Aliado de Alckmin, centrão acumula mais de 30 anos de “toma lá, dá cá”

Partidos que compõem o chamado centrão, formado por DEM, PP, PRB, PR e Solidariedade, oficializaram apoio à pré-candidatura do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência da República. Foto Antonio Cruz/Agência Brasil.

Via Congresso em Foco em 1º/8/2018

Cortejados por alguns dos principais candidatos à Presidência, o conjunto de partidos que anunciaram adesão à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) na semana passada tem histórico de quase quatro décadas de “toma lá, dá cá”, mostra o analista político Antônio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Em sua coluna no Congresso em Foco, Antônio Augusto fala sobre o passado, o presente e o futuro do chamado centrão.

Nascido na Constituinte por motivações ideológicas, em contraposição ao MDB e outros partidos que postulavam a inclusão de direitos sociais na Constituição, virou bloco de sustentação de todos os governos desde a redemocratização. Teve menos poder nos governos Fernando Collor e Itamar Franco. E vive seu apogeu no governo Michel Temer. Notabilizou-se pela exigência de cargos e recursos em troca de votos para o governo no Congresso.

“Mesmo num ambiente de crise fiscal aguda, a colheita do centrão foi generosa, especialmente sob a forma de perdão de dívidas, de renúncias e anistias fiscais. A bancada ruralista, poucas vezes, teve tantos benefícios quanto no atual governo”, avalia Antônio Augusto.

Para o diretor do Diap, Temer tem dívida de gratidão com o centrão. “Em primeiro lugar, em agradecimento aos votos pelo impeachment da ex-presidente Dilma. Em segundo, pela rejeição de duas denúncias contra o presidente. E terceiro, pelo voto em favor de reformas impopulares, como o congelamento do gasto público, a reforma trabalhista e a privatização de estatais, inclusive a abertura do pré-sal ao capital estrangeiro”, explica o analista.

O grupo, liderado por partidos como o PP, o DEM, o PTB e o PR, avalizou a chegada e a manutenção de Eduardo Cunha na presidência da Câmara. O centrão, segundo Antônio Augusto, continuará governista, seja Alckmin, seja outro o próximo presidente.

Mas o bloco deve ter mais dificuldade para obter os benefícios que barganha em troca de apoio no Congresso, prevê o analista. “Mudanças de paradigma de natureza econômico-fiscal, de um lado, e, de natureza ético-moral, de outro, não deixarão muita margem para concessões generosas ao centrão na próxima gestão presidencial.”

Antes de fechar com Alckmin, o bloco suprapartidário flertou com Ciro Gomes (PDT) e até Jair Bolsonaro (PSL).

Leia a íntegra da coluna de Antônio Augusto de Queiroz: Centrão, passado e futuro.

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