Últimos suspiros: Grupo Abril anuncia pedido de recuperação judicial

Via Jornal GGN em 15/8/2018

O Grupo Abril anunciou na quarta-feira [15/8] que entrou com um pedido de recuperação judicial, justificando-se pelo impacto dos meios digitais no mercado de comunicação e pela profunda crise econômica no Brasil. No anúncio, a editora que está perto de completar 70 anos de existência afirmou precisar submeter à recuperação R$1,6 bilhão a ser negociado com seus credores.

“A medida, prevista em lei, serve para que a empresa possa buscar um novo equilíbrio de suas contas, afetadas nos últimos anos por uma combinação de duas forças negativas”, informou, em nota, a Exame, uma das revistas do grupo.

“Uma delas é a ruptura tecnológica que atinge mundialmente as atividades de comunicação – incluindo o jornalismo e a publicidade. A outra diz respeito aos impactos da profunda crise no Brasil, cuja marca mais evidente foi uma queda acumulada de 10% no produto interno bruto per capita, causando a perda de milhões de empregos e dificuldades para inúmeras empresas”, explicou.

Entretanto, a reestruturação da empresa vem sendo feita há mais de um ano. Em outubro de 2017, por exemplo, a Legasi (antiga 44 Capital) iniciou diversos cortes para reduzir o endividamento do grupo, que atingia no ano passado R$330 milhões, de acordo com relatório da PriceWaterhouseCoopers.

Com troca do comando da Abril, nas mãos de Marcos Haaland, executivo da A&M, o grupo já havia demitido cerca de 800 funcionários e fechado a produção de parte das revistas e sites.

“Do total de investimentos em publicidade das grandes empresas em 2010, uma fatia de 8,4% era dirigida para revistas. Essa participação caiu para 3% em 2017. A circulação de revistas, no mesmo período, baixou de 444 milhões de exemplares por ano para 217 milhões”, anunciou.

O pedido de recuperação judicial foi ingressado hoje na Justiça e ainda precisa ser analisado por um juiz para definir um plano de recuperação, que será apresentado pelos credores da editora em até 60 dias.

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