Ibope: 40% dos eleitores de Marina e Ciro dizem que votariam em candidato de Lula

Percentual indica batalha acirrada com Haddad por espólio do ex-presidente.

Bruno Boghossian, via UOL em 22/8/2018

Cerca de 40% dos eleitores de Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) dizem que votariam “com certeza” no candidato apoiado por Luiz Inácio Lula da Silva, aponta a mais recente pesquisa Datafolha. O percentual indica que a dupla travará uma batalha acirrada com Fernando Haddad (PT), que deve substituir o ex-presidente na corrida.

Marina e Ciro são os candidatos que mais crescem quando Lula é excluído do cenário eleitoral. A ex-senadora herda parte dos votos do petista e sobe de 8% para 16%. Já Ciro passa de 5% para 10%.

Boa parte do eleitorado da dupla, no entanto, permanece na zona de influência do ex-presidente. Entre aqueles que declaram voto em Marina, 38% dizem que escolheriam o nome apoiado por Lula. No caso de Ciro, esse índice é de 42%.

A última pesquisa do Datafolha indica que a corrida pode sofrer alterações porque uma proporção significativa de entrevistados não sabe quem Lula apoiará ao ter sua candidatura barrada.

Entre eleitores de Marina, 52% não sabem responder quem será o substituto de Lula e 23% acham que a ex-senadora terá o apoio do petista. Só 7% respondem que Haddad será apadrinhado pelo ex-presidente.

No grupo de Ciro, 41% não sabem quem substituirá Lula, 23% apontam o próprio ex-governador do Ceará e outros 19% indicam Haddad.

Os casos de Marina e Ciro sugerem um potencial de migração de votos dada a forte conexão do eleitorado da dupla com Lula – embora a influência do ex-presidente se aplique aos apoiadores se outros candidatos.

Dos eleitores de Geraldo Alckmin (PSDB), 27% dizem que votariam no candidato de Lula. Esse índice é de 24% entre os apoiadores de Álvaro Dias (Podemos) e de 13% no eleitorado de Jair Bolsonaro (PSL).

O Datafolha ouviu 8.433 pessoas em 313 municípios, de 20 a 21 de agosto. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou menos. A pesquisa é uma parceria da Folha e da TV Globo e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR 04023/2018.

INFLUÊNCIA DE LULA
Eleitores de Ciro Gomes (PDT)
Votaria com certeza em candidato apoiado por Lula: 42%
Talvez votasse em candidato apoiado por Lula: 22%
Não votaria em candidato apoiado por Lula: 33%

Eleitores de Marina Silva (Rede)
Votaria com certeza em candidato apoiado por Lula: 38%
Talvez votasse em candidato apoiado por Lula: 23%
Não votaria em candidato apoiado por Lula: 37%

***

IBOPE EXPÕE COMO DESEMPENHO DE HADDAD VARIA DE ACORDO COM A ABORDAGEM DE CADA INSTITUTO
Ibope apura cenário de 1º turno sem dizer ao eleitor que Haddad tem apoio de Lula. Resultado: o ex-prefeito fica em 5º lugar. No Ipespe, o eleitor é informado do explícito de Lula, e Haddad salta do 7º para o 2º lugar. Para Marcos Coimbra, do Vox Populi, faz “muita diferença” quando o eleitor tem a informação extra. “Isto é o correto”, diz ao GGN.

Cintia Alves, via Jornal GGN em 22/8/2018

O desempenho de Fernando Haddad como plano B do PT na disputa presidencial tem variado muito a depender da pesquisa. No Ibope divulgado na segunda-feira [20/8], Lula aparece em primeiro lugar em intenções de voto, com 37%, ante 18% de Jair Bolsonaro. No cenário em que Haddad é o candidato, o PT cai da 1ª para a 5ª posição, pois Haddad tem 4%. Já na pesquisa Ipespe/XP publicada na semana passada, Haddad aparece em empate técnico com Bolsonaro, saltando do 7º para o 2º lugar. O que explica essa diferença?

Em parte, a responsabilidade pode estar na forma como os institutos de pesquisa abordam o eleitor a respeito de Haddad.

No Ibope, ele não é citado como o candidato do PT com apoio de Lula quando o cenário de 1º turno é avaliado. O instituto introduz o nome de Haddad junto com os demais candidatos e não informa ao eleitor que ele é apoiado por Lula.

O que o Ibope faz é, numa primeira rodada, entregar ao eleitor um cartão com as opções de candidato incluindo Lula. Depois, faz uma segunda rodada, e troca o cartão por outro em que Lula é substituído por “Fernando Haddad” apenas.

No Ipespe, o Haddad é apresentado ao eleitor de duas formas: uma com “o apoio de Lula” e outra sem. É aí que fica evidente que, quando o entrevistado, tem a informação extra, o desempenho de Haddad é melhor.

Sem o “apoio de Lula”, Haddad aparece no Ipespe com 7% das intenções de votos. Quando o eleitor sabe que Haddad tem o “apoio de Lula”, ele marca 15% e fica atrás somente de Bolsonaro, com 21%. Como a margem de erro é de 3,2 pontos para mais ou para menos, o Ipespe alerta que os dois estão em empate técnico dentro do limite da margem de erro.

Ibope apura rejeição de haddad, que chega a 60%
Depois de apresentar Haddad junto com os demais candidatos à Presidência sem alertar ao eleitor que ele tem apoio de Lula, o Ibope faz uma pergunta separada para aferir a rejeição do petista.

A todos os eleitores, e não apenas àqueles que declaram voto em Lula, o Ibope pergunta: “Caso o candidato pelo PT, Lula, seja impedido de disputar a eleição para presidente da República e declare seu apoio a Fernando Haddad, o(a) sr(a) com certeza votaria em Fernando Haddad, poderia votar nele ou não votaria em Fernando Haddad de jeito nenhum?”

O resultado ajuda a produzir manchetes como esta da Gazeta do Povo: “Ibope mediu Haddad com apoio de Lula e 60% disseram não votar nele ‘de jeito nenhum’”.

Haddad teria ainda potencial para atingir 27% dos votos, considerando a soma dos 13% que declaram que votariam nele com certeza aos 14% dizem que poderiam votar nele.

Eis o resultado:

Com certeza votaria em Fernando Haddad: 13%
Poderia votar nele: 14%
Não votaria em Fernando Haddad de jeito nenhum: 60%
Não o conhece o suficiente para opinar (esp.): 7%
Não sabe/ Não respondeu: 5%

Informar ou não o apoio de Lula a Haddad faz diferença?
Em entrevista ao GGN, o cientista político Marcos Coimbra, do Instituto Vox, disse que faz “uma diferença enorme” quando o instituto informa ao eleitor que Haddad é apoiado por Lula. No contexto atual, o fato é que Lula é o candidato registrado pelo PT, então a maioria da população não vê Haddad como a alternativa ao ex-presidente. Para Coimbra, o eleitor, ao ser introduzido a Haddad, tem o “direito de saber” do apoio de Lula. “Não me parece ser nada ilegítimo do ponto de vista de pesquisa. Pelo contrário, isto é o correto. Ao apresentar o nome de Haddad, Jaques Wagner ou outro candidato do PT, sem informar que tem o apoio do Lula, [a pesquisa] não diz nada.”

Leia a entrevista com Marcos Coimbra aqui.
Acesse a pesquisa do Ibope aqui.

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