A quem interessa uma união que não seja em torno de Lula/PT?

Foto de Ricardo Stuckert.

Em artigo, a socióloga Thaís S. Moya afirma: “Não é hora de criar problema que não existe. Hesitar diante do óbvio fortalece apenas a Direita. Foquemos no 13”.

Thaís S. Moya, via Revista Fórum em 24/7/2018

A esquerda brasileira beira a histeria coletiva quando torna o projeto da união da mesma em problema. Não há problema, há solução, apenas. Lula tem quase 40% da intenção dos votos. O PT é o partido preferido da maior parte da população, à frente da soma de todos os outros partidos. Tudo isso depois de um monstruoso ataque golpista que tentou destruí-los.

Lula, em cárcere ilegal, está nitidamente 100% dedicado ao seu plano de governo, tem lido e estudado muito, também está cuidando de sua saúde com exercícios diários. Ele não é irresponsável, megalomaníaco ou ingênuo, pelo contrário, é um gênio político e certamente está calculando cada passo que dá e orienta a ser dado.

O povo brasileiro, principalmente o mais pobre, está dando uma aula magistral de Política, apontando, a cada pesquisa eleitoral, sem hesitação, o caminho a ser seguido. Há quase dois meses, vemos uma crescente de Lula, a queda de Bolsonaro e a paralisia do restante. Quem hesita são caciques partidários e a intelectualidade. Os primeiros porque defendem seus interesses e valores ideológicos. Já os intelectuais esquerdistas parecem ser incapazes de superar o ranço colonizador de suas formações, insistindo na prerrogativa de apenas ensinar e ditar, mesmo que contra os fatos.

O gatilho da histeria foi a união da Direita em torno de Alckmin, que ainda nem se oficializou, pois muita chantagem ainda vai rolar naquele covil, vide a demanda do Paulinho da Força acerca da volta do imposto sindical. Não há respaldo para afirmar que essa “união do mal” vai alavancar a candidatura tucana que, a dois meses e meio do pleito, sequer bateu 5% de intenção de votos. Assim como subestimaram Lula e o PT, parece haver uma superestima do PSDB.

Nos últimos cinco anos, testemunhamos um tsunami político-institucional e a população não passou ilesa. O golpe foi forjado por meio do ódio e asco, o primeiro direcionado para esquerda e o segundo para classe política, principalmente às figuras mais conhecidas e citadas em escândalos de corrupção.

Por mais que a mídia hegemônica (Globo, Folha, Veja e cia.) tenha blindado Alckmin, não foi possível mantê-lo imaculado. O escândalo da merenda, a truculência com que tratou os estudantes secundaristas, em 2016, e seu apelido de “Santo” nas planilhas de propinas da Odebrecht tornaram sua imagem asquerosa para 69% da população.

Não há tempo de TV, conluio de pastores e caixa 2 que revertam isso em 70 dias. Caso consigam tamanha façanha, a briga direta será pela segunda colocação contra Bolsonaro (se ele, de fato, se candidatar) e Marina.

Se houver segundo turno, uma vaga já é de Lula ou de sua indicação, e ambos têm um único signo no imaginário social: 13. E essa é a resposta óbvia dessa falsa problemática em torno da cabeça de chapa da esquerda. Não há tempo hábil para emplacar outra legenda/número que não o “13”.

Resta a reflexão: a quem interessa insistir numa união da esquerda que não seja em torno do PT? Por que bancarmos doutrinadores quando quase metade do Brasil tem insistido, apesar de tudo, na opção “Lula/PT? Não é hora de criar problema que não existe. Hesitar diante do óbvio fortalece apenas a Direita. Foquemos no 13.

Thaís S. Moya é socióloga, pós-doc em Ciências Sociais (Unicamp) e autora de texto sobre a união da esquerda.

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