Janio de Freitas: A facada salvou Jair Bolsonaro

A IRONIA
Vitimação de Bolsonaro não é motivo para atenuar-se responsabilidade de sua pregação.
Janio de Freitas em 9/9/2018

A facada salvou Jair Bolsonaro. Estivesse em vigor a liberalidade de armas de fogo da sua pregação, em vez da facada pouco profunda seria um tiro à queima-roupa a atravessar-lhe as vísceras de fora a fora, com a letalidade previsível. A ironia da violência armada que o surpreendeu vai dificultar-lhe o uso de seus temas eleitorais pessoalmente mais autênticos e, tudo indica, mais atrativos para o tipo de apoiadores que tem.

Ataques como o sofrido por Bolsonaro podem vir de impulsos muito diferentes. Nada além da leviandade de praxe autorizava a imediata atribuição do ato agressivo ao ódio político, ainda mais havendo menção familiar a transtorno mental do agressor. Em qualquer hipótese, a vitimação de Bolsonaro não é motivo para atenuar-se a responsabilidade de sua pregação da violência no ambiente propício até a atentados, dois deles já ensaiados contra militantes do PT.

Embora pouco reconhecida, é também inegável a responsabilidade do Ministério Público e, em suas instâncias mais altas, do Judiciário na exaltação odienta da divergência política e ideológica. Menos de 12 horas antes da agressão a Bolsonaro, aqui mesmo estava minha crítica às duas instituições pelo consentimento à ilegal incitação a crimes de violência sempre repetida por Bolsonaro. Ministério Público e Judiciário têm, como o próprio Bolsonaro, quota não desprezível na elaboração do atentado ao candidato.

No desatino do Brasil atual são recomendáveis aos candidatos precauções especiais, sem contar muito com a proteção oficial, nestes tempos de duvidosa ou nenhuma neutralidade de instituições e figuras destinadas a tê-la.

Em vão
É uma ideia desesperada, essa de Michel Temer tomar o lugar de Henrique Meirelles na candidatura do MDB, para proteger-se do relatório da Polícia Federal que o acusa de receber e lavar dinheiro de corrupção. A acusação, que atinge também o tal coronel João Baptista Lima, Moreira Franco e Eliseu Padilha, já está no Supremo Tribunal Federal e vai à procuradora-geral Raquel Dodge para a denúncia criminal ou o arquive-se.

Com aprovação que não chega às canelas, Temer não se elegeria. Mas não está em maior risco nestes meses finais de desgoverno. Seu problema pode começar no primeiro minuto seguinte à transmissão da Presidência. O que, por sua aparente calma, já estaria solucionado, pela soma de recursos e idade.

Ao mundo
Coletâneas de cartas revelam mais das pessoas verdadeiras do que suas biografias. E também mais dos fatos históricos grandiosos do que suas versões. Lançamento audacioso, as Cartas da prisão de Nelson Mandela (ed. Todavia, tradução exemplar de José Geraldo Couto) levam a uma descoberta nunca imaginada: o reconhecimento universal da grandeza que o inclui entre as maiores do século 20 não corresponde à estatura de Mandela.

Sua grandeza humana é ainda maior. Parece impossível, ou é, compreender como a infância de Mandela, a juventude e os 27 anos passados na prisão condizem com tamanha conjunção e completude do que possa existir de mais valioso no ser humano.

Ora emocionantes, ora indutoras de reflexão, as cartas do presidiário Nelson Mandela, ele não sabia, eram dirigidas a todos nós.

***

O CAOS, A FARDA E A TOGA NA ALIANÇA DE BOLSONARO
Maria Cristina Fernandes em 8/9/2018

Em artigo, no Valor, Maria Cristina Fernandes aborda o bolsonarismo, e suas digitais em tantas ações pelo país. Fala da convocatória da mobilização dos caminhoneiros, onde o texto remete ao discurso do candidato do PSL. E digitais ainda intactas desde a primeira mobilização, quando os empresários fomentadores da paralisação não foram punidos e os cofres do governo abertos. E isso respaldados na certeza de ser a única categoria que, de fato, pode parar o país.

A convocatória não obteve sucesso, mas é revelador que tenha aparecido juntamente com o início do horário eleitoral gratuito, revelando um movimento que pretende tomar lugar do lulismo como eixo da disputa. O caos favoreceria Bolsonaro, pois que sua marca é sobrepor a força à razão.

E o capitão, rei das redes sociais, ataca Alckmin com a certeza do eco, chamando de mimimi essa coisa de ser educadinho, e que afirma: “tô colocando o meu na reta por vocês ou vocês acham que não estou ameaçado o tempo todo?”.

O contraponto a Bolsonaro foi o que restou a Alckmin, que navega contra a maré depois que seu partido foi atingido em cheio pela Lava-Jato e pelas políticas de aferição de resultados, criadas pelo próprio PSDB.

Geraldo, não conseguindo responder por que o Estado comandado pelo seu partido há 24 anos anda atrasado na educação, culpou a metodologia do ministério comandado pelo DEM, seu aliado. E o tropeço dá fôlego ao discurso de Bolsonaro “sobre a governabilidade paralisante de seu maior adversário”.

Maria Cristina aponta mais. Blindado por seu eleitorado, Bolsonaro escuda-se contra Ciro e Marina, que partiram para cima. A primeira foi contra Marina, chamando-a de fraca no debate. Diz que ele reage com o mesmo apelo daquele que está no outro polo, com a sua propaganda levando-o ao cordão dos perseguidos. “A reação vitimizada do capitão consolida a resiliência de seu eleitorado”, diz ela.

A articulista critica, ainda, a reação dos militantes do PT, surpreendidos pela decisão do TSE, que abrem o flanco. Ocupados em salvar a bancada, ainda aferrados à onipresença de Lula, ela entende que estreitam o tempo de compatibilização entre o discurso e a figura de “um rapaz com pinta de rico de quem mal sabem o nome”.

A um mês da eleição, que ainda está indefinida, a certeza, de acordo com Maria Cristina, parece ser a radicalização. E neste ponto não é só o bolsonarismo de raiz que ferve. A articulista lembra que um grupo de generais de quatro estrelas se reuniram em Porto Alegre sob o temor de que Bolsonaro não ganhe no primeiro turno e que, caso vá ao segundo, perderá se a disputa for para “o todos contra um”. Na cúpula do Exército, a resistência ao nome do capitão é apenas residual.

Para ela, nem o liberalismo exacerbado da assessoria econômica ao candidato assusta, já que a soberania hoje é uma carabina enferrujada. Mas prestam atenção à violência, corrupção e protagonismo que vislumbram em seu eventual governo. E também a ida para o limbo com um revés do candidato, fazendo planos de um general na pasta da Defesa.

Nos últimos quatro anos o Exército sugeriu uma identidade de propósitos, com sucessivas condecorações dos magistrados da Lava-Jato. A campanha eleitoral deixou isso explícito. E Bolsonaro trouxe para sua campanha Onyx Lorenzoni, principal articulador das dez medidas contra a corrupção. E trouxe o General Mourão, amigo de Carlos Eduardo Thompson Flores e desembargador do TRF4, aquele que aplaudiu as decisões contra Lula antes mesmo que chegassem à sua instância, e várias vezes condecorado pelo Exército.

Isso coloca Bolsonaro, diz a articulista, aquele que não dispõe de tempo na propaganda oficial ou fundo eleitoral, devidamente munido de uma coligação com a farda e a toga.

Leia a coluna na íntegra aqui.

Uma resposta to “Janio de Freitas: A facada salvou Jair Bolsonaro”

  1. heloizahelenapiasblog Says:

    maníaco depressivo, isto requer um bom atendimenyo pelo sus; ________________________________________

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