Presidente de centro cultural árabe diz que Bolsonaro precisa estudar após ameaça de retirar embaixada palestina de Brasília

Via Agência Sputinik em 11/8/2018

O deputado federal e pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL), gerou polêmica ao afirmar que, se eleito, pretende retirar a Embaixada da Palestina do Brasil, uma vez que não considera a Palestina um país, embora Brasília tenha a reconhecido como Estado independente em 2010.

Segundo o político, que já defendeu inúmeras vezes a aproximação do Brasil com Israel, a instalação do prédio na capital federal, em 2016, seria resultado de uma negociação da ex-presidenta Dilma Rousseff com terroristas, numa espécie de “puxadinho”.

“A Dilma negociou com a Palestina e não com o povo de lá. Você não negocia com terrorista, então, aquela embaixada do lado do (Palácio do) Planalto, ali não é área para isso”, afirmou o deputado, citado pelo Estadão.

Indignado com as declarações do deputado em relação ao seu país de origem, o presidente do Centro Cultural Árabe-Brasileiro, o empresário Ahmed Ramadan, disse em entrevista à Sputnik Brasil que o posicionamento do candidato do PSL em relação à Palestina reflete claramente a influência israelense sobre sua candidatura, uma evidente troca de interesses. Para ele, Bolsonaro, ao se envolver em polêmicas como essa, demonstra não entender a profundidade dos laços brasileiros não apenas com os palestinos, mas também com toda a comunidade árabe e muçulmana em geral.

“O Brasil é muito amado pelo povo árabe. Tem relações comerciais, esportivas, relação cultural com o Brasil. Aliás, a colônia árabe aqui no Brasil é muito forte. Mais ou menos, entre 20% e 30% dos brasileiros são descendentes de árabes. Não tem nenhum brasileiro que não tenha boas relações com árabes, de amizade ou descendência”, afirmou Ahmed, acusando o parlamentar de querer fechar as portas do Brasil para os países árabes em troca do apoio de Israel, o que, segundo ele, prejudicaria até a economia brasileira.

Também de acordo com o empresário, Bolsonaro vem mostrando com suas atitudes não estar preparado para se tornar presidente da República.

“Ele, realmente, esse candidato, ele não tem cultura, ele precisa estudar. Precisa ter alguns assessores bem esclarecidos, que conheçam as causas, as relações. Está muito fraco, como presidente, nesse lado.”

Sobre a decisão do chefe de Estado norte-americano de transferir a Embaixada dos Estados Unidos em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, provocando revoltas da população árabe e muçulmana mundo afora, Ahmed Ramadan acredita que Donald Trump atrapalhou muito a relação dos EUA com outros países após essa manobra. Para ele, Jair Bolsonaro poderia seguir o mesmo caminho, principalmente se adotar uma medida parecida.

“Mesma coisa. Ele quer destruir todas as relações do Brasil com o mundo árabe e países muçulmanos. Se ele passa a Embaixada do Brasil para Jerusalém, não vai ser só através dos palestinos um problema, nem mundo árabe, mas para todos os muçulmanos. Ele vai criar muitos problemas para o Brasil.”

Segundo o cientista político Samuel Feldberg, professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP) e personalidade de destaque na colônia judaica paulista, do ponto de vista legal, a posição de Bolsonaro sobre a Palestina tem certo embasamento lógico, e, na qualidade de presidente, ele poderia, provavelmente, tomar essa decisão em relação à embaixada sem “romper relações diplomáticas com um Estado que ainda não existe”.

“Em 2011, foi solicitada a inclusão da Palestina como estado-membro das Nações Unidas. Como essa solicitação tem que ser aprovada tanto pelo Conselho de Segurança quanto pela Assembleia-Geral – e havia uma forte probabilidade de os Estados Unidos vetarem esse pedido no Conselho de Segurança –, então, em 2012, não coincidentemente, no dia 29 de novembro, no aniversário da partilha de 1947, a Assembleia-Geral aceitou a Palestina como um Estado observador não membro. Portanto, a representação palestina participa das assembleias das Nações Unidas, mas eles não têm um status de um Estado como os outros membros das Nações Unidas”, afirmou o especialista.

Para Feldberg, a transferência da Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém, cidade sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos e disputada por israelenses e palestinos, em um eventual governo de Jair Bolsonaro, não deve ser considerada improvável. Segundo ele, no entanto, hoje, as relações do Brasil com Israel já são muito melhores do que costumavam ser e, se eleito, é possível que Bolsonaro tenha “pouco a agregar” nesse sentido.

“As relações entre Brasil e Israel estão nos melhores níveis desde a época do governo Fernando Henrique. Elas são fluidas, há uma série de interesses comuns em ampliar as relações econômicas, culturais e, portanto, o candidato Bolsonaro teria pouco, talvez, a agregar para a melhora dessas relações nesse momento.”

