Qual foi o legado de José Serra no governo Temer?

Grão-tucano, José Serra foi ministro das Relações Exteriores do governo Michel Temer depois do impeachment de Dilma Rousseff. O que de fato ele fez como chanceler? Qual é o saldo final? Há um legado político de Serra na pasta?

Pedro Zambarda em 29/7/2018

José Serra está com 74 anos, foi ministro da Saúde de Fernando Henrique Cardoso, tentou duas vezes ser presidente contra Lula e Dilma (2002 e 2010) e saiu da pasta de Relações Exteriores do governo Michel Temer. Pediu demissão por problemas na coluna no dia 22 de fevereiro.

À colunista Vera Magalhães, do Estadão, José Serra afirmou que o problema nas costas é “incapacitante“ e que terá que fazer um tratamento de quatro meses. Sem provas, há quem diga que Serra já queria a demissão por não se sentir prestigiado. Outros avaliam que a queda de José Serra não é tão impactante quanto a de Geddel Vieira Lima, Marcelo Calero ou Romero Jucá. O tucano pode ajudar Temer a aprovar reformas no Senado, enquanto Geddel e Jucá caíram denunciados na Lava-Jato  –  e Calero desembarcou dedurando o próprio presidente da República.

O intuito desta coluna, no entanto, não é especular as razões sobre a saída de Serra e sim tentar explicar o que ele fez, de fato, ao lado de Temer após o golpe.

Foi contra a eleição da Venezuela para liderança do Mercosul. Serra foi declaradamente anti-Nicolas Maduro desde sua posse. Considera o governo local uma “ditadura bolivariana” e rompeu laços que foram constituídos com o país na gestão Hugo Chávez. Tentou também tirar influência de votos de Caracas dentro do Mercosul.

Maior proximidade com Maurício Macri, da Argentina. Numa manobra anti-Cristina Kirschner, apoiou o governo de austeridade que domina a economia argentina. De quebra, se aproximou com a administração Barack Obama. O problema? Quem ganhou foi Donald Trump e não Hillary Clinton, a sucessora de Obama.

Fechou embaixadas na África e no Caribe. A medida foi avaliada como positiva do ponto de vista da gestão financeira da pasta, mas foi mais um retrocesso do ponto de vista da expansão diplomática promovida nos anos do PT no poder.

Reuniu-se com Joe Biden, vice de Obama. Mas nada de Trump. Se Serra pretendia se aproximar dos Estados Unidos, fracassou. Celso Amorim e Lula foram mais bem-sucedidos com George W. Bush.

Fez homenagem aos mortos da tragédia do Chapecoense e muitos discursos públicos. Ao que tudo indica, José Serra não pretendia ser apenas um bom ministro. Gostaria de ser um candidato forte à presidência, de novo. Nos bastidores, comentava-se até que ele poderia abandonar o PSDB pelo PMDB se Temer o ajudasse.

O jornalista Luis Nassif e o site Portal Vermelho apontam que, de fato, Serra parecia ter problemas físicos para continuar no cargo. Professores da PUCSP consultados em reportagens, no entanto, apontam que o legado serrista na pasta, diferente dos genéricos na Saúde, foi tímido.

Eu diria que José Serra deixou um legado inexistente no governo Temer.

Buscando fazer política.

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