A capa da Veja é ironia com a morte da sua Editora Abril?

“A Veja lançar a revista com essa capa é como se Hitler e Goebbels produzissem um filme lamentando os judeus mortos nos campos de concentração”. Dica Ação Socialista.

Fernando Brito, via Tijolaço em 21/7/2018

Dos anos 70, guardo a memória da Veja como “sucessora” (ainda que tenham sido, em parte, contemporâneas) da Realidade, talvez a melhor revista de reportagem que este país já tenha tido.

Dos anos 80 e 90, seu perfil foi se tornando cada vez mais conservador e a inteligência, minguante.

Nunca, em uma publicação que não estivesse sob a direção de pessoas que não se deixassem dominar pela ignorância arrogante, a história do “Boimate” – uma cópia de uma brincadeira de 1º de abril que anunciava um boi geneticamente modificado, cuja a carne já continha molho de tomate! – teria sido sustentada.

Mas Veja, embora piorando a olhos vistos, ainda tinha bons repórteres e reportagens.

Na segunda metade dos 90, entregou-se de vez a agitar a bandeirinha das privatizações, assanhada com o governo Fernando Henrique. Ainda sobravam, porém, espaços para que as evidências de negociatas fossem noticiadas.

No Governo Lula, porém, tornou-se apenas um panfleto de quinta categoria: grosseira, ofensiva, sórdida.

Mas ainda tinha importância, que foi sumindo, como foram sumindo seus assinantes.

Deixou de ter uma redação para ter um valhacouto. Ali se juntaram quem via o jornalismo como uma gazua e os que viam, mesmo, como o exercício sádico da mentira e da perversidade. Exceto, claro, os carregadores de piano que trabalham anonimamente, para viver.

Esta semana, a Editora Abril, onde a Veja era a joia da coroa, na prática, faliu. Os herdeiros, já netos, do imperador Victor Civita, foram varridos da direção por ordem dos bancos credores da empresa.

Nomearam-se liquidantes.

A capa da edição que está indo às bancas é uma fina e trágica ironia.

Fala do crescimento da mortalidade infantil após o golpe do qual ela foi a grande protagonista na mídia.

Mas o cadáver que se expõe é o seu próprio.

***

O MAIOR RESPONSÁVEL PELO COLAPSO DA VEJA SE CHAMA EURÍPEDES ALCÂNTARA
Luís Costa Pinto em 21/7/2018

A 1ª edição de Veja fechada na UTI financeira, no ambulatório da recuperação judicial, pergunta: por que até a mortalidade infantil voltou a crescer no Brasil depois de 26 anos de declínio? Ora, porque entre outras tragédias associadas, os jagunços de um “liberalismo” tosco assumiram o controle daquelas que outrora eram as principais redações do país e desmantelaram o fluxo de oxigênio que ainda chegava à sociedade. Essa tropa de mercenários tem muitos soldados rasos e escassos capatazes. Mas, no caso específico de Veja, o capataz-mor do desastre se chama Eurípedes Alcântara. Se o desmonte da melhor escola de jornalismo do Brasil (até meados dos anos 1990) tem um responsável, o nome é Eurípedes Alcântara.

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