Moro não responde se usa a agência da esposa, sócia de Zucolotto, para receber cachê

Moro, Zucolotto e Rosangêla.

Via Jornal GGN em 26/7/2018

A Agência Pública divulgou reportagem nesta semana revelando um elo entre a agência de palestras de Carlos Zucolotto e Rosângela Moro com um advogado que defendeu os procuradores da Lava-Jato Carlos Fernando dos Santos Lima e Januário Paludo. Na mesma matéria, o juiz Sérgio Moro não quis “esclarecer” os detalhes de sua relação com a agência, ou seja, se ele recebe ou não cachê por seus eventos nacionais e internacionais por meio da empresa da esposa.

A agência HZM2 Cursos e Palestras, criada em janeiro de 2018, foi revelada pela imprensa no dia 8 de julho, mas a notícia acabou sendo abafada pela guerra em torno do habeas corpus do ex-presidente Lula, naquele mesmo domingo.

Zucolotto é o padrinho de casamento de Moro e foi acusado pelo advogado Rodrigo Tacla Duran, réu na Lava-Jato, de cobrar US$5 milhões em propina para “melhorar” um acordo de delação premiada com os procuradores de Curitiba. O GGN abordou o caso na série sobre a indústria da delação premiada.

A Agência Pública revelou, agora, que a sede da agência e o escritório de advocacia de Zucolotto (onde Rosângela também já foi sócia, mas desvinculou-se com a Lava-Jato em andamento) é o mesmo prédio onde está o escritório de Vicente Paula Santos, advogado dos procuradores Santos Lima e Paludo. Além disso, os escritórios de Zucolotto e Vicente divulgam o mesmo número de telefone na internet.

“De acordo com dados da Receita Federal, na rua Nilo Peçanha, 897, no bairro Bom Retiro, em Curitiba, funcionam três empresas: HZM2 cursos e palestras, Zucolotto Sociedade de Advogados e o escritório de advocacia Vicente Paula Santos Advogados Associados”, informou.

A matéria, inclusive, cita as ações que Vicente defende em nome dos procuradores ao menos desde 2000, evidenciando a relação de longa data.

A AP também fez um levantamento e identificou que Sérgio Moro, desde que virou estrela na Lava-Jato, realizou 22 cursos e palestras no Brasil e exterior apenas entre janeiro de 2017 e julho deste ano. A reportagem tentou, mas não conseguiu obter detalhes sobre os cachês e quem eram os contratantes.

Procurado para “esclarecer a sua relação com a HZM2, uma vez que ele é muito requisitado como palestrante no Brasil e no exterior”, Moro não quis confirmar se usa ou não a agência da esposa para receber cachês desde janeiro. Ele limitou-se a dizer que as perguntas são “meramente especulativas e que partem de um pressuposto equivocado”.

“Os procuradores, por meio da assessoria de imprensa do Ministério Público Federal no Paraná, afirmaram à reportagem que o advogado Carlos Zucolotto compunha a sociedade de advogados com Vicente Paula Santos até 2012, atuando na área trabalhista, e nunca participando efetivamente de qualquer processo judicial que envolva os procuradores. Além disso, eles informaram que nenhum dos membros da força-tarefa da Lava-Jato possui ou já possuiu relacionamento pessoal ou profissional com o advogado Carlos Zucolotto Jr”, acrescentou a Pública.

Além de Zucolotto e Rosângela, participam do quadro societário da HZM2 o advogado Guilherme Henn (sócio do escritório de Zucolotto) e o professor de Direito Fernando Mânica, “que atua também no ramo de consultoria para celebração de parcerias público-privadas.”

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MORO NÃO REGISTRA PALESTRA EM NOVA YORK EM EVENTO BANCADO PELO Lide DE DÓRIA
Via DCM em 26/7/2018

Reportagem de Ricardo Mendonça no jornal Valor Econômico informa que o juiz Sérgio Moro, titular da Operação Lava-Jato na primeira instância, não registrou no sistema de transparência da Justiça Federal sua participação como palestrante em Nova York num evento promovido pelo Lide, empresa da família do ex-prefeito de São Paulo João Dória, pré-candidato do PSDB ao governo paulista. Realizada em 16 de maio, a palestra de Moro no chamado Lide Brazilian Investment Forum contou com a presença de cerca de 190 analistas de rating, banqueiros, empresários e investidores, segundo informou a empresa posteriormente.

De acordo com o jornal, conforme resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a participação de juiz como palestrante, conferencista, moderador ou debatedor em evento privado é considerada “atividade de docência” e deve ser informada ao respectivo tribunal em até 30 dias. Serve para eventuais aferições de situações de impedimento. O magistrado deve registrar a data de participação, tema da palestra, local do evento e entidade promotora.

A Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) confirmou que não possui registro da participação de Moro no evento. “Cabe informar, em complementação, que no período de 11 de maio a 19 de maio de 2018 o referido juiz federal esteve de férias”, ressaltou. À reportagem, sem analisar o caso específico de Moro, o CNJ afirmou que sua resolução sobre palestras de magistrados “não faz exceção” para os que estão em férias, diz o Valor.

Leia também:
A empresa de palestras de Rosângela Moro
As mentiras e omissões de Sérgio Moro: Uma análise de seu Currículo Lattes e das novas intenções do juiz

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