***

BOLSONARO É A VOZ DO APARTHEID SIONISTA NO BRASIL
Usa a tribuna da Câmara e a mídia para saudar o regime que massacra a população palestina inocente
Sayid Marcos Tenório e Ahmed Shehada, via Vermelho em 13/8/2018

O deputado e candidato a presidente da República Jair Bolsonaro, declarou na terça-feira, dia 7/8, que se eleito, mandaria fechar a Embaixada da Palestina no Brasil. Segundo ele, “a Palestina, não sendo um país, não tem direito a Embaixada aqui. Não pode fazer puxadinho”. E que “a [presidenta] Dilma negociou com a Palestina e não com o povo de lá. Você não negocia com terrorista, então, aquela embaixada do lado do [Palácio do] Planalto, ali não é área para isso”.

As declarações de Bolsonaro sobre a questão Palestina, são todas infelizes. Para manter seu discurso extremista e agradar seus chefes sionistas, ele omite que a Palestina é um Estado reconhecido por 139 das 193 nações soberanas que integram a Organização das Nações Unidas; e que o Brasil foi um dos primeiros a reconhecer o Estado da Palestina, cuja existência remonta a mais de 7 mil anos de história e civilização, terra sagrada de profetas e mensageiros.

O Brasil tem uma forte identificação com a Palestina e o seu povo alegre, esperançoso e resistente, onde mais de cinco mil brasileiros vivem em perfeita harmonia. E porque acolhemos aqui milhares de refugiados palestinos, perfeitamente integrados à vida brasileira. E, sobretudo, porque apoiamos a resistência e prestamos nossa solidariedade para que não abram mão do direito à sua pátria, estabelecendo um Estado soberano, o retorno dos refugiados às suas terras e casas de onde foram expulsos.

E existência da Embaixada do Estado da Palestina no Brasil é resultado dos princípios estabelecidos pela nossa Constituição Federal e pelo Direito Internacional, bem como do apoio do Brasil ao direito de autodeterminação do povo palestino, sinal das boas relações entre os dois países. É o coroamento de uma relação que remonta a 1975, quando a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), na qualidade de movimento de libertação nacional, foi autorizada a designar representante no Brasil e, posteriormente, em 1993, através da abertura do Escritório de Representação em nosso país. Em dezembro de 2010, através do reconhecimento, pelo Brasil, do Estado da Palestina, a Embaixada pode então ser instalada.

A questão de fundo não é a desinformação do deputado Bolsonaro, em relação à história e ao que se passa na Palestina, mas os seus compromissos políticos com sionismo internacional que roubou a Palestina e a transformou no Estado usurpador, terrorista e criminoso de guerra, denominado Israel.

Bolsonaro é a voz do apartheid sionista no Brasil, que toma corpo através dos grandes meios de comunicação para tentar tornar senso comum que o povo palestino, ao fazer uso do legítimo direito à resistência, é terrorista. O povo palestino é como todos os outros povos que lutaram contra invasões, através do sacrifício de homens e mulheres valentes, como a França, que usou a força da resistência contra a ocupação nazista; o Vietnam que mobilizou a nação e derrotou o poderoso exército dos EUA; e a Argélia, que lutou contra e venceu a ocupação francesa, numa guerra que custou a vida de milhões de mártires.

O povo palestino luta diariamente de acordo com o Direito Internacional e as Resoluções da ONU, de peito aberto, enfrentando tanques com pedras, para honrar a sua terra e a sua história. Por isso vem pagando um alto preço por fazer uso do direito à resistência, pois sofrem como nenhum outro povo a tragédia do holocausto, apartheid e das guerras que ocorreram em seus territórios. As invasões e agressões a Gaza em 2009, 2012 e 2014, foram verdadeiros genocídios, onde milhares de pessoas perderam suas vidas em defesa de suas casas e de suas terras.

O que ocorre na Palestina hoje não é uma guerra de terroristas contra judeus, como berram os Bolsonaros. O que ocorre é uma ocupação ilegal, uma usurpação, do ponto de vista do Direito Internacional, um genocídio, um massacre, onde casas são destruídas, mulheres e crianças são mortas, escolas e hospitais são destruídos com as pessoas dentro deles.

Isso é resultado de um longo processo de conflitos armados, com momentos de extrema agressividade bélica por parte do Estado usurpador de Israel, que já custou a vida de milhões de palestinos, expansão criminosa de assentamentos em terras palestinas desde 1948, ano da Nakba (tragédia), e o estabelecimento da maior diáspora de um povo no século 20, onde cerca de 10 milhões de palestinos vivem espalhados em dezenas de países, devido ao avanço dos assentamentos e a consecutiva expulsão da população local.

Bolsonaro é admirador das medidas perigosas tomadas pelo regime usurpador de Israel para continuar a ocupação de todo o território palestino. Tem usado a Tribuna da Câmara dos Deputados e a mídia para saudar o regime que massacra a população palestina inocente, que pratica mudança na composição demográfica bem como a expansão permanente das colônias e cerco à Faixa de Gaza, que priva o povo palestino de seus direitos básicos.

A Palestina é símbolo da busca por liberdade, por paz, justiça e respeito ao Direito Internacional, à soberania e aos direitos humanos.

O resto é discurso vazio, frases de efeito e demonstração de servidão ao apartheid sionista, exercido por um verme de extrema-direita que faz do discurso racista, mote para tocar parcela da população desinformada e entorpecida pelo ódio fartamente difundido pelas redes sociais.

Sayid Marcos Tenório é diretor do Cebrapaz e Ahmed Shehada é presidente do Instituto Brasil Palestina (Ibraspal).

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