Bernardo Mello Franco: Quem quer carregar Temer?

Não está fácil pra Alckmin e Meirelles.

Bernardo Mell Franco em 17/8/2018

Quando o governo vai bem, todo candidato busca o apoio do Planalto. Quando vai mal, ninguém quer ser visto ao lado do presidente. A eleição de 2018 se enquadra no segundo caso. Reprovado por 82% dos brasileiros, Michel Temer virou uma companhia tóxica. Os políticos se escondem dele como o Super-Homem foge da criptonita.

O primeiro dia de campanha deixou claro que o momento é da oposição. Em São Paulo, Marina Silva criticou o descaso com a saúde e disse que o Brasil está “quase na UTI”. Em Curitiba, Fernando Haddad acusou Temer de se comportar como um “pau-mandado dos Estados Unidos”. “O governo é completamente subalterno aos interesses norte-americanos”, atacou, depois de visitar Lula na prisão.

No Rio, Ciro Gomes festejou um reforço inesperado. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Temer o acusou de dizer “barbaridades” e afirmou que ele pretende “destruir” o legado do governo atual. “Acabei de ganhar na loto!”, ironizou o candidato do PDT. “O presidente Michel Temer acabou de anunciar que o adversário dele sou eu”, prosseguiu.

Na mesma entrevista, o presidente deu um presente de grego a Geraldo Alckmin. Ao ser questionado sobre o fato de tantos aliados apoiarem o tucano, ele deu uma resposta marota. “Se você dissesse: ‘Quem o governo apoia?’. Parece que é o Geraldo Alckmin, né? Os partidos que deram sustentação ao governo, inclusive o PSDB, estão com ele”, disse o emedebista.

O candidato oficial do Planalto, Henrique Meirelles, não consegue passar de 1% nas pesquisas. Diante de seu naufrágio iminente, os governistas tentam pular para o barco de Alckmin. O risco é que a carga extra impeça o tucano de chegar ao 2º turno.

Ao ser questionado sobre as declarações do padrinho, Meirelles não se mostrou aborrecido. “O presidente tem as suas preferências”, desdenhou. “As pessoas entendem que seria até favorável a mim”, prosseguiu. De bobo, o ex-ministro não tem nada.

Quando o governo vai bem, todo candidato quer apoio do presidente. Quando vai mal, ninguém fica ao lado dele. A eleição de 2018 se enquadra no segundo caso.

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