Quando era vereador no Rio, Bolsonaro dizia que “pobre não sabe fazer nada”

Bolsonaro em convenção para lançamento da candidatura, no Rio Foto: Carl de Souza/AFP.

Capitão reformado é candidato à Presidência pelo PSL.

Rubens Valente, via Folha on-line em 25/7/2018

O pobre “não sabe fazer nada”. A contenção da explosão demográfica deve ocorrer “em cima da classe mais humilde”. Mas não adianta distribuir preservativos a moradores de favelas, pois “a molecada vai brincar de bexiga”. Sobre mulheres, “tem muito pouco a falar”, a não ser que nasceu de uma. Maus políticos vão desaparecer quando “se acabarem os pobres e os miseráveis”.

Posições desse gênero eram defendidas na tribuna da Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) quando ele foi vereador, de janeiro de 1989 a fevereiro de 1991. Àquela altura, o militar tinha 34 anos de idade e estava na reserva remunerada do Exército como capitão. Ele se elegera vereador em 1988 pelo conservador PDC (Partido Democrático Cristão), que depois se fundiria com o PDS de Paulo Maluf, ex-prefeito de São Paulo.

Ditas quando a Casa não tinha um canal de TV, as palavras de Bolsonaro foram transcritas no DCM (Diário da Câmara Municipal) do Rio. A Folha pesquisou as mais de 2.000 menções ao seu nome de 1989 a 1991.
O levantamento indica que Bolsonaro fazia pronunciamentos esporádicos.

Só às vezes pedia um aparte, como em junho de 1989, numa discussão sobre uma onda de crimes violentos. Na condição de capitão do Exército, disse que teria “uma solução, vamos assim dizer”.

Sugeriu que malfeitores fossem “depositados” no meio da Amazônia. Eles não ficariam presos, mas soltos na mata. Poderiam “conviver com animais”.

Um colega brincou com o absurdo da ideia. “O que o senhor tem contra a selva amazônica para fazer uma proposta desse gênero? […] Acho que se eles forem espertos o bastante para chegarem perto de Manaus vão matar mais pessoas e nós estaríamos sendo responsáveis.” Bolsonaro não se perturbou: “Garanto que não chegam”.

Bolsonaro mencionou o controle da natalidade em duas ocasiões, sem esclarecer como pretendia fazê-lo. O vereador duvidava de métodos contraceptivos: “Não adianta vir com paliativo, mostrar folhetinhos para a população carente que é analfabeta”.

Bolsonaro relacionou, de forma pouco clara, o aumento da população à falta de qualificação profissional dos mais pobres.

“A mão de obra excedente no Brasil é dessa classe mais carente, que não sabe fazer nada. Eu recebo de vez em quando alguns ex-soldados em meu gabinete, então digo ‘companheiro, vou te empregar onde? O que você sabe fazer?’ E ele responde: ‘Sei puxar cordinha de canhão, sei rastejar, sei fazer faxina’. Vou colocá-lo onde? Com que cara vou solicitar para um amigo meu um emprego para uma pessoa que não tem uma qualificação como essa?”

Procurada, a pré-campanha de Bolsonaro não respondeu a um pedido de comentários sobre essas declarações.

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