Fernando Horta: A esquerda e as “massas”

Fernando Horta em 1º/8/2018

Um dos grandes problemas teóricos da esquerda é o romantismo com relação às “massas”. Há uma percepção implícita que as massas sempre tomam as melhores decisões, que agem de certa forma e precisa ser “entendidas”. No fundo é o romântico olhar para o coletivo que faz parecer que tais massas carregam sempre o bom, fazem o bem e são o que se tem de melhor.

Penso ser um erro inaceitável e perigoso.

A história mostra que a força das massas é brutal e não tem qualquer condicionamento moral. Aliás, é uma discussão antiga dentro do marxismo-leninismo e a revolução russa é pródiga para mostrar o perigo das massas sem liderança. Trotsky teve sua vida em risco diversas vezes ao decidir se dirigir às massas ensandecidas. Lênin “correu” atrás delas inúmeras vezes, tentando dar sentido aos movimentos. Coloca-los dentro de um pensamento estratégico maior.

No Brasil, o exemplo de 2013 é eloquente.

Agora caímos neste mesmo problema. Defendo que com fascista não se conversa. Com fascista não se pactua. Fascista não se “entende”. Não se devem tomar suas ações como “passíveis de racionalização” ou suas posições políticas como “racionais”. Na Alemanha de Weimar o Partido Socialista Alemão e o Comunista Alemão lançaram um memorando de indicação “à luta pela palavra” com os fascistas. Incitavam os membros a “conversar e comover” as massas fascistas. Terminou da forma como terminou.

Não caiamos nos mesmos erros. O eleitor de Bolsonaro não precisa “ser ouvido”, porque nada que ele tem a dizer faz qualquer sentido. Por isto ele vota em Bolsonaro. Se as instituições não frearem a candidatura do fascismo criminoso não haverá o que fazer. Infelizmente a história mostra que a democracia não tem meios para conter o fascismo. Em todos os lugares em que instaurou só foi contido pela violência. Onde se tentou “conversar e pactuar” eles acabaram matando a todos.

As massas são brutais, cínicas, violentas e irracionais. O fascismo é um movimento de massas e vive numa relação mútua com esta brutalidade.

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Uma resposta to “Fernando Horta: A esquerda e as “massas””

  1. Aristóteles Barros da Silva Says:

    Magnífica observação. Com fascistas não se dialoga. Eles não entendem a língua dos homens racionais. Eles/as só sabem matar!

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