Não pode deixar ele crescer: Em 8 dias, MP/SP denuncia Haddad duas vezes, usando a mesma causa pela 3ª vez

Cíntia Alves, via Jornal GGN em 4/9/2018

O Ministério Público de São Paulo denunciou, na terça-feira [4/9], Fernando Haddad, candidato do PT à vice-presidência da República, por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Só que os fatos narrados nesta acusação se repetem em outras duas ações que já foram apresentadas contra o ex-prefeito – a última delas, há menos de 10 dias, em 27 de agosto.

Foi só o PT avisar que iria denunciar no Conselho Nacional do Ministério Público a 2ª investida contra Haddad, por considerá-la uma operação boca-de-urna contra o vice de Lula, que o promotor Marcelo Mendroni sacou a terceira acusação.

Em tese, a Justiça proíbe que uma pessoa seja acusada com base nos mesmos fatos em mais de uma ação, para evitar julgamentos conflituosos. Na prática, porém, o Ministério Público do Estado tem usado a mesma delação premiada para atacar Haddad em três frentes distintas.

Na primeira, que está na Justiça Eleitoral, o MP diz que Haddad foi beneficiado por caixa 2 na campanha de 2012. Isso porque o delator Ricardo Pessoa, da UTC, afirma ter pago, supostamente a pedido de João Vaccari Neto, uma dívida do PT junto a uma gráfica. Essa dívida seria de R$3 milhões, mas a UTC negociou para pagar R$2,6 milhões. O dono da gráfica reconhece o recebimento dos recursos, mas afirma que não há elo com a campanha de Haddad.

Na segunda denúncia, uma ação civil por improbidade administrativa, o promotor Wilson Tafner reciclou a mesma delação para acusar Haddad de enriquecimento ilícito. As declarações de Pessoa foram reembaladas pelo MP/SP, acrescidas de matérias de jornais, outras delações da Lava-Jato e as impressões da Promotoria – que basicamente sustenta que Haddad fez com a UTC em São Paulo o mesmo que o PT fez com a Petrobras e as empreiteiras no plano nacional.

O GGN destrinchou neste artigo aqui a segunda denúncia, apontando seu caráter esquizofrênico. O MP/SP mistura, sem cerimônia, as convicções do promotor com as delações (inclusive, algumas que contrariam a tese da acusação) e notícias de jornais, supondo que atos indefinidos tomados por Haddad durante seu mandato beneficiaram a UTC em troca dos R$2,6 milhões.

Agora, na terceira frente, os mesmos fatos são resgatados para denunciar Haddad na área criminal. Quem reportou a notícia foi o UOL, mas sem dar detalhes do que consta na acusação.

O portal apenas informa que o PT teria usado uma rede de gráficas para receber a vantagem indevida e “indireta” em relação a Haddad. Não há relatos do que o ex-prefeito teria feito em troca da propina, para justificar a peça por corrupção, lavagem e formação de quadrilha. A descrição da operação de lavagem em favor da gráfica que recebeu os R$2,6 milhões, com participação de Alberto Youssef, já foi narrada nas demais denúncias.

***

NÃO SE PODE DEIXAR HADDAD CRESCER. CHAMEM O MP.
Fernando Brito, via Tijolaço em 4/9/2018

Vergonhoso o papel do Ministério Público de São Paulo – todos sabem que a instituição foi transformada numa espécie de diretório do PSDB – arranjando uma denúncia de boca-de-urna contra Fernando Haddad.

A peça é um primor, um mau panfleto de campanha eleitoral (os grifos são meus).

Na falta de provas, e sem saber apontar qual teria sido o ato de corrupção, apela para o “Domínio do Fato” e para a “caracterização presumida” do crime, que seria aquela em que “parte-se de contra-indícios, elementos de prova e/ou provas indiretas, que devem ser conjugados com a situação real da pessoa investigada ou suspeita, formando-se um contexto probatório que tenha por conclusão uma situação processual tal que permita deduzir a prática do(s) crime(s) antecedente(s).”

A coisa é toda assim na base do “não podia deixar de saber” e “não iam pagar contas por mera liberalidade”, sem nunca chegar ao ponto de afirmar que tal ou qual benefício foi dado à empreiteira UTC que, aliás, teve contratos extintos, por sobrepreço, na gestão Haddad, depois de firmados por Gilberto Kassab, seu antecessor.

Com passe nesta barafunda, que o juiz enxergue crime “também no seu “interior”, no respectivo subjetivismo, nas suas entrelinhas, nas “informações ocultas”, nas referências, na compreensão da representação e do significado do fato; nas circunstâncias que ele, como ser humano com capacidade analítica e interpretativa, consegue abstrair daquilo que não é claro, não é visível e nem aparente, que não está escrito, mas sabe existir, e pode fundamentá-lo.”

Parece-se com aquela que, anos atrás, se apresentou contra Lula, citando Marx e “Hegel” e sem qualquer prova. Mas, no estado em que se encontra o Judiciário brasileiro, não quer dizer que não vá ser aceita, como aquela foi fatiada e inseminou o processo em que Sérgio Moro condenou Lula, enquanto todos os outros acusados eram absolvidos.

Exatamente pela monstruosidade que escrevem sobre o juiz condenar a partir “daquilo que não é claro, não é visível e nem aparente, que não está escrito, mas sabe existir, e pode fundamentá-lo.”

O fundamento, claro, é “eu quero condenar”.

Uma resposta to “Não pode deixar ele crescer: Em 8 dias, MP/SP denuncia Haddad duas vezes, usando a mesma causa pela 3ª vez”

  1. Aristóteles Barros da Silva Says:

    Poder Judiciário – instituição aviltada e falida. Graças ao STF, Ministério Público e Moro – o semideus!

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