O que o mundo disse sobre a cassação de Lula nas eleições 2018?

Correspondentes internacionais interpretaram que a decisão do TSE que cassou a candidatura de Lula favorece Bolsonaro com transferência de votos.

Via Jornal GGN em 2/9/2018

PARA IMPRENSA INTERNACIONAL, DECISÃO DO TSE QUE EXCLUI LULA DÁ VANTAGEM PARA BOLSONARO
Via RFI Brasil em 1º/9/2018

A imprensa internacional reagiu no sábado [1º/9] ao bloqueio da candidatura do ex-chefe de Estado Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Na França, os jornais dão destaque ao “futuro incerto” do país sem a participação do líder petista nas eleições de 2018. Nos países anglo-saxões, os sites de notícia apontam para a maior possibilidade de vitória do candidato Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL).

“E agora? A eleição presidencial brasileira mais imprevisível em trinta anos se afunda, ainda mais, em direção ao desconhecido”, começa a matéria de Chantal Rayes, correspondente do jornal francês Libération. A reportagem afirma que Lula teria preferido que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) empurrasse o julgamento de sua candidatura o máximo possível, para que ele se firmasse ainda mais na mentalidade do povo brasileiro.

“Provocar discussões sobre Lula, apresentá-lo como candidato, permitiria a transferência de seu prestígio político a seu herdeiro (que permanece desconhecido e tem apenas 4% das intenções de voto) […] A decisão do TSE deve acelerar a passagem de trono a Fernando Haddad (Partido dos Trabalhadores)”, diz Rayes. “O ex-presidente conseguirá, apesar de tudo, transmitir sua imensa popularidade a Haddad, sobretudo no nordeste?”

Le Monde usou o mesmo tom que o Libération, evocando a falta de perspectiva dos próximos meses no país. Para a rádio francesa RTL, foi o “fim do suspense” numa nação que vive sob o risco de uma reviravolta teatral. “Ainda que o resultado fosse esperado, o voto do juiz Edson Fachin levantou uma dúvida”, diz o artigo. “Mas as esperanças de Lula foram aniquiladas, já quando os resultados apontavam 4 contra 1.”

Caminho livre para Bolsonaro
O jornal britânico The Guardian chama a atenção para uma das eleições mais “imprevisíveis e polarizadas” em décadas. Na reportagem, também há menção à vantagem que o bloqueio da candidatura de Lula dará a Jair Bolsonaro, que está em segundo lugar nas intenções de voto atrás do ex-presidente. “A questão para os eleitores de Lula é se ele será capaz de transferir seus votos para Haddad antes do primeiro turno no dia 7 de outubro”, afirma o texto do jornalista Dom Philips.

A batalha do PT, entretanto, será dura, como indica o jornal The New York Times: “As pesquisas que excluem Lula indicam que Bolsonaro assume a liderança com 22% das intenções de voto, seguido pela ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, com 16%”. O ex-prefeito de São Paulo, de acordo com o jornal norte-americano, é frágil demais como candidato – um “economista, advogado e professor universitário com pouco reconhecimento nacional”. Para o The New York Times, Lula cometeu o mesmo erro de outros “gigantes políticos” da América Latina: falhou em preparar uma nova geração de líderes.

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