Depois de suicídio de reitor, professor da UFSC é intimado por evento que criticou a polícia

O ex-reitor Luiz Carlos Cancellier.

Via DCM em 27/7/2018

Reportagem de Wálter Nunes na Folha de S.Paulo informa que a Polícia Federal investiga há cinco meses o professor de jornalismo da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Aureo Mafra de Moraes, chefe de gabinete da reitoria, sob a suspeita de atentado contra a honra da delegada Erika Mialik Marena. Ela deflagrou a operação Ouvidos Moucos da PF, que apurou supostos desvios de recursos federais na universidade. A delegada participou da Lava-Jato, em Curitiba, até fevereiro de 2017, quando se transferiu para Florianópolis.

De acordo com a Folha, Aureo foi chefe de gabinete do ex-reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que, em outubro passado, atirou-se do sétimo andar de um shopping center da capital catarinense. O reitor havia sido preso 18 dias antes pela delegada, que o acusou de obstrução de Justiça – o reitor não era suspeito de desvios de recursos. À época, Cancellier negou qualquer irregularidade e deixou um bilhete póstumo no qual responsabilizava a operação policial pelo suicídio. O professor Aureo nunca foi incriminado na operação.

O inquérito agora contra o professor foi instaurado porque policiais federais viram indícios de crimes de calúnia e difamação numa reportagem da TV UFSC, produzida por alunos, sobre o evento de aniversário de 57 anos da universidade, em dezembro, acredite se quiser.

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GILMAR MENDES COBRA MINISTRO DA JUSTIÇA SOBRE INQUÉRITO CONTRA PROFESSOR DA UFSC
Via Jornal GGN em 28/7/2018

É destaque na coluna de Mônica Bergamo no sábado [28/7] a reação do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes frente a notícia de que a Polícia Federal abriu, há 5 meses, um inquérito contra um professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) por suposta calúnia, difamação e ataque à honra da delegada Erika Marena, responsável pela prisão do ex-reitor Luís Carlos Cancellier – que acabou cometendo suicídio após ser alvo da operação Ouvidos Moucos.

“O ministro Raul Jungmann [da Segurança Pública] tem que se pronunciar”, disse Gilmar. “Um bom legado dele será instalar o Estado de Direito na PF”, endossou.

Segundo reportagem da Folha de sexta-feira [27/7], a PF usou um vídeo-reportagem dos alunos da UFSC sobre o aniversário de 57 anos da instituição para abrir uma investigação em favor de Marena. O professor Aureo Mafra Moraes virou alvo por ter aparecido na produção segundo a imagem acima: em frente a um cartaz que denunciava o “abuso de autoridade” das autoridades da Ouvidos Moucos, que teria levado Cancellier ao suicídio.

“Eles [PF] não têm nenhum cuidado com a honra alheia e são tão cuidadosos quando criticam os seus”, acrescentou Gilmar. “É de assombrar”, disse outro magistrado do STF, segundo Bergamo.

O criminalista Alberto Toron também teria feito crítica à investida da PF: “Não bastasse a truculência da operação que levou à prisão e, posteriormente, por conta dela, à morte do reitor, agora querem sufocar a liberdade de crítica numa demonstração ímpar de autoritarismo.”

A delegada Erika Marena solicitou a abertura oficial da investigação em janeiro deste ano, mas somente após agentes da Polícia Federal tê-la alertado sobre o vídeo ainda em dezembro de 2017, relatou a Folha.

O ministro da Justiça ainda não se manifestou sobre o caso, que vem gerando duras críticas sobre censura nas universidades. Mas a PF de SC, por sua vez, afirmou à coluna que recebeu representação “encaminhada por servidores públicos federais que se sentiram vítimas de possíveis crimes contra a honra em face de uso de faixas nas dependências da UFSC. Como em todos os inquéritos conduzidos pela PF, é pertinente esclarecer que são investigados fatos e não pessoas”.

A Ouvidos Moucos entregou um relatório parcial da operação há alguns meses, sem apresentar nenhuma prova de enriquecimento ilícito por parte de Cancellier. Ele foi preso por Marena sob a alegação de tentar obstruir as investigações. A operação suspeitava da existência de um esquema para desviar recursos da universidade que teria começado em 2008 – mas só Cancellier era o único reitor investigado por manter nomes supostamente envolvidos em irregularidades, apesar de só ter assumido o cargo em 2016, informou a Folha.

O professor Aureo é ex-chefe de gabinete de Cancellier e, na entrevista investigada, não citou o nome da delegada nem a PF.

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