Temer e sua chefe de gabinete respondem à PF sobre repasses da Odebrecht

Nara de Deus, a atual chefe de gabinete de Temer a 21 anos.

“Não tenho a menor ciência”, disseram sua funcionária e o mandatário sobre acordo para repasses ilícitos da Odebrecht em 2014.

Via Jornal GGN em 23/8/2018

Trabalhando para Michel Temer há 21 anos, Nara de Deus, a atual chefe de gabinete do mandatário, afirmou à Polícia Federal (PF) que, apesar de ser sua secretária e assessora, não agendava ou registrava os encontros do emedebista e que eventos fora da agenda oficial era “fato comum”.

Nara foi secretária, administradora de campanha, chefe de gabinete, administradora da vice-presidência e quase uma ministra de Michel Temer, e foi intimada a prestar depoimento aos investigadores sobre o repasse de R$10 milhões da Odebrecht ao MDB em 2014.

O caso era aquele envolvendo uma reunião do então vice-presidente e outros caciques do PMDB com Marcelo Odebrecht para tratar de doações de campanha. Na sexta-feira [17/8], a secretária que hoje é chefe de gabinete disse não ter “a menor ciência” sobre acertos de pagamentos da empreiteira ao partido e que “somente” teve conhecimento do episódio pela imprensa.

Ainda, aos investigadores, Nara de Deus disse que não foi ela que agendou aquela reunião, “esclarecendo que a administração da agenda oficial do então vice-presidente era tarefa afeta à depoente” e que eventos extraoficiais era “fato comum naquela época”, diz a narração da PF sobre o depoimento.

Saindo em defesa do mandatário, para o qual trabalha desde 1997, quando Temer era deputado federal e assumia a Presidência da Câmara, Nara respondeu aos delegados que o emedebista sempre “foi muito receptivo”, ainda quando congressista”, por “características pessoais”.

“Que esse comportamento acessível era, inclusive, traço marcante de sua atividade política”, destacou a chefe de gabinete, completando que isso foi favorável à sua eleição à Presidência da Câmara por dois mandatos, e que essa “abertura” seguiu quando se tornou vice-presidente, “com a prática de receber pessoas sem observar o rigor da agenda oficial”.

Apesar de trabalhar há duas décadas para o hoje mandatário, Nara disse que desconhece relações comerciais ou societárias entre Temer e o coronel João Batista Lima Filho e o advogado José Yunes, ambos ex-assessores e amigos do presidente.

E não foi somente Nara alvo dos questionamentos dos investigadores. Apesar de o próprio Temer já ter respondido a perguntas da PF, por escrito, os delegados solicitaram ao ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso no STF, enviar perguntas novamente.

Assim, 20 questões foram elaboradas no dia 7 de agosto com base nas delações premiadas de executivos da Odebrecht, algumas delas repetidas de envios anteriores, com foco no encontro em que Marcelo Odebrecht tratou das doações da empreiteira ao partido, em 2014. “Vossa Excelência foi aquinhoado com alguma parcela desses valores?”, foi um dos questionamentos.

“Alguns executivos da Odebrecht afirmaram, no âmbito de seus respectivos acordos de colaboração, que, em meio à segunda rodada de concessões de aeroportos, receberam do ministro Moreira Franco solicitação de apoio financeiro à campanha do PMDB, o que teria redundado na disponibilização de R$4 milhões pela construtora, em recursos não contabilizados”, relembrou o delegado Thiago Delabary.

“Vossa Excelência teve ciência da solicitação e do encaminhamento dos valores? Vossa Excelência foi destinatário de alguma fração desses valores?”, perguntou, em seguida. “Não tenho a menor ciência do aporte desses recursos. Em razão deste fato, descabida a segunda parte da questão”, foi a resposta do mandatário.

“Vossa Excelência participou de jantar realizado no Palácio do Jaburu, em maio de 2014, no qual estiveram presentes Marcelo Odebrecht e Cláudio Melo Filho? Em caso de resposta afirmativa, quem mais participou do evento, qual o propósito de sua realização e o que foi efetivamente tratado?”, foi outro questionamento.

E Temer respondeu: “Deu-se o jantar. Além dos mencionados na pergunta, o ministro Eliseu Padilha. Marcelo Odebrecht comunicou que iria colaborar com vários candidatos do PMDB, o que fez oficialmente por meio do partido”.

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