Temer quer acabar com as bolsas de pós-graduação da Capes

Com proposta orçamentária, todas as bolsas de pós-graduação podem ser suspensas. Programa de formação de professores também sofre, e 198 mil profissionais podem ficar sem renda.

Via RBA em 2/8/2018

A proposta de orçamento do governo de Michel Temer (MDB) para 2019 pode acabar com todo o programa de incentivo à pesquisa científica no país na pós-graduação (mestrado, doutorado e pós-doutorado). O alerta foi feito ontem [1º/8] pela presidência da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). De acordo com um documento assinado pelo presidente da instituição, Abílio Baeta Neves, o teto orçamentário afeta “gravemente” o setor.

Na prática, isso pode significar a suspensão de todas as bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado concedidas pela Capes, a partir de agosto de 2019. Isso deve atingir “93 mil discentes e pesquisadores, interrompendo os programas de fomento à pós-graduação no país, tanto os institucionais (de ação continuada), quanto os estratégicos (editais de indução e acordos de parceria com os estados e outros órgãos governamentais).” A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), de autoria do governo, foi aprovada em julho pelo Congresso e ainda deve passar por crivo do Supremo. O corte radical foi informado à Capes pelo Ministério da Educação (MEC).

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), destinado ao incentivo para a formação de professores no país também entra em xeque. Como um dos efeitos do orçamento do ano que vem, está prevista a “suspensão dos pagamentos de 105 mil bolsistas a partir de agosto de 2019, acarretando a interrupção do Pibid, do Programa de Residência Pedagógica e do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor)”.

A Capes ainda alerta para o impacto negativo para os programas de formação de profissionais em parceria com instituições estrangeiras, o que pode implicar, inclusive, em problemas diplomáticos. “Um corte orçamentário de tamanha magnitude certamente será uma grande perda para as relações diplomáticas brasileiras no campo da educação superior e poderá prejudicar a imagem do Brasil no exterior.” Diante desse cenário, a Capes pede ajuda urgente do MEC.

***

EM DEFESA DA CAPES, SBPC E ENTIDADES CIENTÍFICAS PRESSIONAM TEMER
Cortes inviabilizam todos os programas de fomento da agência financiadora de pesquisa. Não haverá dinheiro nem para pagar as 200 mil bolsas de estudo a partir do que vem.
Via RBA em 4/8/2018

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e cerca de 30 entidades representativas das comunidades científica, tecnológica e acadêmica e do sistemas estaduais e municipais de ciência, tecnologia em inovação assinam manifesto contra o corte no orçamento de 2019 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

No ofício enviado na sexta-feira [3/8] ao presidente Michel Temer, aos ministros da Educação, Rossieli Soares da Silva, Planejamento, Esteves Pedro Colnago, Fazenda, Eduardo Refinetti Guardi, e do MCTIC, Gilberto Kassab, prestam apoio à manifestação publicada ontem [3/8] pelo Conselho Superior da Capes sobre os cortes. O documento foi enviado também aos ministros da Educação, Rossieli Soares da Silva, da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, do Planejamento, Esteves Pedro Colnago Junior, e da Fazenda, Eduardo Refinetti Guardia.

Caso o corte seja mantido, todos os programas de fomento da agência financiadora de pesquisa serão inviabilizados. Não haverá dinheiro nem para pagar as 200 mil bolsas de estudo a partir de agosto do ano que vem.

As entidades destacam que o corte contraria decisão do Congresso Nacional, que incluiu na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) a proibição de redução de recursos para a educação e a saúde, em relação ao orçamento aprovado para 2017, corrigido pela inflação. “É fundamental que essa diretriz seja mantida por Vossa Excelência, conforme lhe foi manifestado pelos representantes das entidades científicas, em reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, no dia 01 de agosto”, conclamam os cientistas.

No final da tarde de hoje, pesquisadores se reuniram no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, em São Paulo, para protestar contra os cortes que vão afetar a Capes. Estão previstas manifestações em diversas capitais a partir deste fim de semana.

Um ato em defesa do compromisso do Estado com os bolsistas e das agências de fomento à pesquisa ocorreu também na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro. A filósofa Marcia Tiburi, presente à manifestação, afirma que “pesquisa é vida”. “A pesquisa científica não serve só para que é bolsista. Serve para proporcionar uma vida melhor para todos os cidadãos. Educação é urgente.”

Assista:

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: