Hitler com Mussolini. E para piorar é ultra-mega-plus-neoliberal.

A direita ao criá-lo, via Lava-Jato, destampou a garrafa da extrema-direita e colocou ela em circulação para acabar com o PT, Lula e dar o golpe em Dilma, porém, quebrou o pilar de sustentação do antipetismo circundado na candidatura do PSDB por mais de duas décadas, dividiu a direita em várias e criou uma extrema-direita fanatizada, mas não capaz de vencer a Eleição, apenas de se manter em torno dos 20% de votos. E, para derrubada do PT exagerou na dose do “combate à corrupção” e jogou seu partido protegido de 2 décadas, os tucanos, na boca do povo de maneira negativa, sua blindagem ruiu e suas administrações caóticas e corrupções bilionárias vieram à tona.

Em 2014 a direita com Aécio e Marina obteve 54% dos votos válidos no 1° turno. O Sistema estava em pleno processo de destruição da imagem do PT e de Lula e Dilma induzindo a população a crer que o governo era corrupto e que a economia patinava, e votar na oposição naquele momento, tendo toda a mídia brasileira em uníssono na campanha de desestabilização do governo Dilma ajudou nessa votação, o que não significou a vitória da direita, porque o eleitorado de Marina não é só antipetista fanático, tem diversidade nele, e Aécio não tinha pinta de honesto, nunca teve e a Internet fez o papel de, já em 2014, desmascará-lo perante a população em 2° turno.

Aécio sem programa de governo a mostrar, praxe no PSDB do neoliberalismo radical, perdeu no final para quem tinha realizações governamentais a mostrar e um governo com a menor taxa de desemprego da História: 4,3%.

O povo brasileiro não embarcou em Aécio nem Serra nem Alckmin depois que o PT venceu em 2002. O povo não é neoliberal. O golpe veio, única forma de chegar ao Poder a Direita comandada pelo PSDB, prometeram até um oásis, pós-Dilma, o que não aconteceu, apenas se consolidou a extrema-direita e todos os golpistas perderam fôlego enlameados na corrupção e destruição da economia brasileira capitaneada pela “camarilha” de Temer. O Sistema capitaneado pela Globo & Lava-Jato perdeu espaço para os antissistemas.

Hoje, temos a direita dividida em pelo menos cinco candidaturas e um candidato consolidado na extrema-direita roubando parcela significativa dos votos tradicionais da direita. Em 2014, a direita se concentrou em dois candidatos: Aécio e Marina, hoje, tem sete, contando Bolsonaro e Ciro pelo centro, para uma vaga no 2° turno. Vejamos:

Marina, Alckmin, Amoedo, Álvaro Dias e Meirelles: direita neoliberal e pelo centro Ciro Gomes. 6 candidatos a dividirem com brancos, nulos e abstenções 40% do eleitorado que não é Lula/Haddad (40%) e Bolsonaro (20%).

Haddad, o candidato de Lula, irá vencer a Eleição. Esses 40% consolidados no PT e Lula já colocam Haddad no 2° turno e a direita dividida em 5 candidatos + Ciro Gomes ao centro, que rouba alguns votos da direita eleitoral, ajuntados do caos governamental e rejeição quase de 100% do governo do golpe: Temer, tende a manter brancos, nulos e abstenções e voto no Bolsonaro em alta no campo que não vota no PT, e o motivo é porque está o eleitorado antissistema nesta Eleição.

Sistema é o governo Temer, a direita neoliberal associada a ele não tem chances de ir nem para o 2° turno.

Haddad e Manuela juntos têm a favor a imagem de jovialidade e a leveza e o sorriso nos lábios, são modernos, para complicar para a direita, e Bolsonaro não tem, digamos assim, penetração eleitoral, para além de um radicalismo doentio e social (de classe) contra o PT e de parcelas da sociedade conservadoras nos costumes e religiosas e alguns herdeiros do malufismo, é um conservador reacionário.

Até dentro das classes médias antipetistas clássicas o voto pode ir para Haddad/Manuela, porque Bolsonaro é um extremista e assusta por seu discurso retrogrado no comportamento/costumes e na ideia de ingerência sobre a Vida das pessoas, dos liberais e dos democratas e dos anticensura e antiditadura e militarismo.

Hoje, a direita se dividiu em vários candidatos, os 50 tons de Temer, que disse o Boulos no primeiro debate eleitoral, e a extrema-direita, que tem votos, mas é um Temer radicalizado no econômico e que não vai render votos, para a além dos radicais de direita, porque o voto pelo BOLSO não comprará Bolsonaro.

O tríplex: Lula, Haddad e Manuela irá vencer, apesar de tudo e de todos os golpistas da Globo & Cia., do Judiciário modelo morista, do Executivo e Legislativo do golpe, do “Mercado” e de ingerências do Imperialismo e de Trump, de falas de alguns membros graduados das Forças Armadas, apesar de parcelas do empresariado e das corporações comandadas por brasileiros acabarem por apoiar Bolsonaro em 2° turno. Será um jogo de paciência, mas venceremos!

Sem Medo de Ser Feliz!

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