Provas unem inquéritos da Odebrecht e dos Portos contra Temer

Acusações da Odebrecht contra grupo de Temer, de relatoria de Fachin, são compartilhadas ao Inquérito dos Portos, nas mãos de Barroso.

Via Jornal GGN em 28/8/2018

Além das próprias acusações contra Michel Temer, o inquérito dos Portos e a denúncia de repasses de R$10 milhões da Odebrecht ao MDB guardam mais coisas em comum: a atuação do ex-assessor e amigo de Temer, José Yunes.

Na quarta-feira [22/8], o delegado Cleyber Malta Lopes, que investiga o processo relacionado ao decreto que favoreceu empresas que atuam no Porto de Santos, histórico reduto de influência peemedebista, pediu ao delegado Thiago Delabary o compartilhamento de informações da delação da Odebrecht.

Este último tramita sob a relatoria do ministro Edson Fachin, por guardar relações com o esquema de corrupção da Petrobras, e a última acusação envolve um encontro de peemedebistas em 2014 com Marcelo Odebrecht, presidente da construtora, para repasses ilícitos que alimentariam a campanha do partido.

Além de Temer, estiveram presentes no encontro os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco. Neste caso, Yunes foi acusado por delatores da Odebrecht e pelo doleiro Lúcio Funaro de ser o intermediador dos repasses da empreiteira ao grupo político do hoje presidente da República.

Nessa investigação, que tramita nas mãos de Fachin, levam ainda à tese de o dinheiro obtido por Temer com a Odebrecht teria sido, inclusive, usado para reformas em apartamento de familiares do mandatário.

Ainda, o nome de Yunes aparece em um e-mail, de remetente anônimo, sobre um suposto desvio de dinheiro da Odebrecht para “Michel Temer ou José Yunes”, mencionando uma empresa do ramo imobiliário administrada pelos filhos do advogado e ex-assessor de Temer, a Yuny Incorporadora.

A empresa teria adquirdo Certificados de Potencial Adicional de Construção emitidos pela Prefeitura de São Paulo (Cepacs) na ordem de R$68 milhões, no ano de 2012, e vendido à Odebrecht no ano seguinte por R$97,5 milhões, gerando um lucro de quase R$30 milhões à Yuny.

Em resposta, a Yuny Incorporadora informou ao GGN que “lamenta que uma operação absolutamente normal, regular e inerente às suas atividades seja noticiada de forma injustificavelmente suspeita” [leia a nota da empresa abaixo].

Não foi calculado diferença de impostos porque o pagamento pela primeira compra ocorreu no mesmo mês que a Odebrecht teria feito o repasse pela subcompra. O documento é uma denúncia anônima, enviada ao Ministério Público e à Polícia Federal, e inclui o contrato confidencial entre a Yuni e a Odebrecht.

Já no esquema do decreto dos Portos, que no Supremo Tribunal Federal está sob a relatoria do ministro Luís Barroso, Yunes chegou a ser preso em março deste ano durante a deflagração da Operação Skala, juntamente com o dono da Rodrimar, Antônio Celso Grecco, uma das empresas que teriam sido beneficiadas, e o coronel Lima, também ex-assessor e amigo de Temer.

“Os elementos colhidos revelam que Rodrigo Rocha Loures, homem sabidamente da confiança do Presidente da República, menciona pessoas que poderiam ser intermediárias de repasses ilícitos para o próprio presidente da República, em troca da edição de ato normativo de específico interesse de determinada empresa, no caso, a Rodrimar S/A”, disse Barroso, ao abrir o inquérito dos Portos.

Assim como vem afirmando o governo de Michel Temer desde 2017, o ex-presidente da Rodrimar sustenta que o decreto dos Portos não teria beneficiado a empresa. A conclusão do depoimento de Grecco foi anexa a um relatório da Polícia Federal, produzido em março deste ano.

No documento, a PF redigiu trechos do depoimento do empresário, de que a Rodrimar não havia sido favorecida pelo decreto, mas que Grecco admitiu que tinha interesse no “adensamento” de uma área no Porto de Santos, apesar de a venda da área ter sido negada pelo próprio governo. Em resposta ao GGN, a Rodrimar sustentou essa versão.

Neste mesmo caso, José Yunes também é investigado de ser um dos operadores de repasses ilícitos envolvendo Michel Temer.

Abaixo, a resposta da Yuny Incorporadora
A Yuny Incorporadora lamenta que uma operação absolutamente normal, regular e inerente às suas atividades seja noticiada de forma injustificavelmente suspeita. Nesse sentido, esclarece que, em 2010 adquiriu um terreno da empresa multinacional Timken, com a intenção de erguer um empreendimento imobiliário na região do Morumbi em São Paulo. Na sequência, foi contratado renomado escritório de arquitetura para desenvolvimento do projeto e, em 2012, adquiridos Cepac’s em leilão promovido pela Prefeitura da Cidade de São Paulo.
O projeto foi devidamente protocolado em 2011 e os Cepac’s vinculados a aquele empreendimento. Em paralelo, foram contratadas empresas especializadas para promover a descontaminação do terreno, onde anteriormente havia funcionado a fábrica da Timken. Após quase três anos, a Yuny desistiu do negócio, considerado demasiadamente arriscado em razão da alteração das condições de mercado (excesso de ofertas na região) e, especialmente, da complexidade da operação para descontaminação do terreno. O contrato foi rescindido e o terreno foi devolvido à Timken em 2013. Na mesma época, diante da grande valorização dos Cepac’s ao longo deste período, a Yuny decidiu vende-los a outras empresas.
A Prefeitura não estava realizando leilões e o mercado secundário (venda entre empresas do setor) era a única opção para quem desejava construir em determinadas regiões. A venda dos Cepac’s foi realizada a duas construtoras, sendo uma delas a Odebrecht (empresa que naquele momento ainda não estava sendo investigada e era a maior construtora do Brasil). Referidas transações se deram por meio de corretores, pelo valor de mercado e foram regularmente escrituradas e contabilizadas. O fato da empresa ter auferido lucro com esta operação não envolve, portanto, qualquer irregularidade, cabendo ressaltar que o Sr. José Yunes não possui nenhum vínculo com a Yuny Incorporadora desde o ano de 2006.

A resposta da Rodrimar
Como tem reiterado, a Rodrimar informa que a própria Polícia Federal já concluiu em relatório de março, enviado ao STF, que a empresa não foi beneficiada pelo decreto dos portos.

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