Depois de ser pego na Operação Zelotes, economista Roberto Giannetti pede afastamento da campanha de Alckmin

Roberto Giannetti da Fonseca escreveu documento em que critica a condução da política econômica nos últimos anos. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil.

O objetivo do afastamento é se dedicar à elaboração de sua defesa nas investigações da Operação Zelotes. O economista é um dos colaboradores da campanha política do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência.

Via Portal Terra em 26/7/2018

A coligação Acelera São Paulo, do candidato à Presidência Geraldo Alckmin, informa que o economista Roberto Giannetti da Fonseca, coordenador geral do programa de governo, decidiu se licenciar da função. O objetivo do afastamento é se dedicar à elaboração de sua defesa nas investigações da Operação Zelotes.

Giannetti da Fonseca se tornou alvo da 10ª fase da operação deflagrada na quinta-feira [26/7]. Ele é suspeito de intermediar repasses de uma empresa da cidade de Santo André (SP) com objetivo de se beneficiar de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (Carf).

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a siderúrgica Paranapanema teria repassado R$8 milhões para a Kaduna Consultoria, empresa do economista Roberto Giannetti da Fonseca. Desse montante, cerca R$2,3 milhões teriam ficado com Giannetti da Fonseca e o restante teria sido encaminhado para dois escritórios de advocacia. Esses escritórios, ainda de acordo com o MPF, foram responsáveis por remeter parte dos valores para conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

Roberto Giannetti, ligado ao PSDB, é ex-diretor da área internacional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e é um dos colaboradores da campanha política do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência.

Confira a íntegra da nota
“Kaduna Consultoria e Roberto Giannetti da Fonseca declaram que estão abertos a prestar qualquer informação e a colaborar integralmente com a Justiça Federal para elucidação de qualquer fato relacionado a investigação Zelotes. Ele reafirma que aqueles que o conhecem sabem que ele se pautou pelos princípios éticos e legais no relacionamento com seus clientes e com as autoridades públicas, sendo totalmente infundadas as suspeitas levantadas contra si e sua empresa.”

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GIANNETTI ELABOROU MANIFESTO DE APOIO A GERALDO ALCKMIN
Um dos colaboradores da campanha do presidenciável tucano, Roberto Gianneti é um dos alvos da 10ª fase da Operação Zelotes, deflagrada nesta quinta-feira, 26; PSDB de São Paulo anuncia saída dele da campanha de Dória

Pedro Venceslau, via Portal Terra em 26/7/2018

O economista Roberto Giannetti da Fonseca é um dos colaboradores da campanha política do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência e participou até a quinta-feira [26/7] da coordenação da campanha do ex-prefeito João Dória (PSDB). O Estado mostrou, que ele é o idealizador de uma proposta chamada de “Manifesto Compromisso da Força Centro Democrático” elaborada com o objetivo de mostrar que os tucanos propõem um novo modelo de governança.

Gianneti é um dos alvos da 10ª fase da Operação Zelotes, deflagrada na quinta-feira [26/7]. A investigação apura desvios perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (Carf). A ação de hoje mira irregularidades em julgamento de processo fiscal de interesse de empresa siderúrgica Paranapanema, com sede na cidade de Santo André (SP). Desta vez, segundo nota da Receita, os prejuízos, em valores atualizados, superam R$900 milhões.

O documento, escrito por Giannetti, critica a condução da política econômica e a governança dos últimos governos. “Porém, a má gestão da política econômica, e uma sucessão de práticas irresponsáveis e desonestas pelos governantes, levaram novamente grande parte dos brasileiros nos últimos anos a perder a esperança no futuro de nossa Nação”.

As propostas começaram a ser discutidas internamente na campanha de Alckmin nas últimas semanas. A coordenação do tucano não considera o documento como uma peça oficial da campanha, mas o próprio ex-governador já teve acesso ao manifesto escrito por Fonseca. O coordenador econômico do programa de governo, Pérsio Arida, fez a revisão de alguns pontos da proposta de acordo com a apuração do Estado.

O compromisso, que se aprovado estava previsto para ser apresentado no dia o registro da campanha, 15 de agosto, termina com uma mensagem desejando que o PSDB termine a eleição vitoriosa: “Esperamos, enfim, que o PSDB e seus aliados sejam os vitoriosos nesta próxima eleição presidencial em outubro, seja pelo que trazemos de positivo em nossas propostas e não apenas pelos malfeitos, abusos e desmandos dos governos que nos precederam, que são enormes”.

“A democracia, tal como a concebemos, não se faz destruindo-se os órgãos de Estado ao sabor de interesses partidários e privados, como ocorreu com as Agências Reguladoras, as empresas estatais, os fundos de pensão e a própria administração federal. Nem pela estimagtização infamante dos setores políticos minoritários. É preciso devolver o Estado à sociedade brasileira”.

Segundo interlocutores da campanha do tucano, o documento foi elaborado e discutido por pessoas do PSDB, mas não foi debatido oficialmente nem apresentado aos demais aliados. O manifesto que o PSDB apoiou foi o assinado e divulgado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O Estado tentou falar com o economista, mas não houve retorno até o momento.

Giannetti deixa campanha de Dória em São Paulo
A assessoria do ex-prefeito João Dória, pré-candidato do PSDB ao governo paulista, divulgou na quinta-feira [26/7], uma nota oficial informando que o economista Roberto Giannetti da Fonseca pediu afastamento da campanha tucana em São Paulo. “A coligação Acelera São Paulo informa que o economista Roberto Giannetti da Fonseca, coordenador geral do programa de governo, decidiu se licenciar da função. O objetivo do afastamento é se dedicar à elaboração de sua defesa nas investigações da Operação Zelotes”.

O economista era vice-chairman do Lide, empresa ligada a João Dória, que organiza eventos com líderes empresariais e setores do governo. Após a operação desta quinta-feira, ele também pediu afastamento temporário do Comitê de Gestão para se dedicar à sua defesa.

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